Trump altera tom sobre a guerra e faz escalar preços do crude. WTI dispara 13% para 113 dólares

O preço do barril de WTI dispara 13% para 113,12 dólares e ultrapassa o de Brent, que avança 8%. Analistas interpretam discurso de Trump como sinal de um conflito prolongado no Médio Oriente.

Cada post, discurso ou declaração do Presidente americano pode, nesta altura de guerra, alterar as tendências dos principais ativos. Muitas vezes o foco dos investidores até nem está no que Donald Trump disse, mas no que omitiu — e é esse o caso esta quinta-feira, com os preços do petróleo a dispararem porque o republicano não explicitou um calendário para o fim do conflito no Médio Oriente.

Às 14h41, o preço de barril de Brent sobe 8% para 109,41 dólares, mas essa cotação é ultrapassada pelo disparo de 13% do WTI para 113,12 dólares.

“Vamos terminar o trabalho, e vamos terminá-lo muito rápido, estamos a chegar muito perto”, disse Trump num discurso, acrescentando que os militares dos EUA estão quase a atingir os objetivos no conflito, que terminaria em duas ou três semanas, mas sem dar mais detalhes.

Para os analistas do britânico Lloyds Bank, “Trump retoma a estratégia de paz pela intimidação, ameaçando com escalada do conflito e recalibrando as expectativas para um conflito mais prolongado, o tom da política externa derruba ativos de risco e impulsiona o petróleo (novamente)”.

Ricardo Evangelista, CEO da corretora ActivTrade Europe, também sublinhou que o Presidente dos Estados Unidos “voltou a mudar de tom durante o seu discurso televisivo de quarta-feira à noite, ameaçando intensificar os ataques ao Irão”.

“Estes últimos desenvolvimentos reforçam a ideia de que o conflito deverá prolongar-se para além de abril e, talvez de forma mais preocupante para os operadores do setor energético, sem qualquer perspetiva realista de normalização do tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz”, vincou.

Esta mais recente mudança provocou uma reversão generalizada nos mercados, com os preços do petróleo e do gás a subirem de novo, o dólar a fortalecer-se e as yields das obrigações a aumentarem, enquanto os mercados acionistas devolveram parte do terreno recuperado nas sessões anteriores.

Evangelista explicou que, neste contexto, é expectável a continuação da volatilidade nos mercados, com os preços a flutuarem à medida que a narrativa da administração norte-americana sobre a guerra vai alternando entre uma postura agressiva e uma abordagem mais construtiva.

“Ainda assim, a trajetória de menor resistência para os preços do petróleo continua inclinada para novas subidas, porque, apesar do ruído político, a realidade subjacente é que, quanto mais tempo o Estreito permanecer efetivamente fechado a cerca de 25% dos fluxos mundiais de petróleo e gás, maior será o impacto do choque da oferta no mercado global e maior a probabilidade de novos picos de preços”, concluiu.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Trump altera tom sobre a guerra e faz escalar preços do crude. WTI dispara 13% para 113 dólares

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião