Bicicletas representam quase 60% das exportações de bens desportivos
Retrato do setor desportivo feito pelo INE mostra que as exportações superaram as importações em 225,6 milhões. Bicicletas, barcos e equipamento de desportos aquáticos representam 73,7% das vendas.
As exportações de bens desportivos totalizaram 728,8 milhões de euros no ano passado, com o setor das duas rodas em maior destaque. Os dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que as bicicletas, de cuja produção Portugal é o “rei” da Europa, representaram 58,7% do total das vendas de material de desporto ao estrangeiro.
Se se juntar às bicicletas o peso de 15% dos barcos e equipamento de desportos aquáticos nas exportações nacionais de bens desportivos, o conjunto representa quase três quartos (73,7%) do total das vendas a países terceiros.
As importações, por outro lado, atingiram 503,2 milhões de euros, a maioria das quais (53,9%) correspondentes a bens de ginástica e equipamento de natação e a calçado de desporto, de acordo com o gabinete estatístico.
Emprego no desporto é “mais masculino, jovem e escolarizado”
Os dados do INE disponibilizam também informação acerca do emprego desportivo, que se caracteriza por ser “mais masculino, jovem e escolarizado”. Em 2025, abrangia 53,5 mil trabalhadores, mais 1,9% do que no ano anterior, sendo que 66,2% deles eram homens. Quanto ao grupo etário, a faixa dos 25 aos 34 anos (33,1%) era predominante, enquanto 46,4% tinha o ensino secundário e pós-secundário e 41,9% tinha um curso superior.

A remuneração bruta total mensal média por trabalhador era de 1.578 euros, equivalente a um aumento de 3,9% face a 2024, mas inferior ao salário médio da generalidade da economia, que no ano passado estava fixado nos 1.694 euros.
Relativamente ao número de empresas no setor desportivo, os dados mais recentes remontam a 2024, ano em que se contabilizavam 19.959 empresas, mais 10,4% do que em 2023. Segundo o serviço de estatísticas, geraram três mil milhões de euros de volume de negócios e 1,2 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), o que corresponde a acréscimos homólogos de 6,6% e 10,3%, respetivamente.
“As empresas de gestão de instalações desportivas, atividades de clubes desportivos, atividades de ginásio (fitness) e de outras atividades desportivas (60,9% do total) geraram em conjunto 53,4% do volume de negócios e 70,9% do VAB do setor desportivo”, detalha o INE.
Despesa das autarquias com desporto não chega a 4% do orçamento municipal
Já o financiamento das autarquias às atividades e equipamentos desportivos registou um aumento de 7,6% em 2024, para 458,9 milhões de euros, representando 3,6% do total da despesa das câmaras municipais. A maior fatia (37,3%) desse dinheiro destinou-se à construção e manutenção de infraestruturas, seguindo-se o apoio a atividades desportivas (28,1%) e a associações desportivas (27,4%).
Por sua vez, o apoio financeiro contratualizado entre o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e as federações desportivas ascendeu a 51,1 milhões de euros (+2,8%) nesse ano.
Todo este financiamento serviu para apoiar os 844.186 inscritos nas federações dos demais desportos, mais 9,1% do que em 2023, bem como os 27.593 treinadores (+5,9%), os 19.628 árbitros (+8,4%) e os 1.016 atletas de alto rendimento (-1,7%).
Futebol lidera número de praticantes
Ainda segundo os dados do INE, as modalidades desportivas com maior número de praticantes em 2024 eram o futebol (28,2%), a natação (15,2%), o voleibol (7,2%) e o andebol (6,8%).
Nas modalidades mais representativas, as praticadas maioritariamente por homens foram o futebol (92,0%), o basquetebol (66,4%) e o andebol (59,0%), ao passo que as mulheres estavam em destaque na ginástica (90,0%), na patinagem artística (62,4%), no voleibol (58,3%) e na natação (55,9%).

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