Dona da Iberia fora da corrida à compra da TAP. Privatização será disputada entre Lufthansa e Air France
A IAG era um dos grupos que tinha manifestado interesse na privatização da companhia aérea portuguesa, mas não entregou uma oferta não-vinculativa na privatização.
O IAG, que detém a Iberia e a British Airways, não apresentou uma oferta não-vinculativa para a aquisição de uma posição minoritária na privatização da TAP, segundo apurou o ECO e confirmou entretanto o grupo britânico. Com o prazo para entrega de propostas à Parpública já expirado, a corrida à compra da companhia aérea portuguesa vai ser disputada entre a Lufthansa e a Air France-KLM.
“Após uma análise cuidadosa, a IAG decidiu que não seria do melhor interesse dos nossos acionistas prosseguir com o processo de aquisição de uma participação na TAP“, afirma num comunicado divulgado esta quarta-feira.
“Ao tomar esta decisão, a IAG está a dar prioridade às inúmeras oportunidades de crescimento dentro do Grupo existente, incluindo uma alocação disciplinada de capital para expandir as suas marcas de companhias aéreas líderes, bem como um desenvolvimento mais leve em ativos através de parcerias com companhias aéreas e de negócios como a IAG Loyalty”, acrescenta.
“Sempre afirmámos que, em qualquer processo de aquisição, precisamos de um caminho para a propriedade total, de forma a podermos gerir e transformar o negócio”, diz também.
O facto de a operação não permitir ficar com a maioria do capital da TAP – incide apenas sobre 49,9%, dos quais 5% para os trabalhadores – já vinha sendo apontado como um entrave.
O dono da British Airways expressou, no passado, fortes reservas sobre a possibilidade de a companhia área portuguesa atingir os objetivos de rentabilidade do grupo, entre 12% e 15%, se este ficasse apenas com uma posição minoritária. “Para o conseguir, precisaríamos de um caminho muito claro para a propriedade total ou, pelo menos, maioritária e, neste momento, isso não está em cima da mesa”, disse em dezembro o responsável pela área financeira e de sustentabilidade do grupo, Nicholas Cadbury, à Bloomberg.
A mesma agência tinha avançado no dia 20 de março que o grupo IAG não deveria avançar com uma oferta na privatização da TAP, apesar de ter sido um dos grupos que entregou à Parpública uma manifestação de interesse em participar na operação.
Os outros dois foram a Air France-KLM e a Lufthansa, que já comunicaram esta quinta-feira a entrega de uma proposta não-vinculativa. Na segunda-feira, o ministro das Finanças ainda mostrava alguma esperança em ter os três maiores grupos europeus a bordo. “Acho que esses três grupos continuam a olhar para a TAP numa perspetiva de crescimento de médio e longo prazo”, disse Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista à Bloomberg TV.
Em comunicado divulgado ao final da tarde, a Parpública confirmou que recebeu “duas propostas não-vinculativas”, apresentadas pela Air France-KLM e a Lufthansa.
“A confirmar-se um eventual afastamento do grupo, o processo poderá perder um dos intervenientes com maior capacidade financeira, reduzindo a intensidade concorrencial e, potencialmente, o nível de valorização final da transportadora aérea nacional, bem como das condições associadas à transação”, afirmou Nuno Barradas Esteves em declarações ao ECO na quarta-feira.
“A eventual retirada da IAG do processo de licitação da TAP deverá reduzir ligeiramente a pressão competitiva, mas não creio que tenha um impacto significativo no preço final pago”, disse Dudley Shanley, head of research do banco de investimento irlandês Goodbody também antes de se conhecer a decisão, justificando com o interesse dos grandes grupos na operação da companhia aérea portuguesa no Brasil.
“Estamos confiantes de que seremos bem-sucedidos, seja contra um ou dois competidores”, afirmou Andreas Bartels, que lidera a comunicação da Lufthansa, num encontro com jornalistas portugueses em Frankfurt.
Após a entrega das propostas não-vinculativas, a Parpública dispõe de 30 dias para elaborar um relatório com a apreciação das mesmas e enviá-lo ao Governo, que avançará em seguida com os convites para a entrega de propostas vinculativas.
“Cumpre agora à PARPÚBLICA elaborar, de modo fundamentado, um relatório que deverá descrever as propostas não-vinculativas apresentadas e conter uma apreciação das mesmas, determinando o seu mérito absoluto e relativo em função dos critérios de seleção previstos” no caderno de encargos, refere em comunicado.
O prazo de 30 dias pode ser interrompido se houver lugar a pedidos esclarecimento aos dois concorrentes.
(artigo atualizado às 19h36 com comunicado da Parpública)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Dona da Iberia fora da corrida à compra da TAP. Privatização será disputada entre Lufthansa e Air France
{{ noCommentsLabel }}