Bankinter Portugal celebra dez anos com ambição de superar Crédito Agrícola e Montepio

Bankinter celebra dez anos em Portugal com mais de 30 mil milhões de euros em volume de negócios e aponta para o futuro: "Acreditamos que será possível chegar ao top 6", diz country manager.

ECO Fast
  • O Bankinter Portugal, ao celebrar dez anos, ambiciona tornar-se o sexto maior banco do país, superando o Crédito Agrícola e o Banco Montepio nos próximos cinco anos.
  • Desde a aquisição da operação do Barclays, o banco multiplicou seu investimento inicial por várias vezes, alcançando um volume de negócios superior a 30 mil milhões de euros em 2025.
  • O crescimento orgânico é a prioridade do Bankinter, que também se prepara para lançar uma oferta de stablecoins, visando aumentar a acessibilidade ao crédito para jovens.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A celebrar dez anos no mercado nacional, período durante o qual já acumulou mais de 900 milhões de euros de resultado bruto para o seu acionista espanhol, o Bankinter Portugal olha para o futuro com ambição. Nos próximos cinco anos pretende ultrapassar o Crédito Agrícola e o Banco Montepio em volume de negócio e tornar-se no sexto maior banco a operar no país. “É um grande desafio”, assume o country manager, Alberto Ramos.

Foi a 1 de abril de 2016 que o Bankinter fechou a compra da operação de retalho do Barclays em Portugal, por 86 milhões de euros, e desde então o banco espanhol – que nasceu em 1965 em resultado de uma joint venture entre o Santander e o Bank of America — já multiplicou esse investimento por várias vezes. Atualmente, a operação portuguesa representa quase 15% do resultado do grupo, tendo contribuído com mais de 200 milhões de euros em resultados antes de impostos em 2025.

A sucursal portuguesa fechou o ano passado com um volume de negócios (crédito, depósitos e recursos fora de balanço) superior a 30 mil milhões de euros, três vezes mais do que em 2016.

A crescer mais de 10% ao ano, como tem feito desde que chegou a Portugal, o banco acredita que poderá tornar-se na sexta maior força da banca nacional até 2030, apenas atrás dos cinco grandes bancos.

Se eu pudesse assinar já o crescimento igual ao ritmo que temos tido nos últimos anos e com qualidade como temos feito ao longo dos últimos anos, diria, sem sombra de dúvidas, que esse é o nosso grande objetivo”, afirma Alberto Ramos durante um encontro com os jornalistas na sede em Lisboa para marcar o 10.º aniversário do banco em Portugal.

“O nosso modelo de negócio tem provado que é possível crescer com resultados e fazendo diferente, e continuando a fazer diferente nos próximos anos, acreditamos que será possível chegar ao top 6 em termos de volume de negócio em Portugal”, afiança.

“Nada nos leva a pensar que vamos crescer menos no futuro. As bases são sólidas os resultados são consistentes”, acrescenta ainda.

Alberto Ramos, que lidera a operação portuguesa desde 2017, adianta que Bankinter está atento a todas as oportunidades que possam aparecer. Ainda assim, descarta aquisições de outros bancos para superar Crédito Agrícola e Banco Montepio e garante que “o foco é o crescimento orgânico”.

Estamos a crescer três mil milhões de euros de negócio ao ano. Isto é mais do que um banco pequeno”, atira.

O nosso modelo de negócio tem provado que é possível crescer com resultados e fazendo diferente, e continuando a fazer diferente nos próximos anos, acreditamos que será possível chegar ao top 6 em termos de volume de negócio em Portugal.

Alberto Ramos

Country manager do Bankinter Portugal

Agências vão ter “peça central” no futuro

O banco em Portugal tem perto de 900 trabalhadores e mais 100 pontos físicos, entre agências e centros de empresa – praticamente a mesma dimensão do Barclays há dez anos, mas com o triplo do negócio atualmente.

Alberto Ramos assegura que as agências vão representar uma “peça central” na trajetória do banco nos próximos anos numa lógica de proximidade. “Não nos faz sentido fechar agências quando estão a crescer a dois dígitos. Os clientes ainda vão às agências”, diz.

“Temos discutido aqui e ali se podemos eventualmente mudar alguma agência para outro sítio, mas não temos nenhum plano de encerramento de agências porque elas têm sido decisivas neste crescimento que nós temos tido nos últimos anos”, acrescenta.

O banco tem alargado a sua oferta para os seguros. Já tinha criado uma parceira com a Mapfre nos seguros vida seguindo o mesmo modelo do que é feito em Espanha e com “resultados consolidados” de 17 milhões. Recentemente assinou um acordo com a Generali Tranquilidade para a distribuição de seguros não vida.

Há dois anos também fez uma joint venture com os cartões da Universo do Continente e que atingiu o breakeven no ano passado.

“Fizemos milagres na pandemia”

Questionado sobre o que foi mais difícil neste percurso, Alberto Ramos não duvida: “Fizemos verdadeiros milagres na pandemia. Foram tempos muito difíceis”. Mas “a banca comportou-se de forma exemplar nesse período, nem sempre isso foi reconhecido”, salienta o responsável que ficou surpreendido com a capacidade da banca em ajudar os clientes a ultrapassar os problemas.

“Se me perguntassem antes do que aconteceu na pandemia se achava que íamos ser capazes de fazer o que fizemos, eu diria que não”, admite.

Sobre o impacto das tempestades que deixaram um rasto de destruição em várias zonas do país no início do ano, também acredita que os bancos vão fazer parte da solução. E que no caso do Bankinter se traduz em 97 moratórias de crédito, no valor de 20 milhões de euros, e de mais de 100 operações de crédito no valor de 25 milhões através das linhas de apoio.

“Efeito perverso” da garantia pública e stablecoins até fim do ano

O Bankinter Portugal já concedeu 175 milhões de euros de crédito à habitação a jovens ao abrigo da linha da garantia e conta utilizar o plafond que lhe foi atribuído até final do ano.

Para Alberto Ramos, a medida provou que funciona ao permitir que os jovens possam comprar casa, mas avisa que “tem um efeito perverso”. “Quando nós estimulamos muito a procura, o preço sobe”, alerta.

“Tem de haver um mix de políticas que, por um lado, naturalmente continuem a promover a concessão de crédito para jovens, e pode ser uma medida como esta. Mas, por outro lado, eu creio que é fundamental promover essas medidas no sentido de aumentar a oferta”, salienta.

Alberto Ramos considera é preciso incentivar a construção a preços mais baratos “e se permita que mais jovens possam comprar a casa endividando-se menos do que estão a endividar neste momento”.

Também até final do ano o banco conta lançar uma oferta de stablecoins para os clientes. “Não nos sentimos, neste momento, cómodos e confortáveis nesse tema em termos de criptomoedas, mas já achamos de forma diferente as stablecoins, são bastante mais transparentes, mais claras naquilo que são os ativos que estão por trás. Aí sim estamos a trabalhar no sentido de termos essa oferta muito rapidamente”, adianta Alberto Ramos.

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