Voos também estão mais caros em Portugal. Passageiros enfrentam aumentos que podem chegar aos 20%

Com o preço do 'jet fuel a disparar' 76% desde o início da guerra no Irão, os bilhetes de avião em Portugal estão mais caros. Agências de viagens estão a adotar estratégias para minimizar impacto.

ECO Fast
  • Os preços dos bilhetes de avião estão a aumentar significativamente devido à subida do custo do 'jet fuel' resultante do conflito no Médio Oriente.
  • A ANAV indica que, em média, os preços da aviação aumentaram 4% em Portugal, com voos de longa distância a registarem aumentos superiores a 10%, podendo em alguns casos ultrapassar os 20%.
  • As agências de viagens estão a adotar estratégias para mitigar o impacto, como a antecipação de reservas e a pesquisa de destinos alternativos, refletindo uma mudança no comportamento do consumidor.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Os bilhetes de avião estão mais caros, impulsionados pela escalada dos preços do combustível para aviação e pelo conflito no Médio Oriente. A Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV) revela ao ECO que, em casos excecionais, os aumentos dos preços das passagens podem ultrapassar os 20%, levando as agências a adotaram diversas estratégias para minimizar o impacto.

“Já se começa a verificar uma pressão em alta sobre os preços dos bilhetes de avião“, garante o presidente da ANAV. Segundo o dirigente, “desde Portugal, e neste último mês, os preços da aviação aumentaram em média 4%, enquanto nos voos de longa distância os valores atingem mais de 10%, sendo em caso excecionais possível chegar aos mais de 20%”.

Já se começa a verificar uma pressão em alta sobre os preços dos bilhetes de avião. Desde Portugal, e neste último mês, os preços da aviação aumentaram em média 4%, enquanto nos voos de longa distância os valores atingem mais de 10%, sendo em caso excecionais possível chegar aos mais de 20%.

Miguel Quintas

Presidente da ANAV

Entre as companhias que já aplicaram suplementos para custos de combustível em Portugal estão a TAP, a Air Europa e a Air Transat, segundo a ANAV. Mas, de forma geral, o maior impacto nos preços verifica-se nas companhias aéreas que operam no mercado asiático, como a Akasa Air, Cathay Pacific, Qantas, SAS e Air New Zealand.

Só na última semana, o preço médio global do jet fuel subiu 11%, de acordo com o monitor de preços da IATA, com “várias companhias a reconheceram aumentos de custos e a ajustaram tarifas”.

Não nos podemos esquecer que 20 a 30% da estrutura de custos de uma companhia aérea está no jet fuel e que, desde o início do conflito, no final de fevereiro, os preços do jet fuel na Europa duplicaram, e na Ásia subiram quase 80%, o que torna inevitável alguma repercussão nas tarifas, sobretudo se o conflito se prolongar”, explica o líder da ANAV.

Na semana passada, o diretor da IATA considerou que aumento dos preços dos bilhetes de avião é “inevitável”. “Não é preciso ser um génio para deduzir que os custos adicionais que as companhias terão de enfrentar, se a situação persistir, serão muito superiores ao que podem absorver”, disse Willie Walsh, diretor-geral desta associação, que reúne 360 transportadoras que representam 85% do tráfego mundial.

Miguel Quintas destaca que os destinos mais afetados pelo encarecimento dos bilhetes estão no Médio Oriente e na Ásia, incluindo Japão, China e Tailândia e sudoeste asiático, onde há suspensões, reduções ou limitações operacionais em ligações para Telavive, Dubai, Abu Dhabi, Doha, Beirute, Amã, Riade e Teerão. Miguel Quintas acrescenta que a situação “afeta não só quem viaja para esses destinos, mas também passageiros em ligação para a Ásia e ainda as ligações a África e Oceânia via Golfo”.

Simultaneamente, a ANAV reforça que destinos europeus e do Mediterrâneo ocidental têm beneficiado da procura desviada, nomeadamente Espanha — e, em menor medida, Portugal.

As estratégias para minimizar impactos

Para minimizar o impacto dos aumentos, a ANAV garante que as agências de viagens estão a adotar estratégias como a “antecipação da reserva para garantir melhor preço, desvio para destinos alternativos com melhor relação custo-segurança, pesquisa de rotas e companhias menos expostas ao choque do combustível e maior flexibilidade comercial”.

“Há um esforço acrescido de acompanhamento personalizado do cliente, para encontrar combinações mais eficientes entre preço, escalas, bagagem e condições de alteração”, afirma o porta-voz da ANAV.

Neste contexto, “o papel da agência de viagens é ainda mais relevante, porque ajuda o consumidor a navegar um mercado que está simultaneamente mais caro, mais volátil e mais sujeito a mudanças operacionais”, sublinha Quintas, numa altura em que os profissionais do setor do turismo apontam para um crescimento mais moderado em 2026.

Há um esforço acrescido de acompanhamento personalizado do cliente, para encontrar combinações mais eficientes entre preço, escalas, bagagem e condições de alteração.

Miguel Quintas

Presidente da ANAV

O presidente da associação que representa as agências de viagens garante que, para já, “não se regista uma quebra generalizada da procura, mas sim uma mudança de comportamento do consumidor”. Quintas explica que “há uma maior sensibilidade ao preço, maior comparação entre opções e mais procura por destinos de menor risco percebido e por soluções economicamente mais equilibradas”.

“Já em vários mercados europeus, os agentes de viagens têm vindo a reportar pressão crescente sobre preços em destinos como Espanha e, pontualmente, Portugal, com o cliente a tentar reservar cedo para proteger preço e disponibilidade”, acrescenta.

Para a próxima Páscoa, que se avizinha, Miguel Quintas identifica duas tendências muito claras: a inexistência de procura nos destinos do Médio Oriente e o reforço da procura por destinos europeus, em particular Espanha e capitais europeias.

Não estamos perante um desaparecimento da procura turística, estamos perante uma redistribuição da procura para geografias que o cliente sente como mais estáveis neste momento”, conclui o presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Voos também estão mais caros em Portugal. Passageiros enfrentam aumentos que podem chegar aos 20%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião