Concessionária do Porto de Leixões ataca novo terminal: “Ineficiente” e “insustentável” a médio e longo prazo
Yilport defende que "projeto do Novo Terminal Norte surge como a pior opção" e alternativas existentes apresentam melhor relação riscos e adequação ao futuro do transporte marítimo.
A atual concessionária do terminal de contentores de Leixões, a Yilport, considera que o projeto para a construção do novo terminal Norte do Porto de Leixões é a “pior opção”, é “insustentável a médio e longo prazo” e corre o risco de se tornar “obsoleto antes mesmo de recuperar o investimento”. A empresa argumenta que as alternativas já estudadas, como o novo terminal Sul ou a melhoria do atual, apresentam “benefícios superiores”.
“A Yilport conclui que o modelo operacional do terminal é insustentável a médio e longo prazo, sendo previsível que se torne obsoleto antes mesmo de recuperar o investimento, por não estar alinhado com as tendências de automação, digitalização e evolução da frota mundial”, detalha a empresa no seu parecer incluído no Relatório da Consulta Pública do novo Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões, divulgado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
A concessionária considera ainda que “na análise custo-benefício apresentada, o projeto do Novo Terminal Norte surge como a pior opção, por combinar alto investimento, grande complexidade e impactes significativos, sem gerar ganhos proporcionais em capacidade efetiva, atratividade comercial ou sustentabilidade futura”.

Sem poupar críticas ao projeto para o novo terminal de contentores, que foi apresentado no passado dia 27 de janeiro como a “jóia da coroa” no âmbito do plano estratégico do porto até 2035 e que vai implicar um investimento global de mil milhões de euros, a Yilpor fala em “erros estruturais de conceção, sobretudo ao nível do layout triangular proposto, considerado ineficiente e contrário às práticas recomendadas em terminais greenfield, que normalmente adotam geometrias retangulares pela sua maior funcionalidade, automatização e expansibilidade”.
A Yilport argumenta que “são apresentados diversos exemplos internacionais que demonstram a adoção inequívoca de layouts lineares em novos terminais, reforçando a crítica técnica ao desenho proposto”.
“Outra crítica fundamental refere-se à inadequação do dimensionamento do terminal face à evolução da frota mundial de porta-contentores”, atira, notando que “o projeto foi definido para navios até 300 metros e cerca de 5.000 TEU, quando a tendência global mostra um rápido crescimento das dimensões dos navios, com classes superiores a 20.000 TEU já em operação e encomendas regulares de navios acima de 10.000 e 12.500 TEU”.
“A Yilport sustenta que o navio de projeto está desatualizado antes mesmo da eventual entrada em operação do terminal, comprometendo a competitividade futura do Porto de Leixões e impedindo a captação de serviços transatlânticos relevantes para o seu hinterland“.
O parecer aponta ainda “restrições de manobrabilidade marítima decorrentes da bacia de rotação interior, que limita estruturalmente o porte dos navios que o terminal pode receber”, com a concessionária a defender “que um investimento estruturante e duradouro deveria ser feito fora dos limites atuais do porto, permitindo acolher navios de grande dimensão sem constrangimentos operacionais”.
O plano, diz, tem ainda “insuficiências graves nas infraestruturas ferroviárias e rodoviárias”. “O projeto não prevê um ramal ferroviário funcional para comboios de 750 metros e que, por isso, todo o transporte de e para o terminal dependeria de camiões, duplicando ou triplicando o tráfego pesado atual e provocando congestionamento insuportável na via interna e na malha urbana envolvente”, o que coloca em causa metas de descarbonização e aumentaria as externalidades ambientais, sociais e logísticas.
Face a esta análise, a empresa defende que as alternativas existentes já estudadas – “otimizações do cenário atual, o Novo Terminal Sul (com DIA favorável) e a possibilidade estratégica de um novo terminal a Oeste, fora do encaixe portuário existente” – “apresentam melhor equilíbrio entre custos, riscos, capacidade, impacto e adequação estratégica ao futuro do transporte marítimo e das cadeias logísticas“.
O plano de expansão do porto de Leixões é aguardado há décadas e visa dotar a infraestrutura de condições para responder às necessidades atuais e competir com todos os portos galegos e nacionais. Segundo o documento publicado pela APA, o “projeto de Ampliação e Reorganização do Terminal de Contentores Norte (TCN) do Porto de Leixões pretende criar as condições necessárias para a receção de navios porta-contentores de maiores dimensões do que os que atualmente atracam no porto, maximizar a capacidade da movimentação anual de carga contentorizada e otimizar as operações no terminal”.
“Para tal, pretende-se a ampliação do atual terrapleno do TCN (para oeste e noroeste) e do cais de acostagem dos navios, bem como a inclusão de um terminal ferroviário com capacidade para receber e expedir comboios com pelo menos 750 metros de comprimento”, detalha o relatório.
Apesar do plano tardar, não tem sido bem recebido. Ainda esta segunda-feira, a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, admitiu ir a tribunal tentar parar o projeto do novo terminal de contentores norte do Porto de Leixões, caso não sejam estudadas todas as alternativas possíveis e minimizados impactos.
A consulta pública do projeto também revelou “forte envolvimento da comunidade”. “A esmagadora maioria das participações manifesta discordância face ao projeto. Estas apontam sobretudo impactes ambientais, paisagísticos e sociais considerados graves e insuficientemente mitigados no EIA”, detalha o documento.
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