Powell afasta para já necessidade de medidas para conter preços

Em Harvard, o ainda presidente da Reserva Federal garantiu que a entidade acredita que a inflação vai atingir a meta de 2% e adiantou que é cedo para perceber o impacto na inflação.

O presidente da Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, defendeu esta segunda-feira que a situação no Médio Oriente ainda não justifica a tomada de medidas por parte do banco central para travar a subida da inflação, adiantando que a entidade vai continuar a monitorizar de perto o potencial impacto do conflito no índice de preços no longo prazo. “Os choques de energia têm impacto temporário normalmente e a política monetária tem impacto a longo prazo”, argumentou.

A falar em Harvard, numa das últimas intervenções públicas antes de abandonar o cargo de presidente da Fed em maio, Powell realçou que é preciso monitorizar as pressões inflacionistas “com muito cuidado”, antes de decidir agir.

As implicações dos eventos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas. No curto prazo, o aumento dos preços da energia pressionará a inflação geral para cima, mas ainda é cedo para saber o alcance e a duração dos potenciais efeitos sobre a economia. Continuaremos a monitorizar os riscos para ambos os lados do nosso mandato”, explicou.

Powell notou que a economia dos EUA está num bom momento e, para já, “ninguém sabe” quais serão os efeitos do conflito. O presidente da Fed realçou, porém, que o banco central poderá ser confrontado com a necessidade de tomar medidas, caso este choque se revele prolongado, mas, neste momento, “ainda não estamos nesse ponto”.

O conflito no Médio Oriente levou a um disparo dos preços da energia, o que levou a um reajuste de expectativas em relação às taxas de juro no Velho Continente, onde os investidores já estão a descontar três subidas de juros ainda este ano.

Ao contrário do presidente da Fed, a líder do BCE, Christine Lagarde, adiantou que o banco não ficará “paralisado pela hesitação” perante os riscos que o conflito no Médio Oriente representam para a inflação.

Inflação vai atingir meta de 2%?

Sobre o facto de a taxa de inflação ainda não ter recuado para 2%, Powell mostrou-se confiante que o índice vai alcançar esse objetivo. “O contexto atual é que temos estado a convergir para os 2% de inflação e nunca atingimos esse objetivo“, realçou, acrescentando que o índice de preços tem vindo a convergir para essa meta e acredita que vai atingir essa meta. “A inflação tarifária provavelmente consiste em um aumento de preços pontual, adicionando de 0,5% a 1% à inflação”, salientou.

Questionado sobre a intenção do seu sucessor, Kevin Warsh, continuar a cortar juros, o ainda presidente da Fed recusou-se a comentar, reiterando apenas que o cargo de governador do banco central não deve ser político.

Em relação à questão da regulação, Powell realçou que “vai sempre haver furacões” no mercado e argumentou que não identifica risco de contágio do mercado de crédito privado, considerando que é apenas uma parte pequena do mercado.

Powell deixou ainda alertas sobre a dívida do país, notando que “está a crescer muito mais rapidamente que a economia“. A longo prazo isto é “a definição de insustentável” e se não se fizer nada “não terminará bem”.

(Notícia atualizada)

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