Guerra e combustíveis aceleram inflação para 2,7% em março, nível mais alto desde agosto
A guerra no Médio Oriente já está a ter impacto nos preços, com a inflação homóloga a subir 0,6 pontos percentuais em março, para a taxa mais alta em sete meses. Em cadeia, os preços subiram 2%.
- A inflação homóloga em Portugal acelerou para 2,7% em março, impulsionada pelo aumento dos preços dos combustíveis devido ao conflito no Médio Oriente.
- O Instituto Nacional de Estatística destacou que a variação do índice de produtos energéticos subiu para 5,8%, refletindo a pressão inflacionista global e as revisões das projeções económicas.
- Os bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu, estão a ajustar as suas previsões de crescimento e inflação, considerando a possibilidade de aumentos nas taxas de juro.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) informou esta terça-feira que estima que a inflação homóloga tenha acelerado para 2,7% em março, mês em que o conflito no Médio Oriente fez aumentar os preços dos combustíveis e obrigou as principais instituições monetárias a reverem em alta as projeções para as subidas dos preços.
Segundo a informação divulgada pelo INE, a taxa foi superior em 0,6 pontos percentuais (p.p.) à observada no mês anterior.
“A aceleração do IPC é quase na totalidade explicada pelo aumento do preço dos combustíveis“, sublinhou o INE.
O indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) terá registado uma variação de 2%, taxa superior em 0,1 p.p. à do mês precedente.
“A variação do índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 5,8% (-2,2% em fevereiro) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados registou uma variação de 6,4% (6,7% no mês anterior)”, sublinhou o INE.

Na variação em cadeia — isto é, comparando os preços em fevereiro –, a variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi de 2%.
O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português terá registado uma variação homóloga de 2,7% (2,1% no mês precedente), adiantou o INE. Os dados definitivos referentes ao IPC do mês de março serão publicados no próximo dia 13 de abril.
Bancos centrais antecipam aceleração
Os ataques iniciados pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro têm abalado os mercados, principalmente os de energia, com o bloqueio iraniano do Estreito do Ormuz, por onde passa um quinto do comércio de petróleo do mundo. O preço do barril de Brent, referência para a Europa, ultrapassou os 100 dólares, tendo chegado a negociar próximo dos 120 dólares.
A escalada do conflito e dos preços do crude e do gás tem obrigado os principais bancos centrais a reverem em alta as projeções para a inflação e a cortarem as do crescimento económico. Deixam agora em aberto as portas para subidas das taxas de juro, tal como foram obrigadas a fazer para responder à pressão inflacionista provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.
Na Zona Euro, o Banco Central Europeu (BCE) já avisou que agora projeta a economia a crescer 0,9% em 2026, face à anterior projeção de 1,2% em dezembro, e 1,3% em 2027. No que toca à inflação, se no final de 2025, Frankfurt apontava para uma taxa de 1,9% neste ano, agora reviu em alta para 2,6%. Num cenário severo, no qual existe um choque de preços de energia mais forte e persistente, o banco central liderado por Christine Lagarde vê a inflação a situar-se em 4,4% este ano e 4,8% em 2027.
O Banco de Portugal (BdP) também já reviu em forte baixa as suas projeções de crescimento para este ano, apontando agora para uma expansão do PIB de 1,8% em 2026, menos 0,5 pontos percentuais face aos 2,3% estimados em dezembro.
(Notícia atualizada às 10h11 com mais informação)
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