Lufthansa tenta trazer para Portugal escola de pilotos da força aérea alemã
Projetos em Portugal e presença no país há mais de 70 anos são trunfo na corrida à privatização da TAP, acredita a companhia. Concurso do Governo alemão pode trazer formação de 100 pilotos por ano.
- A Lufthansa concorreu a um concurso do Ministério da Defesa alemão para a criação de uma escola de pilotos da força aérea. Se ganhar, será localizada em Portugal.
- A escola de pilotagem poderá formar cerca de 100 pilotos de caças anualmente, com a possibilidade de vir a ser usada também por outros países da NATO.
- Os diferentes projetos da Lufthansa em Portugal são vistos pela companhia aérea como um trunfo na corrida à privatização da TAP.
O aumento dos investimentos em defesa na Europa está a atrair muitas empresas e a Lufthansa não é exceção. A aposta pode passar por Portugal, através da instalação de uma escola para pilotos da força aérea alemã, que poderá ser usada também por outros países da NATO.
O CEO da Lufthansa tinha levantado o véu sobre possibilidade de o grupo instalar em Portugal uma escola de pilotagem, durante a apresentação das contas anuais, no início de março. O responsável pela estratégia do grupo, Tamur Goudarzi-Pour, esclareceu esta semana que em causa está um concurso público lançado pelo Governo alemão, a que a companhia aérea concorreu.
“É um concurso lançado pelo Ministério da Defesa alemão. Penso que já existiram várias discussões com as autoridades portuguesas“, afirmou Tamur Goudarzi-Pour durante um encontro com jornalistas na sede da Lufthansa em Frankfurt.
“Temos ainda de ganhar o concurso, mas acreditamos que é uma oportunidade para termos outro negócio. Seria ótimo de conseguíssemos vencer e colocar isto em Portugal“, considera o gestor.
A escola teria capacidade para formar e treinar cerca de 100 pilotos de caças por ano, explica. Primeiro para o Ministério da Defesa alemão, mas com a possibilidade de ser usada por outros Estados-membros da NATO na Europa, explica Tamur Goudarzi-Pour. A localização exata em Portugal que está a ser considerada não foi revelada.
“A defesa, para nós, é mais um segmento de crescimento da Lufthansa Technik”, diz o responsável sobre a empresa de manutenção e engenharia do grupo. Já fazia a manutenção de aviões militares, mas desde que não tivessem armamento. Restrição que foi levantada para permitir alargar o âmbito de aeronaves.
A escola de pilotagem pode juntar-se a outros projetos do grupo Lufthansa em Portugal. No Porto já funciona há vários anos um centro de serviços do grupo, que trabalha para todo o mundo, nomeadamente na gestão das irregularidades de voo — como cancelamentos ou quando um passageiro perde uma ligação. Já emprega cerca de 400 pessoas, a que se vão juntar mais de meio milhar na nova unidade de manutenção de motores e componentes da Lufthansa Technik, em Santa Maria da Feira. A construção deverá arrancar no verão, como noticiou o ECO, estando previsto o início da operação em 2028.
A companhia aérea alemã vê nesta relação com Portugal, onde já está há 70 anos, como um importante argumento na corrida à privatização de 49,9% da TAP (dos quais 5% para os trabalhadores).
“Não se trata apenas de voar para Portugal, mas de todo o sistema de aviação. Há muitos mais efeitos indiretos que podemos gerar enquanto cidadãos de Portugal — não apenas como uma companhia aérea no sistema de aviação — e que podemos acrescentar como valor adicional”, destaca Tamur Goudarzi-Pour.
“Esperamos que isto também seja muito convincente para este caso”, acrescenta o responsável, considerando que “deve ser tido em consideração”. O grupo Lufthansa vai entregar uma oferta não-vinculativa na quinta-feira, quando termina o prazo desta que é a segunda fase do processo de privatização.
Tamur Goudarzi-Pour deixou a garantia de que mesmo que o grupo Lufthansa não ganhe a privatização, os projetos em Portugal são para manter.
(O jornalista viajou para Frankfurt a convite da Lufthansa)
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