Buscas em Albufeira. Ventura vai pedir explicações ao Ministério Público

Líder do Chega reagiu, na Assembleia da República, às buscas em Albufeira, câmara liderada pelo partido. Ação do Ministério Público está relacionada declarações do autarca sobre a comunidade cigana.

O líder do Chega anunciou um “pedido de esclarecimento” ao Ministério Público (MP), “imediatamente” e “através do Parlamento” para que seja explicado “os motivos e os fundamentos” das buscas, desta quarta-feira, na Câmara de Albufeira, liderada pelo autarca Rui Cristina. André Ventura diz que isto servirá “para que o país saiba, e o povo saiba, o que esteve por detrás desta ação”.

Apontando o dedo ao MP, Ventura considera que a instituição “como poder democrático, que é, deve prestar esclarecimentos” sobre as buscas que, segundo a CNN, estão relacionadas com as palavras do ex-vereador do PSD em Loulé e atual líder da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, envolvendo a comunidade cigana.

Era importante que as autoridades fizessem um esclarecimento ao país sobre o que aconteceu hoje [quarta-feira], como fizeram noutros casos e noutras situações”, afirmou o líder do partido.

As informações, que diz ter, “é que os fundamentos que levaram a estas buscas foram declarações do autarca e presidente da Câmara, numa Assembleia Geral, no exercício do seu mandato, dizendo, cito, ‘isso é para dar casas a ciganos e eu não vou alinhar nisso'”.

“Prendam-me, então, porque já disse isso não sei quantas vezes, prendam-nos, acabem com a democracia”, insta o líder do segundo partido do Parlamento.

André Ventura referia-se à primeira reunião desta Assembleia Municipal neste mandato, na qual em Rui Cristina foi perentório: “Eu não vou gastar dinheiro com a etnia cigana enquanto eu tenho os albufeirenses com necessidades de casa. Peço desculpa. Isto é duro estar a dizer isto. Podem chamar-me xenófobo, podem chamar o que quiserem. Primeiro, estamos nós que pagamos impostos e temos necessidades, e depois estão estas comunidades. Isto é assim tão simples como estou a dizer, preto no branco. E é assim que vai ser“.

O presidente do Chega, André Ventura (D), acompanhado pelos candidatos do Chega às câmaras de Albufeira, Rui Cristina (2D), Portimão, João Paulo Graça (2E) e pelo candidato em Faro, Pedro Pinto, (E), durante uma ação de campanha para as eleições de outubro FOTO: MIGUEL A. LOPES/LUSAMIGUEL A. LOPES/LUSA

“Mais vale acabar com isto que é a charada de uma democracia, fingir que estamos em democracia. Quando, na verdade, um partido se aproxima do poder, acabam com ele. As autoridades têm de ter aqui um sentido de democracia. Goste-se mais ou menos, o Chega é um partido democrático, democraticamente eleito”, salientou André Ventura numa conferência de imprensa realizada na Assembleia da República.

Mais vale acabar com isto que é a charada de uma democracia, fingir que estamos em democracia. Quando, na verdade, um partido se aproxima do poder, acabam com ele. As autoridades têm de ter aqui um sentido de democracia. Goste-se mais ou menos, o Chega é um partido democrático, democraticamente eleito.

André Ventura

Presidente do Chega

Na conferência de imprensa realizada na Assembleia da República durante a tarde desta quarta-feira, Ventura, descrevendo como “judicialização ou perseguição” aquilo que o Chega tem enfrentado, alega que esta “começou por declarações feitas no Parlamento por vários deputados, que no lugar de serem alvo de combate político, se tornam alvo de processos judiciais, levantamentos de imunidades, perseguição na esfera judicial, ou por força da denúncia de terceiros, de deputados ou associações”.

A sequência de eventos descritos pelo líder do partido prossegue para as buscas na Câmara de Albufeira. “Não por nenhum motivo de natureza de gestão, mas porque o autarca disse que ia acabar com dar casas a ciganos de forma discriminatória e absurda. Isto não é aceitável em democracia”, considerou o deputado.

Pedindo “respeito pelas posições diversas, respeito pela democracia”, Ventura considera que “não é tolerável” um autarca ser “alvo de buscas coercivamente” por dizer “que quer deixar de dar casas a ciganos”.

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