Temporal trava crescimento do turismo em fevereiro. Municípios afetados perdem dormidas

Atividade turística manteve a tendência de abrandamento do ritmo de crescimento, com o INE a indicar que as condições meteorológicas adversas afetaram o setor. Nas zonas mais afetadas, dormidas caíram

A atividade turística continua a crescer, mas voltou a desacelerar em fevereiro. Segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), os números de hóspedes e de dormidas cresceram a um ritmo mais lento, com o INE a apontar que o setor pode ter sido penalizado, nestes primeiros meses do ano, pelas “condições meteorológicas adversas registadas nos meses de janeiro e fevereiro“, com as dormidas nas regiões afetadas pelo temporal a contrariarem a subida nacional.

Segundo o INE, o setor do alojamento turístico registou 1,8 milhões de hóspedes, em fevereiro, o que representa um aumento homólogo de 0,8% e que compara com um crescimento de 3,7% em janeiro.

Já as dormidas cresceram 1,3%, face a igual período do ano passado, para 4,2 milhões, uma subida que compara com os 2% no arranque do ano.

O crescimento das dormidas resultou de contributos positivos, tanto dos residentes como dos não residentes, no entanto são os residentes quem liderou o crescimento. As dormidas de residentes aumentaram 3,2% (+4,2% em janeiro), para 1,4 milhões, enquanto as de não residentes cresceram 0,4% (+0,8% em janeiro), totalizando 2,8 milhões.

Fonte: INE

O INE explica que “os resultados de fevereiro poderão ter sido influenciados pela estrutura móvel do calendário, ou seja, pelo efeito do período de férias associado ao Carnaval, bem como pelo impacto de fenómenos meteorológicos intensos e anómalos ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro“.

Os proveitos totais aumentaram 4,3% para 299,4 milhões de euros, em fevereiro, face ao mesmo mês de 2025, enquanto os proveitos de aposento cresceram 4% para 216,7 milhões. Ambos os indicadores tinham registado uma subida homóloga de 5,4% em janeiro.

Dormidas nos municípios afetados pelo temporal descem 1,8%

O INE inclui, nos dados publicados esta terça-feira, uma análise mais detalhada dos resultados, incidindo sobre os 90 municípios afetados por fenómenos meteorológicos intensos e anómalos em janeiro e fevereiro, que revela que estes concentraram 10,1% das dormidas de fevereiro de 2026 em estabelecimentos de alojamento turístico. Trata-se de uma quebra de 0,3 pontos percentuais face ao mês homólogo do ano anterior).

“Neste conjunto de municípios, as dormidas decresceram 1,8% em fevereiro, contrastando com a variação positiva dos restantes (+1,7%)”, acrescenta o INE.

Esta evolução resultou da redução das dormidas de não residentes (-6,7%, que compara com +0,9% nos restantes municípios), uma quebra que foi atenuada pelo aumento das dormidas de residentes, que cresceram 1,3%.

Reino Unido lidera, mas Brasil está a crescer

Entre os dez principais mercados emissores, destacou-se o mercado brasileiro com o maior crescimento (+29,6%), enquanto o mercado francês registou o decréscimo mais acentuado (-16,7%)“, refere o INE.

Ainda assim, o mercado britânico manteve a liderança, com uma quota de 15,8% do total, embora tenha prolongado a trajetória de decréscimo dos meses anteriores (-4,1%, após -3,2% em janeiro).
O mercado alemão foi o segundo principal mercado emissor (11,4% do total), mantendo a trajetória de crescimento, com um aumento de 1,4% (+1,5% em janeiro).

Seguiu-se o mercado espanhol, na 3ª posição (7,8% do total), que registou um decréscimo (-4,4%), após o crescimento observado no mês anterior (+1,8%).

Em termos de regiões, os maiores aumentos no número de dormidas registaram-se no Alentejo (+4,2%) e no Norte (+3,4%). Já a Região Autónoma dos Açores e o Centro apresentaram os decréscimos mais acentuados (-3,4% e -1,9%, respetivamente).

A Grande Lisboa (28,3%), o Algarve e o Norte (18,4% em ambas) concentraram a maior proporção
de dormidas: 65,1% no seu conjunto.

O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) fixou-se em 39,7 euros (+0,2%) e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 89,6 euros (+2,5%).

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