Artemis faz lançamento com sucesso. “É viver o sonho de ver o homem regressar à Lua”

"Foi um lançamento perfeito, quase de filme", diz Hugo André Costa, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa. Marca o regresso de uma missão tripulada à Lua.

Depois de mais de 50 anos, quatro astronautas estão de regresso à Lua. A Artemis II foi lançada com sucesso às 18h35 locais (23h35 em Portugal continental) a partir do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Florida, nos Estados Unidos. Uma viagem de dez dias em torno da Lua e a primeira viagem tripulada da missão Artemis, projeto em que está envolvida a Agência Espacial Europeia (ESA). “Foi um lançamento perfeito, quase de filme.”

“A nossa geração ouviu sempre dizer que o homem esteve na Lua nos anos 70, mas nunca podemos viver algo semelhante. Portanto, para quem gosta de espaço e para quem trabalha nesse setor, aquilo que vimos ontem foi quase voltarmos a ser crianças e viver um sonho que é ver o homem regressar à Lua”, confessa Hugo André Costa, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa, em declarações ao ECO/eRadar.

“A missão de ontem tem um simbolismo muito forte. Primeira missão humana à Lua desde o final dos anos 70. Serve também para testar uma nova máquina que vai à Lua e o próprio lançamento em si foi um lançamento perfeito, quase de filme. Foi um lançamento fantástico”, acrescenta.

(Da esquerda para a direita) O piloto Victor Glover, da NASA, o especialista de missão Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana, o comandante Reid Wiseman, da NASA, e a especialista de missão Christina Koch, da NASA, saem do Edifício de Operações e Verificação Neil A. Armstrong em direção à Plataforma de Lançamento 39B, como parte dos preparativos para o lançamento da Artemis II em Titusville, Florida, EUA, a 1 de abril de 2026.EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

Depois de semanas de adiamento, o lançamento de ontem concretizou-se apenas com um ligeiro atraso. Mas com sucesso. “Os astronautas da NASA, comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e o especialista de missão da agência espacial canadense Jeremy Hansen, estão seguros. Eles estão bem e de ótimo humor”, disse o administrador da NASA, Jared Isaacman. “Continuaremos a monitorizar a saúde e o seu estado à medida que avançamos para a próxima fase da missão Artemis II”, disse durante a conferência de imprensa após o lançamento.

A nossa geração ouviu sempre dizer que o homem esteve na Lua nos anos 70, mas nunca podemos viver algo semelhante. Portanto, para quem gosta de espaço e para quem trabalha nesse setor, aquilo que vimos ontem foi quase voltarmos a ser crianças e viver um sonho que é ver o homem regressar à Lua.

Hugo André Costa

Diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa

Antes do lançamento, Charlie Blackwell-Thompson, o diretor de lançamento da NASA, disse à tripulação que com eles levariam “os desejos e sonhos de uma nova geração”. “Nesta missão histórica, vocês levam consigo o coração da equipe Artemis, o espírito audacioso do povo americano e dos nossos parceiros em todo o mundo, e as esperanças e os sonhos de uma nova geração”, disse, citada pela NBC.

O entusiasmo justifica-se. Trata-se da primeira missão orbital à Lua da missão Artemis e a primeira missão tripulada à Lua, embora sem pisar o solo do satélite, em mais de 50 anos, após a missão Apollo ter dado o famoso ‘pequeno passo para o homem, um passo gigantesco para a humanidade”.

Assim que chegarem perto da Lua, os astronautas irão orbitá-la e sobrevoar o seu lado oculto, esperando-se que batam o recorde da missão Apollo 13, tornando-se os humanos que viajaram mais longe da Terra. Espera-se que as informações recolhidas nesta missão de 10 dias ajudem a NASA a escolher o local o local de aterragem da missão Artemis IV em 2028, altura em que se espera que, de novo, astronautas pisem a Lua.

Missão internacional

Esta é também uma missão verdadeiramente internacional. “É uma das grandes diferenças entre as missões Apollo e a missão Artemis. A Apollo era uma missão essencialmente americana, dos Estados Unidos, e esta é uma missão internacional”, destaca Hugo André Costa.

“Temos, pela primeira vez, a Agência Espacial Europeia a contribuir com o módulo europeu [European Service Module], que vai dar a propulsão, energia, água, oxigénio, portanto, todo o suporte de vida, telecomunicações aos astronautas durante esta viagem”, detalha. “É, de facto, um elemento crucial da missão. E isso permite não só que a ESA, os Estados Membros da ESA participem no regresso à Lua, mas também a nossa indústria, a indústria europeia, em vários países da Europa, onde foram construídos estes elementos”, acrescenta.

É também uma participação da Europa no regresso à Lua, algo que nós não tínhamos visto no passado e temos agora na missão Artemis“, realça.

Para além de, que, nesta missão “temos o primeiro não-americano, neste caso canadiano [Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana], a viajar até a Lua. Ou seja, alguém que não seja americano vai viajar até a Lua”, destaca Hugo André Costa.

Um contributo europeu que se mantém nas próximas missões.Na semana passada, a NASA convocou as agências espaciais, para uma reunião, um evento onde informou da alteração dos planos agora do regresso à Lua”, lembra o diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa.

Além do anúncio da suspensão da base orbital Gateway, a “Artemis III — que já tinha sido anunciada — deixa de ser uma missão à Lua e passa a ser uma missão à volta da Terra. Isto para testar todos os elementos da cápsula Orion, que foi lançada ontem, com os elementos que farão a aterragem na Lua em 2028”, explica Hugo André Costa.

“Esses elementos ainda estão a ser construídos pela indústria norte-americana, ou a SpaceX ou a Blue Origin, um deles irá fazer a alunagem, mas é necessário em 2027 começar já a fazer os testes da acoplagem das duas naves para essa viagem até a Lua”, refere. “Artemis IV será então o regresso à Lua, E aí sim, já com alunagem do satélite.”

A indústria portuguesa já tinha sido identificada como uma indústria capaz para dar apoio, hardware, também para a Lunar Gateway, — uma das componentes que foi canceladas ou suspensas pela NASA — obviamente, acreditamos que abrem-se oportunidades para, na base lunar, termos as nossas indústrias e a nossa comunidade científica também a participar.”

Hugo André Costa

Diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa

Todas estas missões terão sempre a participação da ESA. Aliás, o módulo europeu para a Artemis III já foi entregue aos Estados Unidos, portanto já está lá pronto para ser montado com a cápsula Orion da Artemis III”, diz. “A ESA está a concluir também, aqui ainda na Europa, para a Artemis IV, o módulo europeu”. Resta saber quem será a equipa, os astronautas que irão até à Lua, se teremos ou não já um astronauta europeu nessa missão, o que seria extremamente interessante e importante“, destaca.

O foguetão Space Launch System (SLS), transportando a cápsula Orion para a missão Artemis II, descolou da plataforma de lançamento 39B no Centro Espacial Kennedy em Titusville, Florida, EUA, a 1 de abril de 2026. A tripulação inclui os astronautas da NASA Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch (especialista de missões) e o astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA) Jeremy Hansen (especialista de missões). A missão irá realizar um sobrevoo tripulado da Lua, o primeiro voo humano para além da órbita terrestre baixa desde 1972.EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

“A ESA e a indústria europeia estão desde já garantidas na continuidade das missões Artemis. Agora com a apresentação, daquilo que será o objetivo da NASA para Marte com esta construção, a partir de 2030 de uma base no Polo Sul Lunar, aí sim ainda está tudo bem aberto sobre como será esta parceria entre a Europa e os Estados Unidos”, aponta.

Mas Hugo André Costa mantém-se otimista. “Portas poderão abrir-se não só para a indústria europeia e para os cientistas europeus, mas também, obviamente, para os portugueses. A indústria portuguesa já tinha sido identificada como uma indústria capaz para dar apoio, hardware, também para a Lunar Gateway, — uma das componentes que foi canceladas ou suspensas pela NASA — obviamente, acreditamos que abrem-se oportunidades para, na base lunar, termos as nossas indústrias e a nossa comunidade científica também a participar.”

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