Molhos e especiarias de 60 mil milhões. Unilever vai fundir-se com dona da Margão

Negócio de 44,8 mil milhões "criará uma potência global em sabor". É expectável que gere sinergias de custos de até 600 milhões e fique concluída em meados de 2027.

Se a combinação de receitas correr bem, vai nascer um novo gigante internacional da indústria alimentar com um valor acumulado de 60 mil milhões de dólares (cerca de 52 mil milhões de euros). Os grupos Unilever e McCormick & Company – que detém a marcas Margão – confirmaram esta terça-feira que chegaram a um acordo para fundir o negócio alimentar.

A operação, que representa um valor empresarial (enterprise value) de 44,8 mil milhões de dólares (aproximadamente 39,9 mil milhões de euros), “criará uma potência global em sabor”, de acordo com as duas empresas globais de bens de consumo, até porque estão “culturalmente alinhadas”.

A fusão resultará num ‘molho’ entre marcas como McCormick, Knorr, Hellmann’s, Cholula, Maille ou Frank’s, além das famosas maioneses e especiarias. O portefólio de ambas representa vendas de 20 mil milhões de dólares (na ordem dos 17 mil milhões de euros). Assim, a Unilever ficará a operar apenas nas áreas de beleza, bem-estar, cuidados pessoais e limpezas, depois de também ter separado a divisão de gelados, na qual estão insígnias emblemáticas como Magnum, Ben & Jerry’s e Cornetto.

A transação, que ainda está sujeita às aprovações regulatórias e ao ‘OK’ dos acionistas da McCormick, é expectável que fique concluída em meados de 2027.

A previsão é também que gere perto de 600 milhões de dólares (520 milhões de euros) em sinergias de custos anuais, nomeadamente reinvestimentos, prevendo-se que este valor seja atingido até ao final do terceiro ano. “Sinergias incrementais de custos e receitas no valor de 100 milhões de dólares serão reinvestidas para impulsionar ainda mais o crescimento”, informaram a Unilever e a McCormick, em comunicado divulgado online.

Em termos de organização do capital, a Unilever e os seus acionistas obtêm, conjuntamente, ações equivalentes a 65% do capital da sociedade que resulta da fusão. Isto porque, assim que o negócio estiver fechado, os acionistas da Unilever vão deter uma posição maioritária de 55,1%, os acionistas da McCormick ficarão com uma participação de 35% e a Unilever (corporate) fica com o equivalente a 9,9% do capital social da empresa fundida.

Esta é uma combinação construída sobre um forte alinhamento estratégico e cultural, que proporciona oportunidades entusiasmantes aos nossos colaboradores e garante que as nossas marcas alimentares continuam a prosperar como parte de um líder global em sabores. A nossa participação acionista mantida reflete a nossa convicção na força da empresa combinada e nas suas perspetivas futuras”, afirmou o CEO da Unilever, Fernando Fernandez.

Para o CEO da McCormick, Brendan Foley, esta fusão “transformadora acelera a estratégia” da e empresa e “reforça” o seu “foco contínuo no sabor”.

“A Unilever Foods é uma empresa que admiramos há muito tempo, com um portefólio que complementa o nosso negócio, capacidades e visão a longo prazo. Juntos, estaremos em melhor posição para acelerar o crescimento em categorias atrativas, garantiu o gestor.

(Correção: esta notícia foi corrigida para remover as menções às marcas Knorr e Hellmann’s que já pertencem à Unilever e não à McCormick)

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