Ferrari acelera entregas áereas para o Médio Oriente
Entregas de carros da marca italiana estão a ser feitas por avião devido às restrições de navegação no Estreito de Ormuz.

Os supercarros de luxo, personalizados, estão a ser transportados de avião para o Médio Oriente, numa tentativa de limitar o impacto da guerra com o Irão num dos mercados mais rentáveis do setor. A Ferrari suspendeu na semana passada a maioria das entregas por via marítima e admitiu estar a fazer “algumas entregas por avião”.
Esta é a solução face às restrições impostas pelo Irão no Estreito de Ormuz, uma vez que navios que navios que transportam automóveis estão impedidos de entrar. A alguns clientes está também a ser dada a possibilidade de fazer a entrega do veículo em outro ponto do globo.
Os custos logísticos aumentaram com a escalada do conflito e o transporte aérea está quatro a cinco vezes mais caro do que o transporte marítimo, de acordo com o Financial Times (acesso pago). O custo médio para transportar um quilograma de carga da Europa para o Médio Oriente subiu dois terços desde o início do conflito, para 2,56 euros, segundo os dados da Freightos, citados pelo jornal. Valores ainda assim ao alcance dos compradores destes modelos limitados e feitos à medida.
A Bentley diz estar a entregar as encomendas com stock já existente no Médio Oriente e sem recurso a aviões, enquanto a Rolls-Royce afirma estar a trabalhar com parceiros logísticos para garantir entregas. E se bem que esta região tem um peso limitado em volume para estas duas marcas, é relevante em margem e personalização. Mais ainda quando o setor automóvel também enfrenta pressão das tarifas nos EUA e uma desaceleração das vendas na China.
Contactados pelo Financial Times, alguns fabricantes afirmaram que as encomendas já feitas não tinham sido canceladas, porém não estão a receber novas. Um construtor europeu, que não foi identificado, assumiu que já está a suspender os planos de abertura de novas lojas na Arábia Saudita. O número de visitas aos showrooms destes automóveis caiu. “Ficou tudo muito, muito parado”, disse esta fonte.
Alguns dos carros poderão ser realocados a mercados como o Japão, mas, como notava, os carros vendidos no Médio Oriente são as versões mais caras do carros mais caros e “é difícil obter o mesmo retorno para o negócio colocando noutros mercados veículos que teriam sido vendidos no Médio Oriente”.
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