União Europeia fecha parceria de defesa e segurança com Austrália

União Europeia usou nas negociações com a Austrália a mesma estratégia que já tinha levado a cabo com a Índia: um acordo comercial e, em paralelo, uma Parceria de Defesa e Segurança.

“A Europa e a Austrália estão separadas por oceanos, mas a nossa segurança e prosperidade estão intimamente ligadas”. A frase foi proferida por Kaja Kallas, alta representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão, sobre o acordo de defesa e segurança fechado entre as duas regiões.

Num momento de alta tensão geopolítica, a União Europeia usou nas negociações com a Austrália a mesma estratégia que já tinha levado a cabo com a Índia: um acordo comercial para incentivar trocas entre as duas regiões e, em paralelo, uma Parceria para Segurança e Defesa. Cibersegurança e segurança marítima são alguns dos temas. A intenção de fechar uma parceria de defesa com a Austrália era conhecida desde o início de março, altura em que Kaja Kallas anunciou que a UE pretendia fechar parcerias com igualmente com Islândia e Gana.

“O nosso novo acordo comercial e de parceria em matéria de segurança e defesa tornará os europeus e os australianos mais seguros e prósperos. Na prática, reforçamos a cooperação numa multiplicidade de domínios, desde as ciberameaças à segurança marítima, criando simultaneamente um maior acesso ao mercado para as nossas empresas e mais escolha para os nossos cidadãos. Num mundo cada vez mais perigoso, parcerias fortes como a nossa são a melhor defesa“, refere Kaja Kallas, alta representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão, citada em comunicado.

O que prevê a parceria?

A Parceria para a Segurança e a Defesa — assinada virtualmente por Kaja Kallas e pelo vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa da Austrália, Richard Donald Marles, e pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, a 18 de março de 2026 — prevê o reforço de cooperação em domínios como “gestão de crises e missões e operações da Política Comum de Segurança e Defesa, incluindo exercícios, formação e educação”; mas também em “segurança marítima, cibersegurança, luta contra as ameaças híbridas e manipulação da informação e ingerência por parte de agentes estrangeiros, refletindo a natureza evolutiva dos atuais desafios em matéria de segurança”.

Pretende ainda “facilitar uma estreita coordenação em matéria de tecnologias emergentes e disruptivas, incluindo a inteligência artificial, bem como em matéria de segurança espacial, não proliferação e desarmamento”; ainda “reforçar os intercâmbios em matéria de conhecimento da situação entre as diferentes regiões; bem como “apoiar o reforço das capacidades dos parceiros, nomeadamente no Indo-Pacífico, e reforçar a coordenação nas instâncias multilaterais e regionais”, segundo pode ler-se em comunicado.

Ursula von der Leyen classificou os acordos alcançados como “um forte sinal” de que a “amizade e a cooperação são o que mais mais importa em tempos de turbulência”.

“A UE e a Austrália podem estar geograficamente distantes, mas não podíamos estar mais próximos em termos da forma como vemos o mundo. Com estas novas parcerias dinâmicas em matéria de segurança e defesa, bem como de comércio, estamos a aproximar-nos ainda mais. Estes acordos criaram estruturas duradouras e baseadas na confiança para apoiar a paz e a segurança através da força, impulsionar a prosperidade através de um comércio baseado em regras e trabalhar em conjunto para defender as instituições mundiais. Estamos empenhados em construir um futuro mais limpo e digital para os nossos cidadãos, trabalhadores e empresas. E estamos a enviar um forte sinal ao resto do mundo de que a amizade e a cooperação são o que mais importa em tempos de turbulência”, disse a presidente da Comissão Europeia, citada em comunicado.

A intenção de fechar uma parceria com a Austrália no campo da defesa e segurança foi anunciada por Kaja Kallas no início de março, na na conferência anual dos embaixadores da UE, em Bruxelas. A chefe da diplomacia da UE defendeu o desenvolvimento de parcerias para uma melhor gestão dos riscos de segurança e defesa, referindo que “um número crescente de países está a tentar diversificar as suas parcerias para gerir um contexto de riscos acrescidos”.

“Como nós, aprenderam que dependências tornam-nos mais fracos e dão uma influência indevida a quem quer dividir o mundo em esferas de influência. E, como nós, compreendem que uma ordem internacional baseada em regras é vital para evitar a anarquia”, disse então.

Desde 2024, a UE fechou parcerias de segurança e Defesa com Índia, Canadá, Reino Unido, Albânia, Macedónia do Norte, Coreia do Sul, Japão, Noruega e Moldova e, também a 18 de março, com a Islândia.

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