Irão. FMI alerta que choque na economia é global, mas assimétrico e pede medidas calibradas
FMI alerta que impacto do conflito no Médio Oriente vai variar regionalmente e pede que países com reservas limitadas e pouca margem de manobra orçamental devem ser especialmente cautelosos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou esta segunda-feira que o choque na economia provocado pela guerra no Médio Oriente é global, mas assimétrico, levando a uma inflação mais baixa e um crescimento mais lento, e recomendou que os países adoptem medidas calibradas às suas necessidades, perante um cenário de incerteza.
No artigo “Como a guerra no Médio Oriente está a afetar a energia, o comércio e as finanças”, publicado na blog da instituição, responsáveis do FMI realçam que os preços da energia, as cadeias de abastecimento e os mercados financeiros são os principais canais de transmissão do choque, mas os efeitos regionais vão variar significativamente.
“O choque é global, mas assimétrico. Os importadores de energia estão mais expostos do que os exportadores, os países mais pobres mais do que os mais ricos e aqueles com reservas escassas mais do que aqueles com reservas maiores“, pode ler-se no artigo.
O choque é global, mas assimétrico. Os importadores de energia estão mais expostos do que os exportadores, os países mais pobres mais do que os mais ricos e aqueles com reservas escassas mais do que aqueles com reservas maiores.
É neste sentido que os economistas do FMI advertem que “embora a guerra possa moldar a economia global de diferentes maneiras, todos os caminhos levam a preços mais altos e crescimento mais lento“.
“Um conflito curto pode fazer com que os preços do petróleo e do gás disparem antes dos mercados se ajustarem, enquanto um conflito longo pode manter a energia cara e pressionar os países que dependem de importações. Ou o mundo pode estabilizar num ponto intermédio – tensões persistentes, energia cara e inflação difícil de controlar – com incerteza contínua e risco geopolítico“, aponta.
Ou seja, o impacto vai depender do tempo que durar, da sua extensão territorial e dos estragos que provocar nas infraestruturas e nas cadeias de abastecimento. É por isso que realçam que os “complexos efeitos colaterais” da guerra no Irão chegam num momento em que “muitas economias” se confrontam com um “espaço limitado para absorver choques”.
“Muitos países já enfrentavam níveis recordes de endividamento, aumentando as preocupações com a sustentabilidade orçamental“, sublinha.
As medidas precisam ser cuidadosamente calibradas às necessidades específicas de cada país. Países com reservas limitadas e pouca margem de manobra orçamental devem ser especialmente cautelosos.
“Para gerir o choque e manter a resiliência, é, portanto, mais importante do que nunca que os países adotem políticas adequadas. As medidas precisam ser cuidadosamente calibradas às necessidades específicas de cada país. Países com reservas limitadas e pouca margem de manobra orçamental devem ser especialmente cautelosos“, recomendam.
Os economistas salientam que a energia é o principal fator de transmissão deste choque, recordando que as economias importadoras de energia em África, no Médio Oriente e na América Latina estão a sentir a pressão do aumento dos custos de importação, além do espaço orçamental já limitado e das reservas externas.
“Na Europa, o choque está a reacender o fantasma da crise do gás de 2021-2022, com países como a Itália e o Reino Unido especialmente expostos devido à sua dependência da geração de energia a gás, enquanto França e Espanha estão relativamente protegidas pela maior capacidade nuclear e de energias renováveis“, identifica.
No entanto, o impacto da guerra está a propagar-se também através das cadeias de abastecimento de bens não energéticos. “O redirecionamento de petroleiros e navios porta-contentores aumenta os custos de frete e seguro, além de prolongar os prazos de entrega. As interrupções no tráfego aéreo em torno de importantes centros do Golfo têm impacto no turismo global e adicionam mais uma camada de complexidade ao comércio”, sinaliza o artigo.
Com estes ingredientes, o resultado tende a ser um aumento da inflação, sobretudo se o aumento dos custos dos transportes se prolongar. “Se os preços elevados da energia e dos alimentos persistirem, alimentarão a inflação mundial. Historicamente, picos sustentados nos preços do petróleo tendem a elevar a inflação e reduzir o crescimento”, refere.
Para os economistas, na Europa, outro aumento repentino nos preços, impulsionado pela energia, somar-se-ia às já existentes pressões sobre o custo de vida, aumentando o risco de reivindicações salariais mais persistentes“.
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