Nova SBE rejeita possibilidade de divórcio da Universidade Nova de Lisboa
Nova SBE deixa claro que a sua missão implica descentralização, mas não um divórcio institucional, nem a saída da esfera pública.
Afinal, a Nova School of Business and Economics (Nova SBE) não está a planear avançar com uma cisão face à Universidade Nova de Lisboa (UNL). Num comunicado a que o ECO teve acesso, a escola de negócios explica que a sua missão “requer descentralização, mas não implica qualquer divórcio institucional”, nem a saída da esfera pública.
Esta manhã, o Diário de Notícias indicava que a Nova SBE iria avançar com uma proposta de separação oficial da UNL, adiantando que o dossiê deveria chegar à secretária do ministro da Educação, Fernando Alexandre, na primeira semana de abril.
“A notícia que faz manchete no Diário de Notícias de hoje tem uma série de falsidades e imprecisões, que se explicam pelo facto de o jornal não ter feito qualquer pergunta à direção da Nova SBE“, lê-se num comunicado, entretanto, emitido pela faculdade.
A escola de negócios sublinha que “a questão da autonomia, ou do grau de autonomia, é debatida há várias décadas dentro e fora da universidade, apenas como meio funcional para cumprir a missão da Nova SBE”. “Uma missão que requer descentralização, necessariamente, mas que não implica qualquer divórcio institucional, muito menos a saída da esfera pública“, deixa claro.
No referido comunicado a que o ECO teve acesso, a Nova SBE atira ainda que a notícia teve por base “certamente” as primeiras conclusões de um projeto que está a ser desenvolvido sobre o tema a escola do futuro, “que aponto vários desafios e caminhos teóricos, nenhum dos quais ainda subscrito pela direção da Nova SBE, nem pelos respetivos órgãos estatuários“.
“O projeto, em fase de conclusão, visa definir o que deve ser a escola pública do futuro e que papel específico pode ter uma das melhores escolas de gestão, economia e finanças da Europa — que a Nova SBE já é –, perante o impacto da inteligência artificial, a maior transformação tecnológica do século”, é acrescentado na mesma nota.
Nova de Lisboa pede audiência ao ministro
Também à reação à notícia divulgada esta manhã, a Universidade Nova de Lisboa garante que não recebeu, até ao momento, qualquer pedido formal no sentido de uma cisão. E avança que pediu uma audiência com o ministro da Educação.
“A Universidade NOVA de Lisboa tomou conhecimento, com surpresa, das notícias hoje divulgadas sobre uma eventual iniciativa da Faculdade de Economia da NOVA/Nova School of Business and Economics (Nova SBE). A reitoria esclarece que não foi previamente contactada para este efeito, nem recebeu, até à data, qualquer pedido formal que permita a análise desta matéria pelos órgãos competentes da Universidade”, lê-se no comunicado enviado às redações.
“A NOVA considera, por isso, inadequado que um tema desta natureza seja colocado no espaço público sem qualquer articulação institucional prévia”, acrescenta a universidade.
Fonte oficial assegura também que “nunca houve qualquer interferência da reitoria na autonomia da Nova SBE ou outra unidade orgânica, a qual tem sido plenamente respeitada em todas as suas dimensões”.
Governo também garante não ter recebido pedido de divórcio
Em resposta enviada ao início da noite ao ECO, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação garante que “não recebeu qualquer proposta formal relativa a uma eventual alteração do enquadramento institucional da Nova SBE“.
“Trata-se de matérias que se inserem no quadro da autonomia das instituições de ensino superior, nos termos do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Caso venha a ser apresentada alguma proposta, a mesma será apreciada nos termos legais aplicáveis“, explica fonte oficial.
O diferendo entre a SBE e a UNL subiu de tom em fevereiro, com um despacho emitido pelo novo reitor, Paulo Pereira. Esse despacho determina que todas as unidades orgânicas têm de ter uma denominação oficial em língua portuguesa em documentos, plataformas digitais, suportes físicos e atos administrativos. As faculdades podem escolher manter a designação em inglês, mas têm de lhe juntar uma denominação em português, num formato bilíngue.
O reitor justificou-o, em entrevista ao ECO, com o cumprimento do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), mas vozes ligadas à Nova SBE — a mais expressiva tem sido a do professor Pedro Santa Clara — têm avisado que esse despacho poderá prejudicar a marca e a internacionalização desta escola de negócios.
(Notícia atualizada às 20h28)
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