OCDE corta crescimento da Zona Euro para 0,8% este ano devido à guerra no Médio Oriente
Guerra no Golfo e consequente subida dos preços leva OCDE a prever menos crescimento e mais inflação na Zona Euro este ano. Instituição alerta para escassez de energia em caso de conflito prolongado.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em baixa as previsões para o crescimento económico da Zona Euro este ano e em alta para a inflação, devido ao conflito no Golfo. A instituição salienta que a resiliência da economia mundial está a ser testada e alerta que os riscos imediatos concentram-se na Ásia.
“A resiliência da economia global está agora a ser posta à prova pelo agravamento do conflito no Médio Oriente. A extensão e a duração do conflito permanecem muito incertas, mas os indicadores de risco geopolítico aumentaram significativamente (Figura 4, Painel A) e já se verificam efeitos marcados nos mercados de energia”, explica a OCDE na atualização das previsões económicas mundiais divulgadas esta quinta-feira.
No documento, a instituição com sede em Paris mantém, face a dezembro, a projeção de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial de 2,9% este ano, cortando em 0,1 pontos percentuais (pp.) a previsão de 2027 para 3%.
OCDE prevê que o crescimento do PIB deverá desacelerar para 0,8% em 2026, devido ao impacto negativo dos preços mais elevados da energia, antes de aumentar para 1,2% em 2027.
No entanto, está menos otimista sobre o desempenho dos países do euro, devido ao impacto da subida dos preços da energia. “Na Zona Euro, o crescimento do PIB deverá desacelerar para 0,8% em 2026, devido ao impacto negativo dos preços mais elevados da energia, antes de aumentar para 1,2% em 2027, impulsionado por um reforço da despesa em defesa“, pode ler-se no relatório.
As projeções significam um corte de 0,4 pontos percentuais (pp.) para este ano e de 0,2 pp. para 2027 face ao que previa em dezembro.
Entre as principais economias do euro para as quais divulga projeções, a revisão em baixa é de magnitude igual: 0,2 pp.. Apenas para Espanha, o corte é de apenas 0,1 pp. Deste modo, espera uma taxa de crescimento na economia alemã e francesa de 0,8%, na economia italiana de 0,4% e espanhola de 2,1%.

Na semana passada, o BCE também se mostrou mais pessimista sobre a atividade da Zona Euro, esperando agora um crescimento económico, em média, de 0,9% em 2026 e de 1,3% em 2027.
Paralelamente, vê a inflação na Zona Euro a disparar para 2,6% este ano, antes de recuar para 2,1% em 2027. São mais 0,7 pp. e mais 0,1 pp. face ao que esperava em dezembro.
A OCDE projeta ainda que o crescimento anual do PIB nos Estados Unidos deverá moderar de 2% em 2026 para 1,7% em 2027, à medida que o forte investimento relacionado com a IA é gradualmente compensado por um abrandamento do crescimento do rendimento real e do consumo. Já na China, o crescimento deverá abrandar para 4,4% em 2026 e 4,3% em 2027.
“Período prolongado de disrupção poderá dar origem a escassez significativa de energia”
A OCDE realça que o encerramento de infraestruturas energéticas com peso no mercado global e a quase interrupção total do transporte através do Estreito de Ormuz “perturbaram o fluxo global de petróleo bruto, produtos petrolíferos e gás natural liquefeito (GNL)”.
“Se estes choques de preços se mantiverem, irão aumentar significativamente os custos das empresas e subir a inflação no consumidor, com consequências negativas para o crescimento. Um período prolongado de disrupção poderá também dar origem a escassez significativa de energia, agravando ainda mais o abrandamento económico”, assinala.
Neste sentido, recorda que alguns governos asiáticos já implementaram medidas para gerir o risco de escassez decorrente do conflito, como restrições às exportações de energia na China e racionamento de energia para empresas na Índia.
No entanto, é precisamente em países asiáticos que se concentram os principais riscos “mais imediatos”, particularmente dependentes de importações energéticas da região. “Ainda assim, as consequências diretas da disrupção no abastecimento deverão propagar-se rapidamente, dada a natureza global dos mercados de energia”, sublinha.
Ademais, alerta que novas perturbações no comércio no Golfo Pérsico poderão também ter efeitos negativos sobre um conjunto mais alargado de produtos nas cadeias de abastecimento globais. Entre os exemplos incluem-se “constrangimentos persistentes na oferta de fertilizantes”, que “poderão aumentar os preços globais dos alimentos, com impactos potencialmente significativos nas finanças das famílias e nas expectativas de inflação”.
Além disso, uma menor oferta de matérias-primas como enxofre, hélio ou alumínio poderá dificultar a produção em vários setores industriais.
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