Guerra com o Irão trava consumo de luxo no Dubai
O consumo de luxo no Dubai sofreu uma queda severa nas primeiras semanas do ataque ao Irão e da resposta que atingiu os países do Golfo.
O ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e o alastramento do conflito aos países do golfo estão a penalizar o consumo de luxo no Dubai e a perturbar o acesso a portos essenciais da região, noticia o Financial Times (acesso pago, em inglês). Nos primeiros três semanas do conflito, a afluência aos principais centros comerciais do emirado caiu de forma acentuada, num mercado que tem sido uma das poucas áreas de crescimento sustentado para a indústria global do luxo.
No Dubai Mall, que recebe habitualmente mais de 100 milhões de visitantes por ano, o número de clientes na loja Bloomingdale’s caiu 45% face ao mesmo período do mês anterior, segundo um documento com dados de tráfego citado pelo jornal. Já no Harvey Nichols, no Mall of the Emirates, a quebra foi de 57% no mesmo intervalo temporal. As vendas durante o Ramadão, que terminou a 19 de março, afundaram mais de 60% em ambas as lojas em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o Financial Times, o impacto surge numa altura em que os Emirados Árabes Unidos, centro regional de finanças e turismo, foram atingidos por mísseis e drones lançados pelo Irão, no âmbito da retaliação contra aliados dos EUA no Golfo. O jornal refere também que o governante do Dubai, Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, visitou o Dubai Mall nos primeiros dias da guerra, num sinal político de que o comércio continuava aberto e seguro.
Para os grupos de luxo, o Golfo tornou-se um mercado crítico num contexto de abrandamento na China e na Europa. De acordo com estimativas da Morgan Stanley citadas pelo Financial Times, a região representa cerca de 5% das vendas da maioria das marcas de luxo, sendo mais de metade desse negócio gerado nos Emirados Árabes Unidos. A Richemont, dona da Cartier, e a italiana Zegna estão entre as empresas mais expostas a este mercado.
A pressão sobre a procura soma-se agora a problemas logísticos. O Financial Times escreve que as restrições severas impostas pelo Irão ao uso do Estreito de Ormuz estão a atrasar o abastecimento de mercadorias à região. No porto de Khor Fakkan, a cerca de 85 milhas do Dubai, os navios enfrentam atrasos de 10 dias ou mais, segundo a DHL. O retalho e o comércio grossista têm um peso central na economia do emirado, tendo representado 25,9% do PIB do Dubai no terceiro trimestre de 2025.
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