Seguro pede reforço “inteligente” das Forças Armadas e lembra “urgências sociais”
Na cerimónia em que as Forças Armadas se apresentaram perante si, Presidente da República afirmou necessidade de articular esta instituição com a Academia.
O Presidente da República esteve neste sábado em Santarém na cerimónia de apresentação das Forças Armadas e manifestou o seu “total apoio no reforço que se pretende sério e equilibrado de modernização” desta instituição, mas deixou um aviso. “Podem contar com o meu apoio, mas importa frisar que esta necessidade de modernização ocorre em simultâneo num quadro de urgências nacionais, em particular nas áreas sociais“.
O eclodir dos conflitos militares criou “um quadro complexo, dinâmico e de risco acrescido, que exige dos estados uma atitude mais assertiva das Forças Armadas, um nível de prontidão e modernização sem precedentes”, disse António José Seguro.
“Este investimento tem que ser inteligente, um investimento que envolva e valorize a indústria nacional, que ajude a criar mais riqueza e melhores empregos no nosso país”. Salientando a necessidade de ligação à Academia, disse esperar um “investimento que estimule a inovação tecnológica e reforce um sistema científico nacional capaz de servir tanto a economia como a defesa do nosso país. Um verdadeiro sistema de aplicação dual ao serviço de Portugal e permita posicionar no nosso país como referência em determinadas áreas tecnológicas”.
Este investimento tem que ser inteligente, um investimento que envolva e valorize a indústria nacional, que ajude a criar mais riqueza e melhores empregos no nosso país. Um investimento que estimule a inovação tecnológica e reforce um sistema científico nacional capaz de servir tanto a economia como a defesa do nosso país.
Seguro não fugiu às responsabilidades do país no que toca ao reforço da defesa, no âmbito de uma aposta mais forte da União Europeia nesta área após a invasão da Ucrânia e a indefinição do futuro da NATO, e reforçou que “os compromissos internacionais que assumimos, bem como a evolução dos sistemas e necessidade de maior interoperabilidade com os nossos aliados na UE e na NATO exigem-nos o investimento, a modernização e o reforço das capacidades militares“. Por isso, salientou, convocou o Conselho de Estado para 17 de abril, “exclusivamente para analisar segurança e defesa”.
Num discurso em que destacou a ligação de Santarém ao início do processo democrático em Portugal – dali partiu a viagem da comitiva de Salgueiro Maia em direção a Lisboa na madrugada de 25 de abril de 1974 – o Presidente da República alertou para o contexto de conflitos armados no mundo: “Soldados de Portugal, vivemos hoje um contexto internacional particularmente exigente, marcado por incertezas e novas ameaças. A comunidade atravessa um período de mutações profundas, potencial fragmentação política, erosão do direito internacional, de tentativa de esvaziamento de organizações multilaterais, e de uma preocupante reemergência de conflitos armados de alta intensidade, com expressão mais recente na Europa e no Próximo Oriente”.
Soldados de Portugal, vivemos hoje um contexto internacional particularmente exigente, marcado por incertezas e novas ameaças. A comunidade atravessa um período de mutações profundas, potencial fragmentação política, erosão do direito internacional, de tentativa de esvaziamento de organizações multilaterais, e de uma preocupante reemergência de conflitos armados de alta intensidade, com expressão mais recente na Europa e no Próximo Oriente.
Nesta realidade, “a perceção do valor inquestionável da segurança coletiva alterou-se de forma abrupta, obrigando os estados a tomar medidas compatíveis com a missão de defesa e salvaguarda da soberania nacional e do nosso povo”.
“É graças ao vosso profissionalismo, competência, dedicação e disciplina que Portugal continua a ser um exemplo de credibilidade internacional, solidariedade, capacidade de resposta e cooperação multilateral”, afirmou, na cerimónia de apresentação das Forças Armadas”. Salientando que fala enquanto “comandante supremo”, afirmou que “a fidelidade à democracia é um dos maiores patrimónios” desta instituição.
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