Diretor da Visão contesta avaliação da marca e explica porquê
De acordo com o relatório, que fala em 14 marcas ativas, as vendas da Visão foram de 1.884.072 euros em 2025, devendo crescer este ano para 2.144.320 euros e situar-se acima dos 4 milhões em 2030.
Rui Tavares Guedes, diretor da Visão, já contestou a forma como foi feito o relatório de avaliação interna da marca. “Sei que o relatório é confidencial e não me interessa atacá-lo publicamente. Mas vou querer rebatê-lo junto da comissão de credores, (…) pois não posso admitir que o valor de referência da Visão e suas supostas extensões (algumas delas mortas e enterradas há muitos anos…) seja encontrado com este método“, escreve numa contestação inicial à qual o +M teve acesso.
Esta terça-feira a Lusa avançou que o valor das marcas do portefólio da insolvente Trust in News (TiN) ronda os 500.000 euros, segundo um relatório de avaliação económica elaborado pela consultora ClarkeModet, ao qual a agência teve acesso. .
De acordo com o relatório, o valor total das marcas de imprensa e publicações periódicas da TiN varia entre os 496.066 euros (método conservador) e os 526.099 euros (método otimista), dos quais 450.482 euros a 480.514 euros relativos à marca Visão e respetivas extensões e 45.584 euros respeitantes às marcas sem exploração comercial.
Para estimar o valor atual de mercado das marcas avaliadas, e de acordo com o relatório ao qual o +M também teve acesso, a ClarkeModet diz que as marcas que não se encontram atualmente a ser comercializadas, nem se perspetiva a sua exploração futura, foram avaliadas com base no método do custo, segundo o qual o justo valor corresponde ao montante estimado necessário para reproduzir ou substituir o ativo em condições equivalentes (método de substituição).
Por outro lado, as marcas que permanecem em exploração comercial, designadamente a marca Visão e respetivas extensões, foram avaliadas com recurso ao método Royalty Relief (ou Relief-from-Royalty), que assenta na projeção dos fluxos de receitas expectáveis decorrentes da exploração dos ativos, aos quais é aplicada uma taxa de royalties de mercado adequada.
Ora, segundo o relatório, 14 marcas registadas em Portugal, com o nome Visão e extensões, encontram-se, “à data atual, a ser comercializadas no território português”, enquanto as restantes, apesar de juridicamente ativas, não estão atualmente em comercialização.
Assim, “o estudo parte de pressupostos errados”, aponta o diretor do título, lembrando que “desde, pelo menos, junho de 2025 que não existem extensões da marca Visão em exploração comercial”.
“Como sabemos e conforme foi requerido pelo grupo de jornalistas ao tribunal, apenas a marca Visão, correspondente à revista semanal, está a ser comercializada atualmente no mercado português“, concretiza.
Nesse sentido, “a divisão feita entre o “método do custo” e o “método de Royalty Relief” em relação às marcas relacionadas com a Visão é absolutamente fantasiosa e sem qualquer correspondência com a realidade“, defende Rui Tavares Guedes.
“Os factos são claros e facilmente comprováveis”, diz, apontando que a Visão Estilo & Design teve três edições e a última foi publicada em 2009, sucedendo mesmo com a Visão Link (última de três em 2008), Visão Gourmet (última foi publicada em 2012, tal como Visão Vida & Viagens) ou que a Visão 7 e a Visão Sete são uma secção da revista semanal, tal como acontece com a Visão Verde.
“Para além disso, todas as outras extensões de marca referidas – Visão Júnior, Visão História, Visão Biografia e Visão Saúde – não são publicadas desde junho de 2025. Ou seja: estão exatamente nas mesmas condições de marcas (como JL, Activa, TV Mais e outras), que foram incluídas na categoria “método de custo”“, prossegue o jornalista.
“Esta falta de rigor na identificação dos títulos e marcas associadas à Visão deve ser a responsável, presumo, pela fantasia exposta no ponto 6 do relatório, referente ao que é apresentado como “aplicação do método de Royalty Relief”, sustentado em projeções dos relatórios “Total Newspapers & Magazines Portugal” e “Digital Newspapers & Magazines Portugal”, da STATISTA”, escreve na contestação.
“Nesse ponto, sem qualquer fundamentação, considera-se que a Visão “e respetivas extensões” terá, no período de 2026 a 2030, “uma recuperação progressiva da quota de mercado da marca até níveis equivalentes aos registados em 2021/22, refletindo a superação gradual do impacto negativo associado ao atual processo de insolvência da empresa”. Como? Com que extensões?”, interroga, acrescentando ainda que o relatório dá exemplos de acordos feitos no exterior, “sem que seja feita qualquer esforço de relação com a realidade portuguesa”.
De acordo com o relatório, as vendas da Visão foram de 1.884.072 euros em 2025, devendo crescer este ano para 2.144.320 euros e situar-se acima dos 4 milhões em 2030.
“Sinceramente, nunca tive grandes ilusões em relação a este tipo de avaliações e não quero, de todo, pôr em causa o profissionalismo dos autores do relatório. No entanto, não posso deixar passar, sem indignação, alguns dos pressupostos e, pior ainda, muitas das suas conclusões – e ainda estou na fase da avaliação rápida do relatório…”, conclui Rui Tavares Guedes.
A avaliação dos títulos foi exigida no ano passado pelos credores, antes de se avançar para uma venda. Entretanto, já este mês, o Supremo Tribunal revogou o acórdão do Tribunal da Relação e homologou o plano de insolvência da Trust in News (TiN), mas retirou a cláusula que não defendia os direitos dos credores. Ou seja, deu razão a Luís Delgado, que recorreu da decisão de não homologação do plano de insolvência da dona da Visão, mas fazendo cair a cláusula que levou ao seu chumbo, suspendendo, no imediato, a possibilidade de venda dos títulos.
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