“Quanto mais fizerem para poupar petróleo, melhor”. Bruxelas pede reduções no consumo
Sem destacar nenhuma medida em específico, o comissário europeu da Energia apela aos Estados-membros para avaliarem as medidas sugeridas pela AIE e aplicarem as que se mais se adequem.
O comissário europeu da Energia, Dan Jorgensen, recomendou aos Estados-membros a aplicação de medidas de restrição ao consumo de petróleo, pedindo que se “inspirem” nas dez medidas sugeridas pela Agência Internacional de Energia e que escolham as que mais se adequem à respetiva situação.
“É claro que quanto mais conseguirem fazer para poupar petróleo, especialmente gasóleo, e especialmente combustível de aviação, melhor ficamos”, afirmou Jorgensen, em conferência de imprensa, no rescaldo de uma reunião com os ministros da Energia da União Europeia.
Apesar de defender que a lista de ações avançada pela AIE não deve ser vista como “um pacote de tamanho único”, a aplicar na íntegra e de igual forma em todos os Estados membros, “é uma caixa de ferramentas muito boa”, considerou o Comissário. “Recomendamos vivamente que cada país analise as possibilidades que tem“, rematou.
Na sua intervenção, o comissário recordou alguns dos pontos levantados pela AIE, como a recomendação de trabalhar a partir de casa sempre que possível, reduzir os limites de velocidade nas autoestradas em pelo menos 10 quilómetros por hora, incentivar os transportes públicos, alternar o acesso de automóveis particulares às estradas nas grandes cidades de diferentes formas, aumentar a partilha de automóveis e promover a condução eficiente de veículos comerciais rodoviários e de entrega de mercadorias. Considerou, contudo, que todas as medidas sugeridas pela AIE “são igualmente úteis”.
De acordo com o ministro cipriota da Energia, Michalis Damianos, os representantes dos Estados membros que reuniram esta tarde, por videochamada, concordaram na necessidade uma utilização cautelosa das reservas estratégicas de petróleo, de forma a evitar comprometer a segurança do abastecimento futuro. Foi defendida também uma coordenação mais estreita no armazenamento e refinação de gás, para evitar pressões em alta sobre os preços. Ficou ainda o apelo a que a Comissão apoie o acesso a dados atempados e precisos, para orientar a tomada de decisões, evitando medidas que possam distorcer o mercado interno da energia.
Os ministros salientaram também que a redução da procura de energia “continua a ser central” na resposta coordenada. “Melhorar a eficiência energética e promover a poupança de energia são ferramentas essenciais para mitigar os picos de preços, reforçar a resiliência e aumentar a segurança energética global da União”, afirmou o ministro cipriota.
Mais medidas a caminho
Em paralelo, o Jorgensen avançou que a Comissão está a trabalhar numa “caixa de ferramentas” que será apresentada “em breve”. O objetivo deste conjunto deste conjunto de ferramentas é que a UE esteja pronta para apoiar famílias e negócios. “Melhor estarmos preparados do que, depois, lamentar”, atirou. Este garante que a Comissão está a “acompanhar a situação de perto”, de forma a avançar com medidas “quando e se necessário”.
Não devemos ter ilusões de que as consequências desta crise para os mercados de energia serão de curta duração, porque não o serão.
Entre as medidas que estão ‘no forno’, o comissário apontou que espera tornar mais simples e abrangente a atribuição de subsídios estatais para apoiar os mais vulneráveis e as indústrias, grupos que estão “sob um stress extraordinário”. Outra medida na mira da UE é facilitar a aplicação de instrumentos financeiros como os contratos por diferença (CfD), ou contratos de aquisição de energia (PPA), que “ajudam a separar os preços da eletricidade dos do gás”.
O comissário indicou ainda que o pacote de energia apresentado recentemente pela Comissão “está cheio de coisas que podem ser feitas para baixar os preços para os cidadãos e para as famílias”. Por exemplo, nessa altura, foi recomendado que se baixassem os impostos, especialmente na eletricidade. “Seria muito oportuno agora”, frisou. Além disso, apela a que os Estados membros “façam o que puderem” para ligar nova energia renovável à rede.
Apesar de cauteloso na aplicação de medidas, Jorgensen deixa um alerta: “Não devemos ter ilusões de que as consequências desta crise para os mercados de energia serão de curta duração, porque não o serão”. O comissário sublinhou que, mesmo que a paz chegue “amanhã”, “não voltaremos à normalidade num futuro previsível”.
(Notícia atualizada pela última vez às 18:14)
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