Euribor dá maior salto em três anos e agrava prestação da casa em abril
Guerra no Irão sacudiu mercados e vai chegar ao bolso de quem está a pagar prestação ao banco. Com a Euribor a dar o maior salto em 3 anos, a mensalidade da casa vai agravar até 17 euros em abril.
O conflito no Irão levou o mercado a antecipar várias subidas das taxas de juro na Zona Euro para conter pressões inflacionistas que poderão surgir com a escalada do preço do petróleo. Por conta disso, as Euribor preparam-se para dar em março o maior salto em cerca de três anos. O que vai penalizar o bolso das famílias que estão a pagar o crédito da casa ao banco.
As Euribor são calculadas com base nas taxas a que um conjunto de bancos empresta dinheiro entre si. E com o mercado a antecipar pelo menos duas subidas das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) este ano, estas taxas interbancárias e que servem de base para o cálculo da prestação da casa já estão a escalar.
A média mensal da Euribor a 12 meses vai dar um salto superior 0,3 pontos percentuais. É preciso recuar a outubro de 2022 para uma subida mais expressiva. Nos prazos a três e seis meses também estamos a falar dos maiores aumentos das Euribor desde 2023, há praticamente três anos.
Neste contexto, os contratos de empréstimo da casa cujas condições vão ser atualizadas em abril vão sofrer aumentos entre 5 e 17 euros, de acordo com os cálculos do ECO.
E quanto maior a duração da guerra no Médio Oriente e dos preços altos do barril de petróleo, mais as carteiras das famílias vão sofrer com os juros do crédito à habitação nos meses que se seguirão.
Para um crédito de 150 mil euros a 30 anos e com um spread de 1%, as contas para abril são as seguintes:
- Euribor a três meses: a prestação a pagar nos próximos três meses subirá mais de 5 euros (0,8%) para mais de 641 euros;
- Euribor a seis meses: a prestação que vai pagar nos próximos seis meses deverá superar os 657 euros, uma subida de mais de 16 euros em relação à prestação que pagava desde outubro;
- Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses ascenderá a 676 euros, mais 11 euros face à prestação que pagou no último ano. Vai ser a primeira subida desde maio de 2024.
Para o ajudar a calcular a prestação do seu crédito à habitação, o ECO preparou um simulador. Faça as contas para o seu caso e, se o seu contrato for revisto agora, saiba quanto irá pagar a mais ou a menos.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para ver o simulador.
As famílias já estão a sentir o impacto do conflito por via do aumento dos preços dos combustíveis. E receia-se que isto venha a ter um impacto generalizado nos preços dos bens e serviços que consumimos no dia-a-dia.
Na semana passada, a presidente do BCE, Christine Lagarde, deixou o aviso bem sério: o “choque real” em curso é “provavelmente além do que conseguimos imaginar neste momento”. Já o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, pediu “cabeça fria” neste momento de alta tensão, depois de questionado sobre como é que o banco central deverá agir para conter a subida da inflação.
As mais recentes projeções do banco central mostram que a taxa de inflação poderá agravar-se para 4,4% num cenário severo de guerra no Médio Oriente. Ainda longe do que se observou na sequência da guerra na Ucrânia, acima de 10,6% no final de 2022, mas suficiente penalizar a economia e atirá-la para um cenário de estagflação.
Os investidores já estão a ajustar as suas expectativas em relação a um potencial aperto das condições financeiras, antecipando duas subidas de juros, de 25 pontos base cada, até ao verão e mais outra da mesma dimensão que poderá acontecer na reunião de setembro ou dezembro.
“O BCE não deverá ter pressa em atuar, mas fá-lo-á rapidamente caso seja necessário, mantendo-se vigilante para assegurar que um aperto tardio não conduza a uma dinâmica inflacionista mais difícil de reverter”, explicam os economistas do BNP Paribas.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Euribor dá maior salto em três anos e agrava prestação da casa em abril
{{ noCommentsLabel }}