Guerra atira bolsas de perto de máximos para o vermelho. PSI brilha no trimestre

Bolsas europeias fecharam primeiros três meses do ano com perdas. Nos EUA, o S&P 500 desvalorizou 4,6% e o tecnológico afundou 7% no ano. Português PSI brilhou, com um ganho de 10% no trimestre.

O ano arrancou com o pé direito para as principais praças acionistas mundiais, mas o início da guerra no Irão virou o sentimento nos mercados e empurrou as bolsas para o vermelho, com os investidores a temerem que a escalada dos preços da energia, provocada pelo conflito, empurre a economia para um cenário de estagflação. Enquanto as ações europeias, que negociavam próximos de recordes no início de março, chegam ao fim de março com sinal de menos no acumulado do ano, Wall Street prepara-se para viver o pior trimestre em quatro anos.

O índice europeu Stoxx 600, que subiu cerca de 16% no ano passado, no melhor desempenho anual desde 2021, fechou o primeiro trimestre do ano com uma queda de 1,52%, com a desvalorização de 8% em março a mais que anular os ganhos acumulados nos dois primeiros meses do ano.

Olhando para os principais mercados na região, o alemão Dax protagonizou o maior travão, ao cair mais de 7% entre janeiro e março, enquanto o francês CAC-40 perdeu 4% e o espanhol Ibex-35 recuou 1,5%.

Em sentido oposto, o britânico Footsie marcou uma subida de 2,6% no trimestre. Mas a “estrela” foi mesmo a bolsa portuguesa que, mais do que escapar às descidas, registou uma valorização de 10,5% nos primeiros três meses do ano, animada pela escalada de 44% da Galp e pelos ganhos do Grupo EDP (ganhos de 15% e 14%, respetivamente). Trata-se do melhor trimestre do índice PSI desde dezembro de 2020, com a bolsa lisboeta a prolongar o bom momento, depois de ter vivido, em 2025, o melhor ano desde 2009.

Nos EUA, o S&P 500, o maior índice acionista do mundo, apresenou uma desvalorização de 4,6% desde o início do ano, enquanto o Nasdaq tombou mais de 7% e o Dow Jones desceu 3,6%. É preciso recuar a 2022, ano marcado pela invasão da Ucrânia, para ver uma queda trimestral tão expressiva do S&P 500.

A determinar o sell-off nos mercados acionistas está o conflito no Médio Oriente, que acelerou uma escalada dos preços da energia – preço do Brent dispara um máximo mensal de 63% e segue acima dos 118 dólares por barril – e originou uma subida da inflação na Zona Euro, que já é visível nos primeiros dados da inflação reportados esta terça-feira. Esta terça-feira, o barril de brent fechou a subir 4,94% para 118,35 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), transacionado em Nova Iorque, desceu 1,46% para os 101,38 dólares.

Sem previsibilidade quanto ao fim do conflito, que levou ao encerramento quase completo do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido diariamente a nível global, os investidores já descontam uma alteração na política monetária, para evitar uma subida da taxa de inflação, à imagem do que aconteceu em 2022.

Os mercados já descontam três subidas de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE) este ano, numa altura em que vários membros da entidade já têm sinalizado a possibilidade de uma alteração na política de juros da região, face às ameaças inflacionistas colocadas pela guerra.

A presidente do BCE adiantou recentemente que embora reconheça que o impacto causado até agora pelo conflito no Médio Oriente seja diferente da situação provocada pela invasão russa da Ucrânia no início de 2022, quando os preços subiram a dois dígitos, o banco central “não ficará paralisado pela hesitação” se o atual aumento dos custos da energia vier a provocar um agravamento mais generalizado de inflação.

Além do petróleo e do gás natural, que escala mais de 70% desde o início da guerra, outros preços deverão começar a refletir o agravamento dos custos suportados pelas empresas. Por outro lado, a subida das Euribor já está a refletir-se em prestações mais elevadas para quem vai rever os seus contratos de crédito à habitação. Tudo somado, as famílias enfrentam maiores custos, o que poderá refletir-se em menos consumo e menos crescimento da economia.

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