Aliados NATO em rota de colisão no conflito do Médio Oriente. Trump promete “lembrar-se”

França e Reino Unido foram visados por Trump que os acusa de falta de apoio no conflito do Irão. Espanha e Itália, outros países NATO, fecharam acesso a bases a aviões com destino ao Médio Oriente.

Donald Trump avisou o Reino Unido e a França que os Estados Unidos não estarão disponíveis para os ajudar de futuro, depois da recusa dos dois países NATO em avançar com ações militares contra o Irão. Depois de Espanha proibir o uso das suas bases por aeronaves americanas em trânsito para o Irão, foi agora Itália a recusar que as forças armadas dos EUA utilizassem a base aérea de Sigonella, na ilha da Sicília. E a Polónia recusou reenviar equipamento de defesa aérea do país para o Médio Oriente. O conflito no Irão está a provocar um aumento de tensão nas relações dos países NATO com os EUA.

O presidente dos Estados Unidos não poupou críticas a França e ao Reino Unido face à sua recusa em envolver-se no conflito no Irão, iniciado pelos EUA e Israel, e que está a provocar ondas de choque na economia mundial.

“A França não permitiu que aviões com abastecimentos militares rumo a Israel sobrevoassem o território francês”, disse Trump numa publicação na rede Truth Social, classificando que o país foi “muito inútil” no que toca a mudar a liderança no Irão (a que chama de “Carniceiro”) e que os Estados Unidos “irão lembrar-se”.

 

 

E na mesma rede social o presidente norte-americano não poupou o Reino Unido, velho aliado, mas que no caso da ação militar no Irão não está a ir ao encontro dos desejos de intervenção no conflito de Trump. “Para todos os países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irão, tenho uma sugestão: Número 1, comprem dos EUA, temos bastante, e Número 2, criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente tomem-no”, atirou.

“Terão que aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar”, disse ainda na publicação da Truth Social.

A publicação é mais um foco de tensão entre os EUA e o histórico aliado. As críticas públicas de Trump ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, que classificou como “nenhum Winston Churchil” e um líder que entra em “guerras depois de já termos vencido”, estão ‘arrefecer’ as relações entre os dois países.

Funcionários americanos, cedidos a departamentos do Governo britânico, por exemplo, estão a ser solicitados a se retirarem de reuniões quando há partilha de informações sensíveis e a aprovação de pedidos para que aeronaves americanas usem instalações britânicas — anteriormente “aprovados automaticamente” — são agora “mais complicadas”, descreve o Financial Times com base em fontes conhecedoras.

Esta semana foi ainda conhecido que Itália também tinha recusado há uns dias que as forças armadas norte-americanas utilizassem a base aérea de Sigonella, na ilha da Sicília, em manobras de guerra contra o Irão. O ministro da Defesa Italiano, Guido Crosetto, recusou o pedido dos EUA após serem conhecidos os planos de voo de diversas aeronaves com destino ao Médio Oriente, por considerar que estava fora do previsto pelos tratados entre EUA e Itália para o uso de bases aéreas.

Apesar da decisão, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, na rede social X, nega qualquer arrefecimento das relações entre os dois países. “Alguém está a tentar transmitir a mensagem de que a Itália decidiu suspender a utilização das bases pelas forças norte-americanas. Isso é simplesmente falso, porque as bases estão ativas, em funcionamento, e nada mudou”, disse.

 

Já antes Espanha tinha negado acesso a aeronaves americanas às suas bases aéreas depois do eclodir do conflito com o Irão, tendo fechado o espaço aéreo aos aviões americanos envolvidos na ação militar. As bases espanholas estão apenas disponíveis para “defesa coletiva” dos aliados NATO, clarificou a Margarita Robles, ministra da Defesa espanhola, esta terça-feira, refere a Reuters.

A Polónia, outro aliado NATO, não tem planos de deslocalizar os seus sistemas de defesa aérea Patriot para o Oriente Médio, afirmou o ministro da Defesa polaco, Władysław Kosiniak-Kamysz, na terça-feira, após notícias de que os EUA teriam solicitado informalmente uma transferência.

Esses equipamentos são para a defesa do espaço aéreo do país e, com isso, proteger o flanco a Leste da NATO, justificou o ministro da Defesa. “A segurança da Polónia é uma prioridade absoluta”, disse ainda, numa publicação na rede social X.

Portugal, até ao momento, mantém a posição de não envolvimento do conflito do Irão, mas a Base das Lajes tem sido um ponto de passagem para aeronaves militares em trânsito para o Médio Oriente ao abrigo do acordo estabelecido entre os dois países.

O conflito no Irão está a abrir novas fissuras na relação Europa-EUA depois de a posição de Trump relativamente à Gronelândia ter levado vários países europeus a sugerir uma NATO mais europeia.

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