Criminalidade económico-financeira dispara e branqueamento lidera subida em 2025

A criminalidade económico-financeira registou um aumento de 22% nos inquéritos entrados em 2025, com o branqueamento de capitais a concentrar a maior fatia dos casos, revela o RASI.

A criminalidade económico-financeira acelerou em 2025, num ano em que o branqueamento de capitais voltou a surgir como o principal motor deste universo criminal. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, o número de inquéritos nesta área aumentou 22% face a 2024, enquanto o número de arguidos subiu 49,6% e o de detidos disparou 154%. Em termos globais, o Relatório Anual de Segurança Interna expõe “aumento da criminalidade geral participada e uma diminuição da criminalidade grave e violenta” em 2025.

O relatório anual — apresentado esta terça-feira pelo primeiro-ministro Luís Montenegro — coloca o branqueamento no centro da tendência. Esta tipologia de crime registou um crescimento de 42% e representa a maior proporção do total de infrações económico-financeiras, surgindo à frente da corrupção ativa, que também subiu 17%. O documento associa esta evolução à crescente utilização de plataformas informáticas e à integração de vantagens ilícitas em circuitos financeiros internacionais.

O retrato traçado pelo RASI sugere uma transformação do perfil deste crime em 2025. A leitura já não se esgota nos casos clássicos de corrupção ou desvio de fundos, mas aponta para uma criminalidade mais ligada à tecnologia, ao anonimato digital e à circulação transnacional de capitais, incluindo fraude com criptomoedas, falsas plataformas de investimento e uso da deep web e da dark web para branqueamento e outras operações ilícitas.

Ainda assim, o relatório deixa zonas cinzentas relevantes para uma leitura mais fina. O RASI não discrimina, por exemplo, quanto do branqueamento detetado está ligado a fraude digital, corrupção, tráfico de droga ou evasão fiscal, nem quantifica o impacto económico agregado destes crimes. O próprio relatório sublinha, aliás, que a sua base é descritiva e não considera fatores exógenos causais para explicar o quadro de ocorrências.

Criminalidade informática sobe 13,4% e reforça ligação entre fraude digital e crime financeiro

A criminalidade informática mereceu um tratamento autónomo no relatório e registou uma subida de 13,4% em 2025, com 2.559 arguidos, mais 28,5% do que no ano anterior, e 83 detidos, numa variação de 88,6%. O RASI identifica como principais ameaças o ransomware, o phishing, o smishing, as burlas online e o comprometimento de contas, sobretudo bancárias.

O documento alerta que os crimes associados a meios de pagamento eletrónicos continuam a crescer, impulsionados pela digitalização da economia e pelo aproveitamento das falhas existentes nos sistemas eletrónicos. Entre os principais esquemas estão o carding, o skimming, campanhas de phishing para obtenção de dados bancários e falsas plataformas de criptomoedas. O valor contabilizado da fraude nestas últimas ascende a cerca de 14,7 milhões de euros.

Na prática, o capítulo da criminalidade informática funciona como complemento do capítulo económico-financeiro. O relatório trata-os separadamente, mas mostra que muitos dos esquemas digitais acabam por desembocar em branqueamento de capitais, dissipação internacional de fundos e utilização de money mules, o que reforça a ideia de uma fronteira cada vez mais ténue entre cibercrime e crime financeiro.

Moeda falsa recua 31,6%, mas apreensões de euros sobem para 953 mil euros

A criminalidade associada à moeda falsa teve também capítulo próprio no RASI relativo a 2025 e apresenta um movimento misto. A contrafação, falsificação e passagem de moeda falsa caiu 31,6% face a 2024, mas as apreensões de notas em euros aumentaram 28,4%, para um total de 952,8 mil euros. Já as apreensões em dólares recuaram 59,9%, para 20,5 mil dólares.

O relatório diz que a maioria dos casos continua a referir-se à passagem de moeda falsa, sobretudo detetada em operações de depósito bancário, mas sublinha também um ligeiro aumento dos crimes de contrafação e aquisição, associados a encomendas de notas falsas através da internet e intercetadas pela Autoridade Tributária antes de entrarem em circulação. A PJ considera que esta articulação entre controlo alfandegário e investigação criminal tem impedido a entrada de quantidades significativas de notas contrafeitas no circuito monetário.

As notas de 10, 20 e 50 euros continuam a ser as mais apreendidas, o que acompanha a sua maior circulação. O RASI acrescenta que muitas das contrafações apreendidas antes de entrarem em circulação são de “design alterado” e terão presumível proveniência chinesa, sendo adquiridas online e remetidas por via postal.

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