Após as tempestades, Centro tem o pior desempenho nas reservas para a Páscoa
As tempestades continuam a pesar no turismo: a Páscoa arranca com menos reservas e preços mais baixos, e a zona Centro a liderar as quebras. Veja as regiões com os melhores desempenhos.
Depois das tempestades que assolaram o país, a região Centro regista a taxa de ocupação mais baixa para o período das férias escolares, com reservas de 37% e um preço médio de 118 euros, bem abaixo da média nacional, de acordo com os resultados do inquérito “Balanço Carnaval e Perspetivas Páscoa 2026” da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).
Além da região Centro, também o Oeste e Vale do Tejo — igualmente afetados pelo mau tempo — apresenta níveis de reservas reduzidos: 39%, com um preço médio de 78 euros para o período entre 27 de março a 12 de abril. No top três dos piores desempenhos está também o Alentejo, com 40% de ocupação e um preço médio de 139 euros.
Após as tempestades, que causaram um prejuízo superior a 4,7 mil milhões de euros, os municípios mais afetados apelaram à confiança no destino para ajudar a alavancar a economia. Com várias unidades e equipamentos turísticos danificados, Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal, lembrou na BTL que “infelizmente, 2026 começou de forma trágica”, mas sublinhou que o “Centro de Portugal já superou adversidades no passado e voltará a superar esta”. Recordou ainda que “2025 foi o melhor ano turístico da história na região, com quase 8,5 milhões de dormidas e 552 milhões de euros de proveitos nas unidades de alojamento”.

De acordo com o mesmo inquérito, as reservas o período das férias escolares situam-se, em média, nos 55%, com um preço médio de 132 euros — abaixo dos 65% de ocupação e 152 euros registados no ano passado.
Entre as noves regiões analisadas, apenas três superam a média nacional: a Madeira a voltar a destacar-se, com níveis de reserva de 75%, nas férias da Páscoa e o preço médio de 169 euros, o mais elevado. Seguem-se a Grande Lisboa (64% e 164 euros) e o Algarve (62% e 108 euros), também com desempenhos positivos.
No que diz respeito apenas ao fim de semana da Páscoa (3 a 5 de abril), a taxa de reservas sobe para 57%, com um preço médio de 147 euros, ainda assim abaixo dos 75% de ocupação e 150 euros registados no ano passado. O Centro volta a ser a região com pior desempenho com 39% de reservas com um preço médio de 126 euros, seguido da Península de Setúbal (41% e 90 euros) e do Alentejo (47%), embora com um preço médio de 163 euros, acima de média nacional.

À semelhança do período das férias, a Madeira lidera no fim de semana da Páscoa, com 75% de ocupação e um preço médio de 184 euros, seguida da Grande Lisboa (66% e 168 euros) e do Algarve (63% e 121 euros).
O mercado interno mantém-se como um dos principais motores da procura, tanto para as férias como para o fim de semana da Semana Santa, apontado por mais de 70% dos inquiridos, seguindo-se Espanha e Reino Unido. Em sentido contrário, destaca-se uma redução da procura proveniente dos Estados Unidos, mencionado apenas por 22% dos hoteleiros para o fim de semana, face aos 38% mencionados no ano anterior.
Cristina Siza Vieira, vice-presidente da AHP, associa este abrandamento do mercado norte-americano à instabilidade: “os americanos prezam muito a estabilidade e sentem-se mais desconfortáveis em viajar para fora quando o seu país está em guerra aberta”, referindo ainda existir “prudência no consumo” face à volatilidade dos mercados.
Ainda assim, para o conjunto do período, os indicadores apontam para alguma estabilidade. Mais de 50% dos hoteleiros antecipam uma estada média idêntica à de 2025. Já ao nível dos proveitos, 54% esperam melhorá-los no fim de semana da Páscoa e 42% no período das férias escolares.
A nível global, a Páscoa deverá manter níveis de procura turística globalmente estáveis face ao ano passado, mas será claramente marcada pela instabilidade internacional. Apesar da “resiliência” do setor, tanto o turismo como a restauração operam num contexto de maior cautela, pressão nos custos e consumidores mais sensíveis ao preço.
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