Federações do táxi contra novas regras para Uber e Bolt em Lisboa. “Não se pode criar paragens para TVDE”

Carlos Silva, presidente da FPT, contesta as zonas específicas para paragem de viaturas TVDE na tomada e largada de passageiros. A solução para a mobilidade em Lisboa seria a contingentação, defende.

A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) e a Antral contestam o acordo celebrado nesta quinta-feira entre a Câmara de Lisboa e as plataformas de TVDE, e vêm pedir uma “reunião urgente” ao presidente da autarquia, Carlos Moedas.

Segundo as federações, o estabelecimento de locais específicos para paragem – que passarão a estar sinalizadas nas aplicações da Uber e Bolt a azul – “promove zonas de convergência atípicas com o táxi, aprofundando uma concorrência já excessivamente desequilibrada“. Acresce, defendem, que “a criação destas zonas específicas introduz a descaracterização do próprio conceito de TVDE”.

Ao ECO/Local Online Carlos Silva, presidente da FPT assume que esta contestação “pode parecer um contrassenso”, considerando que, à luz do acordo agora assinado, os clientes de TVDE não poderão fazer pedidos de início ou fim de viagem para qualquer ponto da cidade, ao contrário do que sucede hoje, sendo obrigados a caminhar, em certos casos, centenas de metros até um dos espaços azuis, quando hoje não existem restrições nas aplicações.

A cidade está pejada de veículos. As autarquias dizem quantos táxis deve haver por cada município e isso também devia haver para os TVDE. Não pode ser como estamos a assistir, com carros por todo o lado. A resolução deste problema faz-se com contingentação.

Carlos Silva

Presidente da Federação Portuguesa do Táxi

Aludindo a uma comissão municipal de transporte público onde os táxis têm assento, refere um ponto permanente das federações do setor, de “que algo tem de se fazer sobre a utilização indevida dos corredores de transportes públicos”. “Não é preciso dizer que não podem parar, isso é proibido” pelo Código da Estrada, salienta o dirigente. “Não devia ser preciso um protocolo. Eles próprios deviam saber que não podem parar”, destaca Carlos Silva, salientando que a paragem dos TVDE nos corredores BUS é um dos motivos da diminuição de velocidade média de circulação dos veículos da Carris.

Carlos Silva dá ainda os exemplos da Calçada de Carriche e da Rua do Ouro, ambas com proibição, segundo o Código da Estrada, de paragem para tomada ou largada de passageiros por qualquer veículo. “Nem o táxi pára na faixa BUS. Na Rua do Ouro, o táxi não pode parar. Há hotéis para onde, por vezes, temos de levar passageiros com bagagens e tem de se arranjar alternativa” noutra rua, explica.

Já a propósito da Calçada de Carriche, via que liga os concelhos de Lisboa e Odivelas, e onde nenhuma limitação tecnológica impede a marcação de início ou fim de viagem em plena faixa BUS, o presidente da federação afirma, ao ECO/Local Online, que os TVDE “ficam reféns de o cliente pedir para parar o carro ali”. Logo, considera, a limitação tecnológica “é positiva, mas é algo que já devia existir. Não se pode, por via disso, criar algo que está afastado, criar as paragens para TVDE”, considera, frisando a oposição dos taxistas à existência de pontos de paragem específicos que o novo acordo estabelece.

“A cidade está pejada de veículos” TVDE. “A resolução do problema seria limitar o número de carros. As próprias associações de TVDE dizem que é o dobro do que deveriam ser”, alega o presidente da FPT. “As autarquias dizem quantos táxis deve haver por cada município, e isso também devia haver para os TVDE. Não pode ser como estamos a assistir, com carros por todo o lado. A resolução deste problema faz-se com contingentação”, reforça.

O limite ao número de veículos das plataformas é, precisamente, um dos pontos salientados no comunicado enviado às redações nesta sexta-feira. “Daquilo que é público, o acordo assinado não cumpre o objetivo anunciado, ou seja, dissuadir e impedir constrangimentos de mobilidade provocados por uma frota TVDE que continua sem contingentação”.

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