Bruxelas dá “primeiro passo” para garantir estabilidade nos preços do carbono. Revisão do mercado prevista para julho
Comissão propõe alteração na Reserva de Estabilidade do Mercado, para menos volatilidade nos preços das licenças de carbono. A grande revisão do mercado vem em julho.
A Comissão Europeia deu esta quarta-feira um primeiro passo para reforçar o Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (CELE da UE). Bruxelas lança uma proposta para adaptar a Reserva de Estabilidade do Mercado (REM) do CELE, com o objetivo de reforçar a respetiva previsibilidade. Contudo, será em julho que o sistema será revisto globalmente, a pensar no horizonte pós-2030.
“À luz dos desafios recentes, o CELE da UE precisa de ser modernizado e tornado mais ágil”, considera a Comissão, no comunicado partilhado esta quarta-feira. É tendo em conta o contexto de maior volatilidade dos preços da energia e de tensões geopolíticas que a Comissão pretende “garantir que o CELE seja um instrumento estável“. Neste sentido, a proposta relativa à REM pretende reforçar a capacidade do sistema “para garantir tanto a estabilidade como a previsibilidade”.
A Reserva de Estabilidade do Mercado está operacional desde 2019, e serve para regular o funcionamento do mercado do carbono, reduzindo a oferta de licenças no mercado quando há demasiadas em circulação e injetando licenças quando há escassez.
Atualmente, atingida determinada quantidade de licenças (400 milhões), todas as restantes licenças são invalidadas. A alteração proposta irá travar o mecanismo de invalidação, permitindo que estas licenças sejam mantidas como uma reserva de segurança. “A alteração proposta dotará a REM de melhores condições para responder à evolução futura do mercado, incluindo potenciais restrições de oferta nas próximas décadas”, lê-se no comunicado.
Num esclarecimento em paralelo, o executivo europeu acrescenta que, de acordo com a proposta, as licenças seriam apenas libertadas “em alturas de aperto do mercado ou de aumentos excessivos de preço“. “O reforço da Reserva de Estabilidade do Mercado melhora a capacidade do sistema para responder aos desequilíbrios do mercado e reduz o risco de volatilidade excessiva dos preços”, frisa a Comissão.
O reforço da Reserva de Estabilidade do Mercado melhora a capacidade do sistema para responder aos desequilíbrios do mercado e reduz o risco de volatilidade excessiva dos preços.
Assim, a intenção é manter os preços estáveis, de forma a criar alguma previsibilidade às empresas abrangidas pelo sistema, uma vez que as licenças pesam cerca de 11% na fatura da eletricidade das mesmas. “Um mercado do carbono mais estável e previsível proporciona uma maior certeza às empresas que planeiam investimentos a longo prazo em tecnologias limpas”, acrescenta o Executivo europeu no mesmo esclarecimento.
“Ao reforçar a Reserva de Estabilidade do Mercado, aumentamos a resiliência do CELE à volatilidade e garantimos que este continua a impulsionar a descarbonização, a apoiar a competitividade e a fomentar o investimento limpo”, afirma Wopke Hoekstra, Comissário Europeu para o Clima, Neutralidade Carbónica e Crescimento Limpo, citado também no comunicado.
A proposta de alteração da decisão relativa à Reserva de Estabilidade do Mercado (REM) será agora submetida ao Parlamento Europeu e ao Conselho, e terá de seguir o processo legislativo normal, de codecisão, antes de ser adotada.
Revisão completa a caminho
O CELE foi desenhado a pensar no horizonte até 2030, pelo que é necessária uma revisão a pensar no futuro. Essa “revisão abrangente do CELE” está previsto ser lançada em julho de 2026, e deverá alinhar este sistema com a meta, recentemente aprovada, de reduzir as emissões em 90% até 2040.
No âmbito desta revisão, e alinhando com o conteúdo do Relatório Draghi, o objetivo é que o CELE seja usado para reforçar o investimento industrial na inovação, de forma a responder a questões de competitividade, descarbonização e segurança energética. Também deverão passar a ser contempladas por este sistema as tecnologias de remoção de carbono.
A Comissão atribui “em grande parte” ao CELE a quebra das emissões internas na UE, que caíram 39% entre 1990 e 2024, ao mesmo tempo que a economia cresceu 71%.
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