Lisboa condiciona ruas para “apanhar” e sair de TVDE. Até final do ano deve haver 60% de carros elétricos
Acordo assinado entre autarquia e as plataformas de TVDE torna proibido iniciar e terminar serviços em várias ruas. Ao contrário do que sucede hoje, poderá ser necessário caminhar centenas de metros.

A liberdade de movimentos dos passageiros e condutores de veículos TVDE em Lisboa vai ficar mais condicionada a partir desta quinta-feira, após a autarquia ter assinado um novo protocolo com as plataformas Uber e Bolt. Várias ruas e avenidas ficam com restrições à entrada e saída de passageiros, alterando a prática atual em que basta que estes se posicionem em quase qualquer passeio e marquem ali o início da viagem, ou coloquem um número de porta numa qualquer rua e saiam ali das viaturas.
Apesar de em algumas artérias da cidade já existirem limitações, é habitual ver-se estes veículos parar em qualquer ponto, inclusive sobre linhas de elétrico ou faixas bus, o que causa constrangimentos à circulação do trânsito em geral e dos transportes públicos em geral.
O aumento da velocidade média de circulação dos veículos da Carris é, precisamente, um dos objetivos apontados pela autarquia liderada por Carlos Moedas para avançar com este novo protocolo de utilização.
Também a descarbonização da frota está incluída no documento assinado nesta quinta-feira. Se hoje existem, segundo os dados fornecidos pela autarquia, 43% de veículos elétricos na frota total de TVDE que circulam na cidade, até final do ano deverá chegar-se aos 60%, progredindo anualmente 10 pontos percentuais até aos 100% em 2030.
“O nosso objetivo passa por assegurar a melhor coexistência possível entre todos, assim como a fluidez de trânsito nas artérias de Lisboa. Queremos proteger os cidadãos, as zonas históricas e de elevada pressão e proporcionar uma mobilidade harmoniosa na cidade”, afirma Carlos Moedas, citado em comunicado. Já o vice-presidente Gonçalo Reis, responsável pela área da mobilidade, acrescenta que este acordo mostra “que é possível dialogar e encontrar soluções que respondam aos problemas reais que são sentidos no dia-a-dia”.
O primeiro passo, a partir da formalização do acordo efetuada nesta quinta-feira, é a adaptação tecnológica das aplicações dos operadores de TVDE, com estes a “pintarem” de azul as zonas livres para entrada e saída de passageiros e de vermelho aquelas onde os veículos não podem iniciar ou terminar viagem. A lista de ruas onde tal acontecerá está ainda em construção, mas há várias onde já está definida a limitação.
Por princípio, os locais onde haja linha de elétrico ou uma faixa bus são assinalados a vermelho. Isto acontecerá em toda a extensão do eixo central das avenidas da República e da Liberdade, ou na Avenida Joaquim Augusto de Aguiar. Também nas ruas que, pelo seu perfil e largura, não permitem uma paragem sem restrições ao trânsito de autocarros, a proibição será instituída. É o caso, por exemplo, da totalidade da Rua do Ouro, mas também da Avenida António Augusto de Aguiar. Na lista entrarão também as avenidas D. João II, Padre Cruz e a Rua de São Pedro de Alcântara.
Entre os elementos ainda por definir está, para lá das artérias, o horário em algumas delas, podendo haver, segundo apurou o ECO/Local Online, locais onde só em determinados períodos do dia, com maior tráfego, se aplique esta restrição.
Ainda por definir está o ponto específico onde será feita a experiência piloto, mas admite-se que venha a surgir essa primeira “barreira vermelha” no mapa das aplicações em Belém. Ali, os automóveis TVDE poderão ter de se restringir à Praça do Império, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, ficando grande parte da Rua de Belém com restrição.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Lisboa condiciona ruas para “apanhar” e sair de TVDE. Até final do ano deve haver 60% de carros elétricos
{{ noCommentsLabel }}