“Caiu que nem uma luva”. Montenegro já respondeu ao pedido de reformas feito por Cavaco
Luís Montenegro diz que o texto do antigo Chefe de Estado, publicado no semanário Expresso, “motiva e incentiva a levar ainda mais longe esse esforço” de “transformação” de Portugal.
O primeiro-ministro considera que “há uma grande correspondência” entre o pedido de reformas estruturais feito pelo antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva e as medidas que foram esta sexta-feira anunciadas para o setor da energia e no âmbito do pacote para a habitação.
No final da reunião do Conselho de Ministros, Luís Montenegro afirma que o artigo de opinião do antigo chefe de Estado, publicado no semanário Expresso, “motiva e incentiva a levar ainda mais longe esse esforço” de “transformação” de Portugal.
“Posso dizer que o li com toda a atenção e que encontrei nele vários ângulos de correspondência com aquilo que o Governo tem vindo a fazer e desenvolver. Diria mesmo que, não tendo havido nenhuma espécie de articulação, o artigo caiu que nem uma luva com as decisões do Conselho de Ministros”, afirmou o primeiro-ministro no briefing com a comunicação social, após a reunião entre os governantes.
Luís Montenegro deu como exemplo o pacote de 150 milhões de euros para mitigar o efeito da subida dos combustíveis, a mudança nas heranças indivisas ou o alívio fiscal para compra ou arrendamento de imóveis a preços considerados moderados.
“Hoje mesmo tomámos decisões importantes de transformação na área do regime de edificação, simplificando e agilizando; na área das heranças indivisas; na fiscalidade… Demos sequência à gestão financeira na qual preservamos a estabilidade das nossas contas públicas, mas alicerçada no crescimento da economia, diminuição dos salários, rendimentos do trabalho e sobre os lucros das empresas, para que possam criar mais riqueza, inovação, reforço dos salários”, salientou o primeiro-ministro.
A resposta de Luís Montenegro com as “decisões importantes” surge depois de o ex-Presidente da República e antigo primeiro-ministro lhe ter pedido “forte determinação e coragem política” para avançar com reformas para travar o Chega. “Sem as reformas necessárias ao crescimento robusto da economia há um sério risco de reforço das forças políticas populistas e de deterioração da qualidade da nossa democracia”, escreveu, num artigo denominado “O dinheiro do Estado não cai do céu”.
Foi há precisamente um mês que o também antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho veio a público esclarecer que não teve “nenhuma intenção particular” em dizer publicamente que é necessário avançar com mudanças estruturais, além de “contribuir para a reflexão pública”. O ex-líder social-democrata defendeu reformas para promover o crescimento de Portugal e a melhoria da qualidade de vida da população, mas apenas como um “incentivo à mudança” sem pressão política.
Nnma entrevista exclusiva ao ECO, Pedro Passos Coelho falou sobre a urgência de reformas estruturais para pôr o país a crescer, dos sinais (que vê) de inconformismo dos portugueses, do que pode trazer (ou não) o novo Presidente da República, da União Europeia no contexto geopolítico global e do papel limitado de Portugal nesse quadro.
(Notícia atualizada às 14h07 com mais informação)
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