Lucro da dona da TVI recua para 3,7 milhões de euros em 2025, mas a dívida também

Rafael Correia,

A Media Capital passou de 9,26 milhões de lucro para 3,7 milhões durante o ano passado. O cash-flow operacional cresceu 42%, permitindo reduzir a dívida líquida para 28,7 milhões de euros.

A Media Capital fechou o ano de 2025 com um resultado líquido de 3,7 milhões de euros, o que representa uma quebra de 60% face aos 9,26 milhões de euros registados em 2024, de acordo com o comunicado publicado esta sexta-feira no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Os rendimentos operacionais do grupo recuaram 3% para os 172,36 milhões de euros e o EBITDA diminuiu 37%, passando de 22,6 milhões para 14,18 milhões de euros. A margem do EBITDA diminuiu de 12,8% para 8,2%.

A dona da TVI sublinha, no entanto, que numa base ajustada — excluindo eventos ou custos não recorrentes —, os rendimentos operacionais atingiram 172,4 milhões de euros, um crescimento de 3% face a 2024, “impulsionado pela subida de 6% nas receitas de publicidade“, que atingiram os 111,32 milhões. O EBITDA ajustado aumentou 8% para 18,1 milhões e o resultado líquido ajustado fixou-se nos 6 milhões de euros, um acréscimo de 72% face ao ano anterior.

Sobre estes resultados, a Media Capital destaca que “encerrou 2025 com crescimento dos principais indicadores financeiros e reforço da sua posição de liderança no mercado audiovisual e digital português (…) Num ano exigente para o setor, o grupo consolidou a sua presença junto das audiências, reforçou a aposta em conteúdos em direto, expandiu a presença digital e manteve uma estratégia consistente de investimento em tecnologia e produção audiovisual“, acrescenta ainda.

Recorde-se que a Media Capital concretizou a aquisição do jornal Nascer do Sol em 2025. Ainda não versada nestas contas, uma vez que o negócio foi concluído só este ano, está também a aquisição da empresa Inevitável & Fundamental, proprietária das marcas Polígrafo e Viral. Para este ano, o grupo tem ainda a ambição de levar a CNN para Espanha.

A Media Capital indica ainda que o cash-flow operacional cresceu 42%, permitindo reduzir a dívida líquida para 28,7 milhões de euros, “mantendo uma trajetória consistente de reforço da posição financeira do Grupo, patente nos principais rácios financeiros”. O grupo apresenta ainda uma autonomia financeira de 50% e um rácio Net Debt/EBITDA (Dívida Líquida/EBITDA ajustado) de 1,59x.

Em paralelo, o grupo que detém o jornal Sol “manteve o investimento na modernização tecnológica e no crescimento do negócio”, com um CAPEX de 10,8 milhões de euros, “direcionado sobretudo para digitalização, infraestrutura tecnológica e novas soluções de inteligência artificial”. O grupo informa ainda que distribuiu 3,5 milhões de euros em dividendos aos acionistas.

Por áreas de negócio, o segmento de Televisão, Digital e Entretenimento registou um crescimento de 7% nos rendimentos operacionais, “impulsionado sobretudo pelo aumento das receitas publicitárias e de outras fontes, como cedência de sinal e venda de conteúdos”. Contudo, o EBITDA desta área desceu 12%, de 12,8 milhões para 11,31 milhões de euros, penalizado por um aumento de 9% nos gastos operacionais (excluindo depreciações e amortizações), que passaram de 137 milhões para 149 milhões de euros. A nível ajustado, o EBITDA cresceu 6%, de 14 milhões para 14,9 milhões.

Na área de Produção Audiovisual, a atividade refletiu o ritmo das produções associadas à Amazon Prime Video, com os rendimentos operacionais a recuarem 10% para 42,1 milhões de euros, “devido à calendarização e volume de entregas”. Apesar da quebra nas receitas, o EBITDA do segmento aumentou 36%, de 2,11 milhões para 2,87 milhões de euros, resultado de uma descida de 12% nos gastos operacionais (excluindo depreciações e amortizações), que se fixaram nos 39,27 milhões de euros. No EBITDA ajustado, o valor foi de 3,1 milhões face aos 2,56 milhões de 2024, um aumento de 22%.

No que toca às quotas de mercado, o grupo detalha que o universo de canais TVI liderou com 18,8% de share, enquanto a CNN Portugal foi o canal de informação mais visto em 304 dias do ano. No digital, o grupo ultrapassou a fasquia dos 4 milhões de utilizadores únicos mensais, alcançando 2,5 mil milhões de pageviews — um crescimento homólogo de 18%.

Para 2026, e num contexto macroeconómico que “aponta para crescimento moderado da economia portuguesa”, a Media Capital refere que encara este ano com foco “na consolidação da liderança, no reforço da presença internacional e no desenvolvimento de conteúdos diferenciadores”. Neste último ponto, destaca-se, por exemplo, a construção recente de dois estúdios de televisão para a estação Al Arabiya, na Arábia Saudita, a cargo da sua empresa de cenografia.

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