Acionista mistério da Impresa votou contra entrada da MFE
A ata da Assembleia Geral que reafirmou a injeção de capital dos italianos revela que o advogado André Luiz Gomes se absteve e que a Tilway e a Ganzel votaram contra na maioria dos pontos.
A acionista mistério da Impresa, a Tilway Management Inc, entidade com sede no Panamá com 1,98% das ações, votou contra o aumento de capital de 17,325 milhões de euros a ser subscrito pelo grupo italiano Media For Europe (MFE). A informação é revelada pela ata da assembleia geral (AG) extraordinária de 10 de março, dia em que se deu oficialmente entrada dos italianos como segundo maior acionista do grupo. Recorde-se que esta acionista apresentou um processo em tribunal, anterior a esta votação, para impedir a concretização do negócio.
A ata da reunião, divulgada esta quarta-feira à noite, revela que a Tilway não esteve sozinha na oposição ao processo. A Ganzel Investments Corporation, titular de 1,05% das ações, também votou contra. A este bloco juntou-se André Magalhães Luiz Gomes — advogado que representa a Tilway num processo contra a Impresa e titular de 100 ações, correspondentes a 0,0001% do capital — que optou pela abstenção.
O cenário repetiu-se na proposta para alargar o conselho de administração de seis para nove elementos — seis eleitos pela Impreger, a holding da família Balsemão, e os restantes três pelo grupo italiano. Ainda assim, os votos contra não foram suficientes para travar a aprovação.
Este padrão de voto apenas se alterou em três momentos, todos no ponto 1 da agenda. O primeiro na eleição do presidente e do secretário da Mesa da Assembleia Geral para o período remanescente do mandato correspondente ao quadriénio 2023/2026. Foi aprovada por unanimidade a eleição de Pedro Maia e de Tiago Lemos, respetivamente.
O segundo no voto de louvor e gratidão ao presidente cessante Manuel Castelo Branco, em que a Tilway, a Ganzel e Luiz Gomes votaram contra. Por último, no voto de louvor ao secretário cessante, José Guilherme Silva Gomes, onde estes mesmos três acionistas decidiram abster-se.
Recorde-se que, tal como o ECO/+M avançou em primeira mão, a Tilway Management Inc deu entrada no dia 28 de janeiro, no Juízo de Comércio de Sintra, de um processo para “anulação de deliberações sociais” da AG de 29 de dezembro — que havia aprovado por unanimidade a entrada dos italianos — , sendo representada precisamente pelo advogado André Luiz Gomes. A ação judicial motivou o grupo Impresa a convocar esta nova AG de 10 de março para reiterar as decisões a “título cautelar”, que acabaram aprovadas pela maioria.
Nesse mesmo dia, a CMVM deu luz verde à entrada da MFE na Impresa, isentando-a da obrigação de lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA). A conjugação destas decisões permitiu concretizar o aumento de capital ainda nessa terça-feira, consolidando a MFE como a segunda maior acionista do grupo, com 32,934%.
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