França vai investir 8.500 milhões adicionais em compra de munições até 2030

  • Lusa
  • 25 Março 2026

O investimento adicional será somado aos 16.000 milhões de euros já previstos pela Lei de Programação Militar (LPM) aprovada em 2023.

O Governo francês anunciou hoje que irá investir mais 8.500 milhões de euros adicionais na compra de munições até 2030, no atual contexto de multiplicação de conflitos armados e de reforço do rearmamento dos países europeus.

O investimento adicional será somado aos 16.000 milhões de euros já previstos pela Lei de Programação Militar (LPM) aprovada em 2023, explicou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, durante uma sessão de debate na Assembleia Nacional (câmara baixa do parlamento) dedicada à crise no Médio Oriente.

“É indispensável e é colossal”, reconheceu o primeiro-ministro francês, num contexto em que o Governo teve de aplicar medidas de austeridade ao orçamento para conter o elevado défice e reduzi-lo este ano para os 5% comprometidos com Bruxelas.

A própria LPM será atualizada este ano com um texto que será apresentado no Conselho de Ministros a 08 de abril, antes de ser discutido pelas duas câmaras do parlamento francês entre maio e junho.

Os esforços adicionais incluídos nessa atualização centrar-se-ão também na defesa terra-ar e, em particular, no combate a drones, com sistemas que deverão ser fabricados em França.

“Quando um drone de alguns milhares de euros provoca o lançamento de um míssil de vários milhões é preciso repensar toda a nossa conceção do armamento. É uma das lições desta guerra, como também da guerra na Ucrânia”, afirmou Lecornu.

O primeiro-ministro explicou que “existem empresas francesas inovadoras capazes de fabricar drones intercetores” e adiantou que, nas próximas semanas, irá inaugurar uma fábrica que produzirá milhares destes dispositivos por mês.

Para reforçar as capacidades de defesa, o chefe do Governo pormenorizou igualmente a criação de uma plataforma grossista dedicada à aquisição de munições, denominada France Munitions.

Esta entidade “inédita”, afirmou, servirá para responder às necessidades das Forças Armadas francesas, mas também dos seus aliados, através da concentração e ampliação das encomendas à indústria.

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