Ex-presidente da Google para região EMEA é o novo diretor-geral da BBC

Rafael Correia,

Depois de quase duas décadas na Google e uma pequena pausa na carreira, Matt Brittin foi escolhido para substituir Tim Davie, que se demitiu depois das polémicas com Donald Trump.

Matt Brittin, novo diretor-geral da BBC

A BBC escolheu Matt Brittin, ex-presidente da Google para o mercado EMEA (Europa, Médio Oriente e África), para suceder a Tim ‌Davie no cargo de diretor-geral do serviço público britânico. A confirmação surge esta quarta-feira, após o The Times ter avançado com a notícia este domingo.

Matt Brittin esteve durante quase 20 anos na Google, tendo abandonado a empresa no final de 2024 e tem estado, desde aí, numa “gap year” como o próprio define. Durante este período, em fevereiro de 2025, tornou-se membro não executivo da administração do The Guardian. Esta não é a única ligação com o setor.

Durante o seu tempo na Google, assumiu o cargo de vogal do conselho de administração da Media Trust, organização sem fins lucrativos que trabalha em parceria com os media e a indústria criativa para dar às instituições de solidariedade, aos jovens e às comunidades sub-representadas uma voz mais forte.

Ainda mais cedo na carreira, por um breve período, foi diretor comercial e diretor de estratégia e digital do Trinity Mirror, atual Reach, detentora de jornais como o Daily Mirror. Trabalhou ainda como consultor na McKinsey & Company, em áreas como os media e a tecnologia.

O novo diretor assumirá o cargo a 18 de maio, estando prevista uma remuneração anual de 565 mil libras (cerca de 652 mil euros) — um aumento face às 545 mil libras (cerca de 629 mil euros) de Tim Davie. Entre as prioridades, Matt Brittin pretende nomear um diretor-geral adjunto. De acordo com o Deadline, é esperado que esse diretor tenha experiência no jornalismo, de forma a colmatar a sua falta de experiência editorial. Precisa também de indicar um novo presidente executivo para a BBC News, de forma a substituir Deborah Turness. Recorde-se que Tim Davie e Deborah Turness apresentaram a sua demissão, depois da BBC ter sido acusada de ter deturpado as declarações de Donald Trump na altura do ataque ao Capitólio. O caso está em tribunal.

A mesma publicação nota que, inicialmente, a corrida para substituir Tim Davie era liderada por três mulheres — Jay Hunt, chefe da Apple TV Europa, Charlotte Moore, ex-diretora de conteúdos da BBC, e Alex Mahon, antiga CEO do Channel 4. Todas recusaram o cargo.

Rhodri Talfan Davies liderará a BBC como diretor-geral interino após a saída de Tim Davie, a 2 de abril. “Durante este período, Matt passará por um processo de integração e iniciará reuniões introdutórias detalhadas para obter uma compreensão total do negócio. Rhodri terá total responsabilidade executiva até 18 de maio”, explica o serviço público britânico, em comunicado.

Agora, mais do que nunca, precisamos de uma BBC próspera que funcione para todos num mundo complexo, incerto e em rápida mudança. No seu melhor, mostra-nos, e ao mundo, quem somos. É um ativo extraordinário, exclusivamente britânico, com mais de 100 anos de inovação na narrativa, na tecnologia e no fomento da criatividade. Sinto-me honrado e entusiasmado por me terem pedido para servir como diretor-geral”, declarou Matt Brittin.

Este é um momento de risco real, mas também de oportunidade real. A BBC precisa de ritmo e energia para estar onde as histórias estão e onde as audiências estão. Para potenciar o alcance, a confiança e as forças criativas de hoje, enfrentar os desafios com coragem e prosperar como um serviço público apto para o futuro”, conclui ainda.

Por sua vez, Samir Shah, presidente do Conselho de Administração da BBC, declara que “Matt traz para a BBC uma profunda experiência na liderança de uma organização de alto perfil e elevada complexidade através de processos de transformação”. “É um líder excecional e possui as competências necessárias para guiar a organização pelas muitas mudanças que ocorrem no mercado mediático e nos comportamentos das audiências”, destaca.

Esta nomeação ocorre num momento turbulento para o serviço público britânico, com as negociações para a carta régia — equivalente ao contrato de concessão — da BBC, que define as suas futuras regras de financiamento, já estarem em curso, estando prevista uma renovação para o final de 2027.

O Matt junta-se à BBC num momento crítico. A revisão da Carta pelo Governo está em curso e é claro que existe a necessidade de uma reforma radical da BBC, do seu modelo de financiamento e do quadro em que opera. O que está em jogo para a BBC, e para o futuro do serviço público de radiodifusão, nunca foi tão importante”, alerta Samir Shah.

De acordo com o The Times, que avançou a notícia, Matt Brittin impressionou os administradores da BBC com a sua visão para o futuro da empresa.

A decisão da BBC de nomear Brittin reflete a crença do conselho de administração de que a empresa precisa de se adaptar a um panorama mediático dominado por gigantes do streaming e plataformas digitais como o YouTube. Recorde-se que a BBC anunciou, recentemente, um acordo com esta plataforma.

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