Bancos portugueses cumprem rácios com folga de 11 mil milhões
Bancos queixam-se de que reguladores estão a exigir capital a mais, mas cumprem os rácios regulamentares com uma folga de 11 mil milhões de euros.
Os bancos portugueses cumprem os rácios de capital exigidos pelos reguladores com uma folga de 10,8 mil milhões de euros, segundo um relatório divulgado esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.
Em causa estão as chamadas reservas de gestão, que correspondiam a 5,8% dos ativos ponderados pelo risco no final do ano passado, de acordo com o Relatório de Acompanhamento das Medidas Macroprudenciais.
Os bancos têm de cumprir vários requisitos de capital determinados pelos reguladores, desde os pilares 1 e 2 até outras almofadas cíclicas e setoriais ou de importância sistémica, isto é, dinheiro que têm de colocar de lado para poderem fazer face a potenciais perdas. No final de 2025, os bancos portugueses apresentavam rácios de capital de 15,68%, acima do exigido pelos reguladores.
Estes requisitos foram sendo introduzidos depois de crise financeira mundial de 2008, também para proteger o dinheiro dos contribuintes na recuperação de bancos em dificuldade.

Muitos bancos na Europa têm criticado a complexidade e o nível de exigência de capital imposto pelos reguladores, que dizem que os impede de apoiar mais a economia e de competir com os pares americanos.
Recentemente, numa conferência do ECO, Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), rejeitou que os rácios de capital que são exigidos aos bancos sejam excessivos. “Os bancos significativos da Zona Euro estão a operar com rácios de capital CET1 em torno dos 16,2%. Ou seja, os bancos estão a operar com colchões de segurança que vai muito para além dos requisitos dos supervisores”, disse o responsável português na conferência Banking on Change no início do mês.
Na sua opinião, isto acontece porque “os investidores querem que os bancos operem com rácios acima do que pedem os supervisores”. Por isso, a “questão dos rácios serem excessivos” é uma discussão que não corresponderá à verdade.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Bancos portugueses cumprem rácios com folga de 11 mil milhões
{{ noCommentsLabel }}