Exército testa ‘drones de ataque’ em exercício operacional com parceiros NATO

No exercício Strong Impact participam 417 militares, dos quais 320 do Exército Português, 91 do Exército de Espanha, quatro do Exército de França e dois observadores do Exército da Roménia.

O Exército Português realiza esta quarta-feira testes com fogos reais com loitering munitions, ou seja, ‘drones de ataque’, no Campo Militar de Santa Margarida, no âmbito do exercício operacional Strong Impact 2026, onde participam militares de países NATO, como Espanha, França e observadores da Roménia. O Exército tem em curso um projeto com a portuguesa UAVision para o desenvolvimento de loitering munitions no âmbito da Lei de Programação Militar.

Conduzido pelo Comando das Forças Terrestres, o exercício operacional Strong Impact 2026 termina termina esta quarta-feira e tem como objetivo “desenvolver a capacidade operacional das Unidades de Artilharia de Campanha e de Artilharia Antiaérea do Exército Português. integrando também forças de países aliados da Aliança Atlântica”, explica porta-voz do Exército Português ao ECO/eRadar. Nesta edição participam 417 militares, dos quais 320 do Exército Português, 91 do Exército do Reino de Espanha, quatro do Exército de França e dois observadores do Exército da Roménia.

A sessão de 25 de março reunirá todos os sistemas de armas envolvidos no exercício, incluindo ainda a utilização de sistemas aéreos não tripulados, mas será particularmente relevante pela demonstração das loitering munitions, uma capacidade emergente que representa uma evolução significativa no modo como as forças terrestres podem observar, decidir e atuar no campo de batalha”, destaca porta-voz do Exército Português.

Neste exercício operacional, que está a decorrer desde o passado dia 16, o Exército Português faz o “treino integrado das suas capacidades de fogos e de defesa” e, ao mesmo tempo, “evidencia a incorporação de novas soluções tecnológicas, adaptadas às exigências dos atuais ambientes operacionais”. Ou seja, as loitering munitions, designadas “munições vagantes” ou ‘drones de ataque’, uma das mais recentes capacidades em desenvolvimento no quadro da Força Terrestre 2045.

Numa altura em que o teatro de operações é confrontado com ameaças e onde os drones têm vindo a ganhar relevância, o Exército Português vai fazer testes com fogo real de sistemas de armas híbridos que conjugam características de um veículo aéreo não tripulado com a capacidade de ataque de precisão de uma munição guiada. Estes sistemas, “ao contrário dos sistemas convencionais, podem permanecer sobre uma área de interesse durante determinado período, identificar oportunidades de atuação, acompanhar alvos e efetuar o ataque no momento mais adequado”, explica porta-voz do Exército Português.

Esta capacidade distingue-se pela lógica de “search-then-strike”, isto é, procurar primeiro, decidir depois e atuar com precisão. Entre as suas principais vantagens destacam-se a autonomia de voo, a flexibilidade de emprego, a possibilidade de abortar ou redirecionar o ataque em função da evolução da situação tática e a capacidade para atingir alvos de elevado valor com reduzido impacto colateral”, destaca.

Exemplo da loitering amunition que vai ser testada na quarta-feira no Campo Militar de Santa Margarida.

Um marco importante. “A aposta nesta capacidade coloca o Exército Português entre os aliados que acompanham mais de perto a transformação tecnológica do combate terrestre moderno, em linha com tendências já observadas noutras forças armadas da NATO. A introdução deste tipo de sistemas traduz o investimento contínuo na modernização, na inovação e no reforço da prontidão operacional”, aponta porta-voz do Exército.

Desenvolvimento de ‘drones de ataque’ com a portuguesa UAVision

Não é, no entanto, a primeira vez que o Exército realiza este tipo de teste, tendo já em exercícios operacionais anteriores testado o uso deste tipo de sistemas híbridos. “O Exército tem colaborado com a empresa portuguesa UAVision através do projeto ‘Robotics and Autonomous Systems’ da Lei de Programação Militar para desenvolver um sistema, o ‘Elanus’, de maior alcance, maior carga, e fabricado inteiramente em Portugal. Este sistema já foi testado na edição anterior (2025) do exercício, bem como no exercício ARTEX 25″, refere.

Na edição do ano do passado do Strong Impact, o Campo Militar de Santa Margarida foi palco de testes de voo da do “Elanus”, drone concebido para “atuar como uma munição de patrulha com um alcance de 50 km, uma autonomia de voo de 30 minutos e uma capacidade de carga útil de 3 kg. Destaca-se pela versatilidade no sistema de guiamento e pela possibilidade de abortar o ataque em qualquer momento do voo”, referiu na época o Exército Português.

Os testes visavam “avaliar a resistência do drone em condições meteorológicas adversas e a sua precisão no ataque a alvos fixos”, tendo o “Elanus” demonstrado “um desempenho notável, superando ventos de 35 nós e atingindo níveis de precisão altamente satisfatórios”.

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