Lufthansa vê aeroporto do Porto como segundo hub para a TAP

Grupo alemão faz pressão para conclusão das obras de expansão do Humberto Delgado no prazo de dois anos, de forma a dar margem de crescimento para a TAP.

ECO Fast
  • A Lufthansa defende que o Porto se torne um segundo hub para a TAP, aumentando os voos de longo curso a partir do aeroporto Sá Carneiro.
  • O grupo alemão já opera 108 voos semanais para o Porto e admite reforçar a oferta caso vença a privatização.
  • A Lufthansa considera a execução das obras de expansão do aeroporto de Lisboa como cruciais para o crescimento da TAP e espera que estejam concluídas em dois anos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Caso venha a ganhar a privatização da TAP, a Lufthansa pretende que o Porto se assuma como um segundo hub da companhia portuguesa, de menor dimensão, com um aumento dos voos longo de curso a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro. Sobre o aeroporto de Lisboa, o grupo alemão espera que as obras de expansão a cargo da ANA estejam concluídas em dois anos.

Queremos ver o Porto a trabalhar como um hub, também com os [Airbus] 321LR“, afirmou Tamur Goudarzi-Pour, o administrador executivo responsável pela estratégia do grupo, durante um encontro com jornalistas portugueses em Frankfurt, na segunda-feira. Os Airbus 321LR têm uma autonomia superior, permitindo viajar a partir de Lisboa ou do Porto até ao Brasil ou à costa leste dos Estados Unidos com menor consumo de combustível. Uma vantagem competitiva face a outros aeroportos europeus.

“É um excelente avião para essas localizações geográficas”, acrescenta o responsável, reforçando a importância da “conectividade através do Porto” para voos de longo curso.

A companhia aérea portuguesa já voa para alguns destinos no Brasil e nos EUA a partir do Porto e tem vindo a reforçar estas rotas. A Lufthansa, que até quinta-feira vai entregar uma proposta não-vinculativa para adquirir até 49,9% da TAP, vê o Sá Carneiro a funcionar como um segundo hub para a TAP, embora de dimensão mais pequena.

Voamos 108 vezes por semana para o Porto de todos os nossos destinos e é possível crescer. Por isso, pode ter um papel maior como segunda base da TAP e isso é algo que queremos sustentar no futuro.

Tamur Goudarzi-Pour

Administrador executivo da Lufthansa

“Voamos 108 vezes por semana para o Porto de todos os nossos destinos e é possível crescer. Por isso, pode ter um papel maior como segunda base da TAP e isso é algo que queremos sustentar no futuro”, afirmou o responsável pela estratégia do grupo Lufthansa.

Tal como os outros interessados na privatização, também a Lufthansa promete reforçar o tráfego da TAP para o Brasil e a América do Norte usando a sua ampla rede para trazer mais passageiros. E acrescenta uma vantagem face a outros hubs do grupo Lufthansa: viajar da América do Norte para África via Lisboa é 10% mais perto. Trazemos para Lisboa e Porto e distribuímos para a América do Norte, a América do Sul ou a África lusófona”, explica.

Obras de expansão do aeroporto de Lisboa “têm mesmo de ser executadas” em dois anos

O administrador executivo do grupo Lufthansa, que integra companhias como a Swiss, Brussels Airlines ou Austrian Airlines, salientou também a importância de “gerir o sucesso do hub” de Lisboa, para que “não se torne vítima desse mesmo sucesso”.

Salientou, por isso, que “é muito urgente e importante que nos próximos dois anos a expansão que está planeada para o Aeroporto de Lisboa seja executada”. Seja o aumento do terminal, seja do número de aterragens e descolagens, referiu.

As obras preveem a expansão do pier sul do terminal 1, que será dotado de 10 novas portas de embarque com ponte telescópica e uma nova aérea de 33 mil metros quadrados, num investimento superior a 250 milhões de euros. A construção já arrancou, estando a conclusão prevista para o final de 2027. A concessionária têm em marcha também um plano para aumentar o número de movimentos por hora e de passageiros, para mais de 40 milhões, que deverá ser submetido em maio para avaliação ambiental.

“Têm de ser executadas agora. São muito importantes para que o crescimento possa continuar”, reforçou Tamur Goudarzi-Pour, que esteve reunido recentemente com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas. A Lufthansa também já reuniu com a ANA, que segundo o administrador da Lufthansa “reconfirmou o plano” para o Aeroporto Humberto Delgado.

É muito importante que isto [aeroporto Luís de Camões] seja realizado a tempo, porque sabemos que poderá levar até 10 anos. Mas esta é a trajetória de crescimento a longo prazo que é possível alcançar.

Tamur Goudarzi-Pour

Administrador executivo da Lufthansa

O responsável também espera que o novo aeroporto de Lisboa seja construído dentro do prazo. “É muito importante que isto seja realizado a tempo, porque sabemos que poderá levar até 10 anos. Mas esta é a trajetória de crescimento a longo prazo que é possível alcançar“.

O aumento do número de aeronaves da TAP também está dependente da evolução da capacidade dos aeroportos. “Veremos também, com o plano de crescimento da frota que a TAP tem previsto, como isto pode ser executado em conjunto com as condições de infraestrutura que estão a ser disponibilizadas”, salientou Tamur Goudarzi-Pour.

A solução pode, mais uma vez, passar pelo Sá Carneiro. “Podemos gerir levando alguma conectividade para o Porto”.

(O jornalista viajou para Frankfurt a convite da Lufthansa)

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