António Gameiro Marques defende que segurança pode ser motor de inovação

  • Lusa
  • 29 Março 2026

António Gameiro Marques foi diretor do Gabinete Nacional de Segurança e vai ser presidente do 35º congresso da APDC.

A segurança pode ser um motor de inovação e é cada vez mais um bem importante para a sociedade, defende o presidente do 35.º congresso da APDC, António Gameiro Marques, em entrevista à Lusa. O congresso da APDC (Digital Business Congress) decorre em 6 e 7 de maio no Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS), sob o mote “A Europa na Era Digital — O Equilíbrio entre Soberania, Segurança e Inovação“.

Questionado como se equilibra soberania, segurança e inovação num mundo cada vez mais polarizado, António Gameiro Marques aponta que, “primeiro, é preciso levar em consideração que a segurança é transversal e tem que ser pensada sempre ao início, quando se constrói qualquer coisa, incluindo a inovação“.

Apesar de muitas vezes a inovação poder ser feita sem segurança, quando se concebe um produto, “é muito mais eficaz e também eficiente do ponto de vista de recursos começar logo a pensar como é que aquele produto” pode ser seguro para as pessoas, enquadra o antigo diretor-geral do Gabinete Nacional de Segurança (GNS). “Defendo que a segurança também pode ser um motor de inovação”, diz o responsável, com um percurso na segurança, cibersegurança e proteção de infraestruturas críticas. “Aliás, podemos inovar para a segurança“, insiste o responsável, que à pergunta se esta é cada vez mais um bem muito importante, remata: “É, é sem dúvida“.

Quanto ao congresso, o presidente da edição deste ano diz que o evento vai dar oportunidade às pessoas de se consciencializarem sobre os temas ligadas à Europa na Era digital. “É importante que também nos confrontemos com a realidade com soluções, é através do debate que podem ser encontrados caminhos” e “é isso que se proporciona num congresso daquela natureza”, diz.

O evento vai ter “algumas pessoas que no ano passado produziram um excelente documento na União Europeia que tem uma visão sobre a soberania digital na Europa, em que áreas é que a Europa deve investir”, que são sete. “E vamos ter a oportunidade de ouvir a pessoa que liderou, principalmente, a produção desse relatório“, conta.

Depois, o congresso vai tentar perceber o que os jovens pensam da soberania. “As pessoas da minha geração (…) dão uma importância à soberania, o conceito é o mesmo“, mas “não sei se os jovens da nossa sociedade, os ‘teenagers’ [adolescentes], dão importância à soberania digital“, diz. Será que “não querem saber da soberania digital”, que apenas “querem aceder (…) às redes sociais da vida (…) e, desde que tenham acesso, têm o problema resolvido, independentemente onde os dados e os metadados deles são guardados”, questiona. “Gostava de saber, porque se a resposta é ‘não dou importância nenhuma a isso’, estamos a fazer alguma coisa mal“, remata.

Sobre a crise das democracias, António Gameiro Marques cita o freedomhouse.org, cujo último relatório “mais uma vez confirma que há 20 anos que o número de países no mundo que vivem democracia está em diminuição contínua“.

Um das razões “é precisamente o facto de, de uma forma geral, a sociedade não consumir notícias de órgãos fidedignos, como a Lusa, consumi-las predominantemente redes sociais”, as quais “só nos entrega aquilo que eles sabem que nós gostamos que nos entregue”, diz. “É como se estivesse a ver o mundo pelo buraco de uma fechadura“, ilustra, acrescentando que “há outras razões que induzem comportamentos que são perniciosos para o exercício da democracia”, que é as pessoas deixarem “de ter e praticar o contraditório”.

“Estou convencido que só vai piorar se as pessoas continuarem a achar que não precisam de aprender a usar essas ferramentas tecnológicas”, assume, embora destaque a dificuldade em aprender a usá-las “com a velocidade com que elas evoluem”.

Mitigar o risco passa por investir na formação. “Há muita formação disponível, online, presencial, e, portanto, o que não devemos, na minha opinião, é estar à espera que sejam sempre os mesmos a promover esta formação“, afirma. “Por vezes ela existe e as pessoas já estão cansadas, não a querem fazer, querem fazer outras coisas. Por exemplo, ir para as redes sociais, ficarem intoxicadas com aquilo tudo que lá vem”, lamenta.

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