Exclusivo Depois do imobiliário, Bondstone aposta no espaço e defesa e lança fundo de 50 milhões
O objetivo é construir um portefólio com mais de 25 startups, com tickets entre os 500 mil e um milhão de euros. Primeiro closing do fundo está previsto para este ano, com uma meta de 10 milhões.
- A Bondstone lançou um fundo de venture capital de 50 milhões de euros para investir em startups deeptech, focando em setores inovadores.
- O fundo visa construir um portefólio com mais de 25 startups, priorizando tecnologias disruptivas e a qualidade das equipas fundadoras, com tickets entre 500 mil e um milhão de euros.
- A empresa acredita que o próximo ciclo de crescimento europeu será impulsionado pela tecnologia científica, com o capital privado a desempenhar um papel crucial neste contexto.
Depois de investir em imobiliário, a Bondstone virou-se agora também para outro tipo e ativos. A private equity acaba de lançar um fundo venture capital de 50 milhões para investir em startups deeptech que atuem em setores como o espaço, robótica ou defesa. O objetivo é construir um portefólio com mais de 25 startups, com tickets que oscilam entre os 500 mil e um milhão de euros.
Uma nova área de negócio na empresa que “surge de forma natural”. “A Bondstone nasce do imobiliário, mas a nossa visão de longo prazo sempre foi criar uma plataforma de investimento de referência em diferentes classes de ativos alternativos. O venture capital representa o próximo passo lógico nessa evolução”, diz Paulo Loureiro, fundador e CEO da Bondstone, ao ECO/eRadar
“Estamos hoje a assistir a um momento muito particular no mundo e na Europa. Há uma conjugação de fatores tecnológicos, económicos e geopolíticos, que estão a redefinir o investimento em setores ligados à soberania tecnológica, onde se inclui o deeptech. Acreditamos que este contexto é uma oportunidade única de mercado, o que reflete a nossa convicção de que os próximos anos continuarão a ser definidos pelo aumento do investimento europeu neste setor, como a própria Comissão Europeia tem vindo a referir”, continua.
“A criação desta nova área de negócio nasce exatamente da convicção de que o próximo ciclo de crescimento europeu será profundamente marcado pela tecnologia de base científica e que o capital privado terá um papel determinante”, defende.

O fundo VC arranca com um objetivo de levantar 50 milhões de euros, sob gestão da Bondstone Ventures, uma sociedade gestora de fundos de capital de risco autorizada e supervisionada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
“Antecipamos que o primeiro closing, a ser realizado durante o ano de 2026, se possa situar em torno dos 10 milhões de euros. Estamos em contacto com investidores institucionais, nacionais e europeus, incluindo alguns que já conhecem a Bondstone, do nosso percurso no setor de private equity real estate. Há um reconhecimento claro da lógica de diversificação e do racional estratégico por detrás do lançamento desta nova área de negócio”, detalha Paulo Loureiro.
A criação desta nova área de negócio nasce exatamente da convicção de que o próximo ciclo de crescimento europeu será profundamente marcado pela tecnologia de base científica e que o capital privado terá um papel determinante.
“O valor mínimo de entrada será definido no âmbito do fundraising, mas o foco está claramente em investidores profissionais com uma visão de longo prazo, interessados em diversificar os seus investimentos e obter exposição ao setor tecnológico europeu, em particular nas fases de maturidade seed e early-stage”, refere o CEO da Bondstone.
Onde querem investir e quanto
A aposta do fundo é em startups deeptech. Ou seja,” tecnologias altamente inovadoras e disruptivas com o potencial de transformar indústrias ou criar novos mercados”, precisa João Pedro Silva, partner de VC da Bondstone, ao ECO/eRadar.
“Há várias áreas que nos interessam, em particular inteligência artificial avançada, computação quântica, biologia computacional e biotecnologia, robótica e automação avançada, novos materiais e nanotecnologia, tecnologias duais, tecnologias energéticas e space tech. Mais do que escolher segmentos, olhamos para a qualidade e robustez da tecnologia base, para o mérito científico das equipas e para o potencial de impacto financeiro. É esta combinação que estará no centro das nossas decisões de investimento”, diz o partner de VC da Bondstone.
Num ano em que o Estado português fez o maior contributo de sempre na Agência Espacial Europeia — uma subida de 51% — e num momento em que a defesa na Europa assume maior protagonismo, João Pedro Silva admite que espaço e defesa são setores foco do investimento. “São claramente setores que estamos a acompanhar com muita atenção e nos quais pretendemos investir”, afirma.
“O setor aeroespacial e algumas tecnologias duais associadas à defesa fazem parte da nossa tese de investimento, sobretudo pela ligação direta à soberania tecnológica europeia que é central na nossa abordagem”, reforça mas sem definir um montante a alocar dos 50 milhões totais que o fundo pretende investir.
“Nesta fase não temos definida uma alocação fixa por setor. Preferimos manter flexibilidade e avaliar caso a caso. Ainda assim, é perfeitamente expectável que o portefólio venha a incluir projetos ligados a space tech, tecnologias duais ou tecnologias energéticas, se fizerem sentido do ponto de vista da inovação tecnológica, da disrupção do mercado e do potencial económico”, refere.

O objetivo é construir um portefólio “com mais de 25 startups ao longo do período de investimento do fundo”. “Preferimos adotar uma abordagem criteriosa, privilegiando a qualidade das equipas fundadoras, a robustez científica por trás da tecnologia e a viabilidade comercial em larga escala”, justifica o partner de VC da Bondstone.
O foco é investimento em seed e early stage. “Os nossos tickets iniciais poderão variar entre 500 mil euros e um milhão de euros, com a flexibilidade para valores superiores em situações excecionais, quando a qualidade científica e o potencial de mercado justifiquem uma maior exposição”, indica João Pedro Silva. “Este intervalo permite-nos assumir uma posição relevante em rondas seed e early stage, construir um portefólio diversificado e, simultaneamente, ter a possibilidade de acompanhar rondas subsequentes”, justifica.
O setor aeroespacial e algumas tecnologias duais associadas à defesa fazem parte da nossa tese de investimento, sobretudo pela ligação direta à soberania tecnológica europeia que é central na nossa abordagem.
“Em deeptech esta abordagem é particularmente importante, porque os ciclos de validação da tecnologia são longos e exigentes do ponto de vista financeiro. Por isso, é fundamental contar com capital paciente, de forma a conseguirmos apoiar o crescimento das nossas empresas participadas ao longo do tempo”, argumenta.
Foco de investimento: Europa do Sul
Uma aposta no ecossistema que não se limita ao mercado nacional. “O nosso foco principal é o Sul da Europa, nomeadamente Portugal, Espanha e França, mercados onde existe talento científico de enorme qualidade e, muitas vezes, com menos acesso a capital especializado em deeptech. Dito isto, não somos um fundo geograficamente restrito. Temos uma abordagem pan-europeia e pretendemos investir nas melhores oportunidades mesmo que noutras geografias, desde que estejam em linha com a nossa tese de investimento”, adianta Paulo Loureiro.
“O nosso foco está integralmente no primeiro fundo. A prioridade é executá-lo com rigor, construir um portefólio sólido e criar valor real nas startups onde investimos”, adianta o CEO quando questionado sobre se havia mais fundos previstos no horizonte. “A constituição de um segundo fundo será avaliada no momento certo, com base em resultados concretos do primeiro fundo. Não acreditamos em lançar fundos em série sem um track record sólido e consistente”, conclui.
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