Garantir reservas de gás da UE para o inverno pode custar o dobro este ano. Portugal é dos países mais abastecidos

Encher as reservas de gás de forma a atingir patamares confortáveis para enfrentar o inverno poderá custar à União Europeia entre 20% a 95% acima do registado no ano passado.

Nas contas do Bruegel, os custos de preencher as reservas de gás para que atinjam os níveis a que a UE se propõe para o inverno podem ascender a quase o dobro daqueles que se registaram no ano anterior. Portugal destaca-se na UE com as reservas mais cheias, acima do objetivo comum. A União Europeia, em média, conta um armazenamento ligeiramente inferior a 30% da capacidade, quando os 80% são a referência para o inverno.

Em 2022, quando o conflito entre Rússia e Ucrânia ditou um aperto no abastecimento de gás para os países da UE, foi criada a exigência de que os Estados-membros garantam que as instalações de armazenamento nacional atinjam uma capacidade entre 80% a 90% até ao inverno. A quantidade exata de gás a armazenar e o momento para o fazer não está previamente definida.

O think tank Bruegel avança três cenários para o custo que terá, para a União Europeia, colocar as suas reservas de volta a estes níveis, numa altura em que as mesmas estão, em média, preenchidas em 28%. No cenário mais otimista, com um preço do gás de 45 euros por megawatt-hora, dita que a União Europeia vai precisar de 26 mil milhões de euros para colocar as respetivas reservas acima de 80%, um custo superior em 20% ao do ano anterior. Com o gás a 60 euros por megawatt-hora, o custo de voltar a preencher as reservas é de 35 mil milhões de euros, 55% acima da soma anterior. Já com os preços a marcarem os 75 euros por MWh, o custo de preencher cifrar-se-á nos 44 mil milhões de euros, quase o dobro – 95% – do anteriormente verificado.

É que, em 2025, em média, o custo do gás armazenado rondou os 35 euros por MWh. Nesta projeção, o Bruegel assume que, em novembro, o preenchimento das reservas chega aos 80%, totalizando 1.140 terawatts-hora (TWh), e que parte agora de uma percentagem de 30%. Atualmente, de acordo com os dados da plataforma Inventário Agregado de Armazenamento de Gás, os Estados-membros apresentam um preenchimento das suas reservas, em média, de 28%, contando apenas reservas de 320,5 TWh. Colocando a situação atual em perspetiva, o Bruegel indica que os níveis de armazenamento da UE a 1 de março de 2026 encontravam-se abaixo dos registados em anos anteriores.

Portugal com as reservas mais cheias

Portugal apresenta, a 1 de abril, as reservas com o preenchimento mais elevado (em percentagem) a nível europeu: situa-se nos 87,52% e corresponde a 3,12 TWh. Segue-se Espanha, que conta com uma fatia de 56,93% ou, em terawatts-hora, 20,4. O país com as maiores reservas, em termos absolutos, e que consegue o quarto lugar percentualmente, é Itália: os 88,9 TWh preenchem 43,74% da capacidade total de armazenamento do país. Os casos mais agudos são os dos Países Baixos, cujas reservas cobrem apenas 4,95% e ficam-se pelas 7,1 TWh, e a Suécia, que tens o armazenamento perto de zero, embora, percentualmente, seja superior ao dos Países Baixos.

“Atingir a meta dos 80% até novembro será mais difícil de alcançar do que em anos recentes e será relativamente dispendioso, dependendo da evolução do conflito no Irão”, lê-se na nota de análise partilhada pelos investigadores. Os mesmos alertam que “um reabastecimento rápido nos próximos meses poderá fazer subir os preços”.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

No conjunto do mês de março, o preço do contrato de gás natural que é referência na Europa, o holandês Title Transfer Facility, subiu 59%, marcando os 47,51 euros a 1 de abril, quando a 27 de fevereiro rondava os 32 euros.

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