Credores dão luz verde ao plano de recuperação da padaria Gleba

Com 24 lojas e mais de 230 trabalhadores, padaria ganha fôlego para poder pagar dívidas de 12 milhões. Credores recuperam 100% do capital, mas há um perdão dos juros e extensão do prazo de reembolso.

Os credores deram luz verde ao plano especial de recuperação (PER) da Gleba, que prevê um alongamento do prazo da dívida, que ascende a mais de 12 milhões de euros, num esforço para fazer face aos problemas de tesouraria com que a padaria se defronta, após anos de forte expansão.

O despacho de homologação do acordo de revitalização foi proferido esta semana pelo Tribunal da Comarca de Lisboa, sendo que a decisão “vincula a empresa e os credores, mesmo que não hajam reclamado os seus créditos ou participado nas negociações”, de acordo com a sentença publicada no portal Citius.

Com 24 lojas na região da Grande Lisboa e mais de 230 trabalhadores, a Gleba avançou com o PER para responder a “constrangimentos de liquidez e de solvabilidade de curto prazo” com que se vem defrontando nos últimos tempos, depois do forte investimento realizado nos últimos anos.

Por conta dessas dificuldades, dois bancos tentaram avançar com ações de execução da padaria fundada há dez por Diogo Amorim, principal acionista com 65% do capital – os restantes 35% estão nas mãos do empresário António Carrapatoso (14%) e da filha, Marta (21%).

O PER prevê que os credores recuperem 100% do capital, mas haverá um perdão dos juros de mora e ainda uma extensão dos prazos de reembolso. Os credores comuns, que reclamam perto de nove milhões de euros e onde se incluem os bancos, vão receber de volta o seu dinheiro nos próximos dez anos.

A padaria espera uma faturação superior a 13 milhões de euros para este ano e o volume de negócios deverá crescer até aos 15 milhões em 2029. Mas neste período as contas continuarão no vermelho: os prejuízos deverão ascender a 630 mil euros este ano. Só em 2032 é que a padaria prevê resultados positivos, acima do milhão de euros.

Para fazer face aos problemas, a Gleba implementou medidas internas com vista a racionalizar os custos, como a internalização de algumas tarefas, como a limpeza dos estabelecimentos e o processamento salarial.

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