Imobiliário em Portugal é escasso, procurado por estrangeiros e com zonas preferidas
Poucas casas, muita procura internacional, um território longe de ser homogéneo. Cinco zonas sobressaem. É o que conclui o Market Report Portugal 2025-2026 da Engel & Völkers.

Depois de anos de valorização acelerada, o mercado imobiliário em Portugal mostra sinais de ajustamento ainda que se mantenham três características dos últimos anos: escassez de oferta, procura internacional e diferenciação geográfica. É o que conclui o Market Report Portugal 2025-2026 da Engel & Völkers divulgado esta semana. Há uma mudança de ciclo, sustenta o documento. Não de retração, mas de consolidação.
A imobiliária, presente em Portugal desde 2006 e especializada no segmento de luxo, estima que a procura por habitação supera atualmente a oferta de novos fogos habitacionais em cerca de 14 mil unidades por ano, sobretudo nas áreas metropolitanas e nas zonas costeiras do país. O mercado de arrendamento também “continua sob pressão, refletindo escassez de oferta”, avançam.
Apesar da evolução positiva da atividade imobiliária no último ano, o relatório indica que a oferta insuficiente de habitação contribui para a existência de “diferenças de valorização entre regiões”, tornando “o mercado cada vez mais segmentado, onde coexistem zonas de elevada valorização internacional com mercados mais acessíveis”.
O estudo da Engel & Völkers refere ainda que “embora o licenciamento de novos projetos tenha apresentado sinais positivos, com um aumento de cerca de 10% nos primeiros meses de 2025, fatores como os ciclos longos de construção e a escassez de mão-de-obra continuam a limitar a capacidade de resposta do mercado”.
A segmentação geográfica acentua-se:
– Lisboa mantém o papel de hub urbano internacional
– Cascais e Comporta consolidam-se como destinos de topo
– Porto reforça o seu estatuto de alternativa europeia emergente
– Algarve afirma-se como destino de lifestyle e segunda residência
O crescimento concentra-se nos ativos verdadeiramente diferenciadores: localização, escassez e qualidade do produto. Eis o que diz o relatório sobre as regiões mais procuradas em Portugal no segmento premium:
- O Porto consolida-se como mercado de luxo emergente. A valorização é mais moderada do que em Lisboa e está assente na reabilitação de edifícios históricos, expansão para novas zonas e melhoria de infraestruturas.
- A procura internacional mantém-se elevada em Lisboa, sobretudo nos segmentos premium, garantindo liquidez ao mercado e sustentando os ativos mais exclusivos.
- A combinação entre localização costeira, qualidade de vida e procura internacional de alto rendimento mantém o mercado resiliente e menos exposto a correções em Cascais, o principal destino de luxo em Portugal.
- A Comporta é o segmento mais exclusivo do mercado nacional, de ultra-luxo. Escassez, privacidade e baixa densidade sustentam preços elevados e uma procura internacional altamente seletiva.
- O Algarve mantém-se como destino-chave para segunda residência e investimento internacional. Apesar de ajustamentos pontuais, a procura continua forte, sobretudo nos segmentos premium ligados a resorts e lifestyle.
“Portugal entra em 2026 com uma economia em fase de consolidação. O cenário é de otimismo moderado, com a inflação controlada e o crescimento económico a acelerar apoiado por condições financeiras mais favoráveis. A principal incerteza reside na evolução do contexto internacional e na capacidade de o país resolver os estrangulamentos na oferta de habitação e de mão-de-obra para garantir um crescimento sustentado a longo prazo”, lê-se no Market Report Portugal 2025-2026, um estudo desenvolvido em parceria com o Instituto Marketing Research.

“O persistente desequilíbrio entre uma procura elevada e uma oferta insuficiente continua a ser a variável crítica do nosso setor. Estima-se que a procura por residência habitual tenha superado a oferta de novos fogos em cerca de 14.000 alojamentos por ano no período recente”, afirma Juan-Galo Macià, presidente da Engel & Völkers para Ibéria e América do Sul, no relatório.
O responsável sublinha ainda que, apesar de sinais positivos no licenciamento, “a escassez de mão-de-obra e os ciclos longos de construção mantêm a pressão sobre os preços, especialmente nos grandes centros urbanos e no litoral”. Ainda assim, antecipa um cenário mais favorável: “As perspetivas para 2026 são, no entanto, de um otimismo fundamentado. Antecipamos uma possível aceleração do crescimento económico e prevemos um alívio nas condições financeiras, o que deverá devolver dinamismo ao investimento e tornar o crédito à habitação significativamente mais acessível”.
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