TVI acelera, SIC (ainda) à procura de futuro

A Impresa superou a Media Capital em receitas e resultado operacional, mas o balanço pende para a dona da TVI, com mais lucros, menos dívida e dividendos.

Apresentadas as contas da Media Capital e da Impresa relativas a 2205, é possível fazer uma comparação de negócios: A Impresa registou em 2025 um desempenho operacional superior ao da Media Capital, mas a dona da TVI, ainda assim, entra em 2026 com uma estrutura financeira mais leve, num setor em que a robustez do balanço pesa tanto como a atividade recorrente.

A comparação entre Media Capital e a Impresa à entrada de 2026 divide-se, assim, entre a operação e o balanço. A dona da SIC fechou 2025 com indicadores operacionais mais fortes, a dona da TVI chega ao novo exercício com menor dívida e maior margem de manobra financeira.

Nos números reportados à CMVM, a Media Capital fechou 2025 com um resultado líquido de 3,7 milhões de euros, menos 60% do que os 9,26 milhões registados em 2024, mas vai distribuir dividendos aos acionistas. Os rendimentos operacionais recuaram 3%, para 172,36 milhões, e o EBITDA caiu 37%, para 14,18 milhões. A margem EBITDA, essa, desceu de 12,8% para 8,2%. De qualquer forma, a dona da TVI e CNN empresa apresenta também uma leitura ajustada, excluindo efeitos não recorrentes, na qual os rendimentos operacionais sobem para 172,4 milhões de euros, o EBITDA ajustado cresce para 18,1 milhões e o resultado líquido ajustado atinge seis milhões. As receitas de publicidade aumentaram 6%, para 111,32 milhões.

A Media Capital sustenta essa leitura com os dados de audiência. O grupo refere que o universo TVI liderou em 2025 com 18,8% de share, que a TVI voltou a ser o canal generalista mais visto, com 14,4%, e que a CNN Portugal liderou os canais de informação em 304 dos 365 dias do ano. No digital, o grupo diz ter ultrapassado 4 milhões de utilizadores únicos e 2,5 mil milhões de pageviews, o melhor resultado de sempre neste indicador.

Do lado da Impresa, a fotografia operacional foi mais favorável. O grupo registou em 2025 receitas de 181,8 milhões de euros, um EBITDA de 18,8 milhões e uma margem EBITDA de 10,3%. O EBITDA recorrente fixou-se em 19,3 milhões de euros e o resultado líquido foi positivo em 1,2 milhões, depois dos prejuízos de 2024, ano marcado por imparidades de goodwill. Na televisão, a SIC fechou o ano com receitas de 157 milhões e um EBITDA de 17,6 milhões. No publishing, leia-se o Expresso, a Impresa registou receitas de 22,3 milhões e um EBITDA de 1,7 milhões.

Também nas audiências a Impresa entra em 2026 com indicadores relevantes para o mercado publicitário. A SIC terminou 2025 com 14,5% de share e o universo de canais SIC fechou o ano com 19,1% de quota de audiência. A SIC Notícias terminou o ano com 2,2% de share. No digital, a marca SIC ultrapassou 3 milhões de visitantes únicos mensais, o universo de websites Impresa atingiu 4,2 milhões de visitantes únicos mensais em média e a Opto fechou o ano com 43.303 subscritores.

Se a comparação for nos resultados operacionais de 2025, a vantagem é da Impresa. O grupo superou a Media Capital em receitas, EBITDA e margem EBITDA reportados, apoiado num quadro de audiências que continua a ser o principal motor das receitas publicitárias. Mas a diferença entre os dois grupos reaparece com nitidez no balanço. A Media Capital terminou 2025 com uma dívida líquida de 28,7 milhões de euros e um rácio net debt/EBITDA ajustado de 1,59x. Já a Impresa fechou o ano com uma dívida remunerada líquida de 126,9 milhões, apesar da redução face ao ano anterior.

A mudança acionista na Impresa acrescenta uma variável nova a esta comparação. Em março, a MFE subscreveu um aumento de capital de 17,325 milhões de euros e passou a deter 32,934% do capital e dos direitos de voto da empresa, muito próximo dos 33,738% da Impreger. O acordo parassocial entre os dois acionistas mantém, no entanto, o controlo na esfera da Impreger, incluindo a maioria no conselho de administração e a designação do presidente e do CEO. A entrada da MFE representa, por isso, uma injeção de capital e um potencial reforço industrial, mas não elimina o principal constrangimento do grupo, o peso da dívida.

A entrada da MFE dá à Impresa um novo acionista de referência, capital fresco e potencial industrial, mas não altera o dado central da comparação com a Media Capital. A dona da SIC chega a 2026 com tração operacional e um novo parceiro estratégico, enquanto a dona da TVI inicia o ano com um balanço muito mais leve. Entre a promessa de transformação e a robustez financeira, continua a ser esta última a dar mais proteção no arranque do novo ano.

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