Exclusivo Fusões e aquisições caem 30% no primeiro trimestre. Negócios movimentam 989 milhões

Mercado de M&A, 'private equity' e capital de risco mobilizou 989 milhões de euros até março, mas o número de operações com empresas portuguesas caiu 31%. Negócio de 285 milhões da Sword destacou-se.

No contexto de uma guerra no Médio Oriente, crise energética, eleições presidenciais e novas ameaças de tarifas por parte dos Estados Unidos. Os primeiros três meses deste ano, à semelhança do arranque de 2025, voltaram a ser desafiantes para as empresas, fizeram com os negócios decorressem num ambiente cada vez mais volátil e culminaram numa queda superior a 30% nas fusões, aquisições e investimentos de private equity e capital de risco.

O mercado de Mergers & Acquisitions (M&A) em Portugal teve uma redução de 31% no número de transações onde estiveram envolvidas empresas portuguesas, para 109, e o capital mobilizado nessas operações fixou-se nos 989 milhões de euros, perfazendo uma diminuição de 26,6% no valor acumulado, de acordo com os dados da TTR Data, a que o ECO teve acesso. No entanto, importa realçar que menos de um terço (26%) dessa centena de transações teve os valores revelados.

A liderar o campeonato do M&A português esteve o unicórnio Sword Health, que comprou a rival alemã Kaia Health por 285 milhões de dólares (cerca de 237 milhões de euros), mas os analistas desta base de dados ainda vão selecionar o negócio do trimestre. Até ao feriado de Sexta-feira Santa, faltava escolher o verdadeiro ‘campeão’ de uma ecossistema que também envolve as compras de ativos, o private equity e as rondas de financiamento de venture capital.

Apesar do panorama internacional com a guerra no Médio Oriente a provocar aumentos dos custos, nomeadamente dos combustíveis, as empresas portuguesas foram às compras (e deixaram-se comprar) entre janeiro e março, nos mais variados setores da economia. Logo no início do ano, a Salvador Caetano entrou na Irlanda com a aquisição do grupo automóvel Cedar, que vendeu cerca de 28 mil viaturas, tem mais de 600 colaboradores e um volume de negócios anual próximo de mil milhões de euros.

Nesta lógica de internacionalização, neste caso para os Estados Unidos, a consultora de engenharia Quadrante captou a Right Analytics, uma empresa especializada em sistemas elétricos de transmissão com sede em Los Angeles com a qual a Google e data centers globais trabalham.

No segmento imobiliário, as operações dividiram-se entre empreendimentos turísticos – como o resort Penha Longa, em Sintra, que foi vendido à sociedade L Catterton, apoiada pelo grupo de luxo LVMH – ou a venda da posição da Sonae no centro comercial brasileiro Parque Dom Pedro Shopping por 95 milhões de euros.

Destaque ainda para os negócios nas indústrias da panificação, com a Cerealis a integrar a operação de massas alimentares da empresa espanhola Cerealto. Ou na área naval, na qual o empresário Mário Ferreira tem significativos investimentos e, desta vez, adquiriu os estaleiros navais de Aveiro (Navalria) à Martifer por 3,7 milhões de euros. Na saúde, sobressai o facto de a CUF ter concluído a aquisição de 75% do grupo algarvio HPA, na sequência da luz verde da Autoridade da Concorrência, após meses de avaliação e negociação de remédios. Mesmo a fechar o trimestre, a firma de auditoria Baker Tilly anunciou a aquisição da sociedade de revisão de contas Anjos & Associados, no Porto.

Quanto aos grandes grupos, destacou-se a Semapa com a conclusão da venda da Secil à espanhola Molins, através da qual a holding da família Queiroz Pereira encaixa mais de mil milhões com a operação e estima mais-valia de 400 milhões de euros. Por sua vez, a Jerónimo Martins optou por redirecionar investimentos. A dona do Pingo Doce deixou passar o Natal para anunciar as novidades ‘amargas’ do encerramento da rede de lojas de chocolate e confeitaria Hussel, mas aproveitou a apresentação dos resultados de 2025 para confirmar o interesse noutros ativos na Polónia.

Depois de vir a público que o grupo francês Carrefour considera vender a sua operação na Polónia, país onde a retalhista explora a marca Biedronka, a empresa admitiu que é do seu interesse. “Na perspetiva da Polónia e do consumidor polaco, haveria interesse em que a Biedronka fosse a solução para muitos dos ativos do Carrefour (…). Não posso deixar de revelar que há localizações obviamente na perspetiva de ativos que teriam sempre interesse para nós”, disse o CEO da Biedronka, Luís Araújo, na conferência de imprensa anual.

Em declarações ao ECO, durante o programa Mulheres com ECO no setor financeiro, a diretora de Investors Relations da Jerónimo Martins, Cláudia Falcão, explicou que os “investidores estão hiper-reativos a todas as pequenas notícias de curto prazo”, o que envolve acompanhar estas notícias de outros mercados e novidades de regulação além-fronteiras. “Há uma hipersensibilidade que é resultado da volatilidade que temos no mundo, com impactos significativos no curto prazo”, afirmou, no episódio que pode ser visto na íntegra aqui.

No ano passado, entre janeiro e março, o contexto macroeconómico e geopolítico atrasou tanto a conclusão das operações que colocou o mercado transacional nos valores trimestrais mais baixos em três anos. Nesse período, registaram-se 158 operações, o que representou um mínimo desde o início de 2022. Inicialmente, o volume era de 114, mas o ranking sofreu as habituais atualizações.

A transação que marcou os primeiros meses de 2025 foi a conclusão da aquisição da Claranet Portugal pela operadora de telecomunicações Nos por 152 milhões de euros. Apesar do dinamismo do setor tecnológico, foi o de imobiliário que continuou como o mais ativo, seguido pela indústria das viagens, alojamento e entretenimento – onde se inserem os hotéis – e só depois a área de Internet e serviços de tecnologia com oito operações. Com o negócio milionário do unicórnio, os próximos dias dirão se agora será a saúde digital a destacar-se.

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