Crédito à habitação acelera investimento das famílias, mas reduz poupança em 2025
O crédito à habitação acelerou o investimento das famílias no final de 2025, com a compra de casa a crescer 4%, mas à custa de uma redução da poupança e de um maior recurso ao financiamento bancário.
- O investimento em habitação, financiado por crédito bancário, aumentou significativamente no final de 2025, reduzindo a poupança das famílias portuguesas.
- A capacidade de financiamento das famílias fixou-se em 3,9% do PIB, refletindo um aumento do investimento em habitação de 4%, superando o crescimento da poupança.
- As famílias enfrentam maior endividamento e menor poupança, indicando um ajustamento financeiro que pode ter implicações na sua sustentabilidade a longo prazo.
O reforço do investimento em habitação — tradicionalmente financiado por crédito bancário — marcou a evolução financeira das famílias portuguesas no final de 2025, contribuindo para a redução da poupança, apesar do aumento do rendimento disponível.
A capacidade de financiamento das famílias fixou-se em 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre, “menos 0,1 pontos percentuais que no trimestre anterior”, refletindo um aumento do investimento superior ao da poupança, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativamente às contas nacionais trimestrais por setor institucional.
O gabinete de estatística sublinha que “este resultado refletiu principalmente o aumento de 4% da Formação Bruta de Capital Fixo, constituída essencialmente por habitação”, evidenciando o peso crescente da compra de casa na decisão financeira das famílias.
Este crescimento do investimento — que atingiu uma taxa de 6,3% do rendimento disponível — superou largamente a evolução da poupança, que aumentou apenas 0,5% no mesmo período.
A dinâmica é consistente com um maior recurso ao crédito à habitação, num contexto em que a aquisição de imóveis continua a ser o principal destino do investimento das famílias.
Poupança recua com consumo e crédito
Em paralelo com o aumento do investimento, a taxa de poupança das famílias caiu para 12,1%, “menos 0,1 pontos percentuais que no trimestre anterior”, num cenário em que o consumo cresceu mais do que o rendimento disponível.
O INE destaca que “o crescimento do RDB [Rendimento Bruto Disponível], conjugado com o aumento de 1,4% da despesa de consumo final, determinou uma taxa de poupança das famílias de 12,1%”, evidenciando a pressão simultânea do consumo e do investimento sobre a capacidade de poupar.
Ao mesmo tempo, “o aumento da poupança foi inferior ao do investimento”, o que explica a ligeira redução do saldo financeiro das famílias.
O rendimento disponível das famílias aumentou 1,3% no trimestre, apoiado sobretudo pela subida das remunerações, que cresceram 1,7%.
Ainda assim, em termos reais, o ganho foi limitado: “o RDB ajustado per capita das famílias aumentou 0,3%”, sinalizando uma desaceleração do poder de compra.
Crédito à habitação com impacto na economia
A aceleração do investimento em habitação tem reflexos diretos na economia. Por um lado, contribui para o crescimento do investimento agregado. Por outro, reduz a margem financeira das famílias.
No conjunto da economia, a capacidade de financiamento aumentou para 2,5% do PIB, “refletindo essencialmente a melhoria do saldo das Administrações Públicas”, mas também um contexto em que a poupança cresceu mais do que o investimento.
Ainda assim, ao nível microeconómico, o comportamento das famílias aponta para uma maior exposição ao endividamento.
O INE nota ainda que a margem de intermediação financeira — associada ao crédito concedido pelos bancos — tem impacto direto nas contas das famílias, nomeadamente através do custo dos empréstimos à habitação.
Após o aumento significativo das taxas de juro em 2023, “desde o segundo trimestre de 2024 este comportamento inverteu-se com a redução das taxas de juro”, o que terá contribuído para o aumento do investimento em habitação em 2025.
Apesar de continuarem com saldo positivo, as famílias apresentam sinais de ajustamento: mais investimento, menor poupança e maior dependência de financiamento.
O final de 2025 confirma assim o crédito à habitação como um dos principais motores da economia — sustentando o investimento, mas também colocando novos desafios à sustentabilidade financeira das famílias.
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