BRANDS' ECO Pedro Amaral Jorge: “Portugal tem elevado potencial no armazenamento de energia”

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  • 24 Março 2026

A APREN organiza o primeiro fórum dedicado ao tema do armazenamento de energia para alinhar o setor e acelerar o investimento naquele que é um pilar crítico da transição energética.

Portugal entra numa nova fase da transição energética, marcada por uma forte incorporação de renováveis e por desafios crescentes de estabilidade e flexibilidade do sistema elétrico. É neste contexto que surge a primeira edição do Portugal Energy Storage Forum, uma iniciativa da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis que pretende colocar o armazenamento de energia no centro do debate e ajudar a desbloquear investimento, enquadramento regulatório e decisões políticas.

O CEO da APREN, Pedro Amaral Jorge, fala sobre os desafios que o país enfrenta e sobre o que falta fazer. “O armazenamento será um elemento central na evolução do sistema elétrico”, garante.

O Portugal Energy Storage Forum vai acontecer, pela primeira vez, a 24 de março. A organização deste evento resulta de alguma lacuna que tenham identificado no setor, e que justifique criar um espaço de debate exclusivamente dedicado ao armazenamento de energia?

A transição energética portuguesa atingiu uma nova fase de maturidade, caracterizada por elevada incorporação de energia de fontes renováveis na produção de eletricidade​, resultando num maior número de horas com variabilidade da geração​, que resulta na necessidade crescente de maior flexibilidade e serviços de sistema​. Estamos a entrar numa etapa com desafios acrescidos de alcançar segurança energética, resiliência do sistema e competitividade da economia ​.
O armazenamento de energia renovável surge, a nível europeu, mas também e sobretudo a nível local, como a resposta a estes desafios, garantindo segurança no abastecimento de energia limpa e barata de forma contínua.

Apesar da importância crescente do armazenamento, o tema tem sido abordado de forma transversal ou fragmentada, sem um espaço dedicado que permita uma discussão aprofundada e estruturada.​

O Portugal Energy Storage Forum nasce para colmatar essa lacuna, criando um fórum próprio para o armazenamento de energia renovável no contexto específico das positivas características do sistema elétrico português.​ É o primeiro evento em Portugal inteiramente dedicado ao armazenamento de energia renovável, enquanto elemento crítico para a transição energética e para o funcionamento adequado do sistema elétrico.​

Esperamos que esta primeira edição contribua para alinhar expectativas entre os vários agentes do setor e, sobretudo, para identificar prioridades concretas de atuação.

Pedro Amaral Jorge

CEO da APREN

O Fórum cria, pela primeira vez, um espaço próprio e contínuo de debate, análise e alinhamento sobre armazenamento de energia renovável, reunindo decisores públicos, reguladores, operadores de rede, promotores, investidores, indústria e academia.​

O evento destina-se a decisores públicos, reguladores, investidores e operadores de rede. Que resultados espera desta primeira edição que permitam acelerar o desenvolvimento do armazenamento em Portugal?

Esperamos que esta primeira edição contribua para alinhar expectativas entre os vários agentes do setor e, sobretudo, para identificar prioridades concretas de atuação.

O objetivo é promover um entendimento comum sobre as necessidades do sistema elétrico em termos de armazenamento de energia renovável, clarificar barreiras existentes e estimular o desenvolvimento de soluções regulatórias e de mercado que permitam acelerar o investimento em sistemas robustos de armazenamento.

O evento servirá como catalisador para decisões mais informadas e coordenadas, impulsionando também a tutela e as demais instituições estatais a avançar com os processos regulatórios necessários, para fazer avançar o desenvolvimento desta tecnologia tão importante para a segurança e independência energética.

A crescente inclusão de renováveis está a pressionar a flexibilidade do sistema elétrico. Que papel terá o armazenamento na estabilidade e na competitividade do sistema nos próximos anos?

O armazenamento será um elemento central na evolução do sistema elétrico. À medida que aumenta a penetração de fontes renováveis variáveis na produção de eletricidade, como a solar e a eólica, torna-se essencial garantir mecanismos de flexibilidade que assegurem o equilíbrio entre oferta e procura.

Neste contexto, o armazenamento assume um papel determinante, ao permitir gerir excedentes de produção, reduzir o curtailment, estabilizar a rede e diminuir a dependência de fontes fósseis de backup. Ao mesmo tempo, contribui para a competitividade do sistema elétrico, ao mitigar os custos associados à volatilidade dos preços e à gestão da variabilidade.

De forma mais abrangente, o desenvolvimento do armazenamento de energia renovável permitirá integrar maiores volumes de produção elétrica de fontes endógenas de forma eficiente e mais económica, reforçar a estabilidade e resiliência do sistema elétrico nacional e criar mercados e oportunidades de negócio. Paralelamente, terá um impacto positivo na redução dos custos sistémicos e da dependência fóssil, contribuindo também para o crescimento do investimento, do PIB e do emprego.

Um dos temas do evento serão os apoios do Estado. Que tipo de enquadramento regulatório e de incentivos considera essencial para tornar os projetos de armazenamento financeiramente viáveis?

É fundamental criar um enquadramento regulatório claro, estável e previsível, que reconheça o valor sistémico do armazenamento. Isto inclui a definição de modelos de remuneração adequados para os serviços prestados, como serviços de sistema e flexibilidade, bem como a eliminação de barreiras regulatórias, nomeadamente no acesso aos mercados.

Um dos principais obstáculos à instalação de potência renovável continua a ser a falta de disponibilidade de rede, o que dificulta o acesso a energia limpa e barata para todos

Pedro Amaral Jorge

CEO da APREN

Adicionalmente, mecanismos de apoio ao investimento por via de pagamentos por capacidade, especialmente numa fase inicial da instalação destes sistemas de armazenamento, poderão ser determinantes para viabilizar a bancabilidade dos projetos e adequar o nível de risco associado.

A eletrificação da indústria pode ser um fator crítico para a competitividade. De que forma o armazenamento pode reduzir custos energéticos e mitigar riscos para as empresas?

O armazenamento pode desempenhar um papel relevante na gestão dos custos energéticos das empresas, permitindo otimizar o consumo, reduzir preços, reduzir picos de procura e aumentar a utilização de energia renovável local.
Ao armazenar energia em períodos de menor preço e utilizá-la em momentos de maior preço, as empresas podem reduzir a sua estrutura de custos aumento a sua competitividade. Além disso, o armazenamento contribui para reduzir a exposição à volatilidade dos preços da energia.

O Grids Package europeu promete mudanças importantes na gestão das redes. Que impactos antecipa para Portugal e para a integração de soluções de armazenamento?

O Grids Package deverá trazer avanços significativos ao nível da modernização e digitalização das redes, bem como uma maior integração de soluções descentralizadas. Para Portugal, representa uma oportunidade para acelerar o reforço da infraestrutura elétrica e criar condições mais favoráveis a uma melhor integração, do armazenamento, mas também de renováveis no geral.

Um dos principais obstáculos à instalação de potência renovável continua a ser a falta de disponibilidade de rede, o que dificulta o acesso a energia limpa e barata para todos, e também influencia a localização de projetos, condicionando-os aos muito poucos sítios com rede disponível.

Espera-se também uma maior clarificação de papéis e responsabilidades, facilitando a participação de novos agentes e tecnologias no sistema.

Que modelos de negócio ou sinais do mercado podem desbloquear o investimento privado em larga escala?

O desenvolvimento de mercados de flexibilidade e serviços de sistema mais robustos será essencial para criar sinais de preço e diferentes origens de receita em mercado. Modelos de negócio que combinem múltiplas fontes de receita, como arbitragem, prestação de serviços de sistema e integração com renováveis, aumentarão viabilidade dos projetos. A estabilidade regulatória é também igualmente um dos fatores-chave para mobilizar investimento privado em larga escala, já que garante a mitigação parcial do risco dos investidores.

Onde se posiciona Portugal no panorama europeu do armazenamento? Estamos a acompanhar o ritmo ou ainda há um desfasamento entre ambição e execução?

Portugal apresenta uma ambição alinhada com os objetivos europeus e um elevado potencial para o desenvolvimento do armazenamento, sobretudo tendo em conta a forte participação das renováveis no consumo final de eletricidade. Relembrar que Portugal tem uma invejável base de armazenamento hídrico com centrais de bombagem que trazem muita resiliência ao sistema elétrico.

Só com estabilidade regulatória, clareza nos modelos de remuneração e integração plena do armazenamento nos mercados de energia será possível desbloquear investimento em escala

Pedro Amaral Jorge

CEO da APREN

No entanto, ainda persiste algum desfasamento entre essa ambição e a concretização no terreno, resultado da ausência de um enquadramento plenamente operacional e de sinais de mercado claros que acelerem o investimento.

Neste contexto, iniciativas recentes como o investimento de 60,25 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para reforçar a flexibilidade e segurança da Rede Elétrica de Serviço Público (RESP), através da instalação de sistemas de armazenamento, são um passo positivo. Este apoio, operacionalizado pela Agência para o Clima e dirigido a produtores independentes privados de eletricidade renovável, permitirá promover uma gestão mais eficiente do sistema elétrico, reforçar a resiliência da rede e minimizar riscos de falhas de fornecimento.

Ainda assim, sendo um sinal relevante, este tipo de financiamento, com subvenções até 20% dos custos elegíveis, deverá ser acompanhado por um enquadramento regulatório mais robusto e por mecanismos de mercado que assegurem a viabilidade económica dos projetos a longo prazo.

Só com estabilidade regulatória, clareza nos modelos de remuneração e integração plena do armazenamento nos mercados de energia será possível desbloquear investimento em escala.

O reforço do armazenamento será igualmente crítico para responder ao crescimento esperado do consumo elétrico, nomeadamente associado à industrialização, ao hidrogénio renovável e à crescente eletrificação da economia. Ultrapassar as atuais barreiras será, por isso, determinante para transformar o potencial existente em implementação efetiva e posicionar Portugal como um player competitivo no panorama europeu do armazenamento de energia.

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