João Pedro Oliveira e Costa: “Eu era bom a matemática, mas não queria ir para a banca nem andar engravatado”

  • ECO
  • 6 Abril 2026

Começou a trabalhar num banco como gestor de conta e nunca mais abandonou a área. Hoje, João Pedro Oliveira e Costa é CEO do Banco BPI e partilha a sua jornada até se tornar presidente executivo.

João Pedro Oliveira e Costa, CEO do Banco BPI, é o 72º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Apesar dos quase 40 anos de experiência na área bancária, confessa que nunca tinha pensado trabalhar em bancos até a vida o colocar de frente com essa possibilidade e a ter aceite. Depois de aceitar o primeiro convite, nunca mais abandonou o setor e foi construindo o caminho que o levou a tornar-se presidente executivo do BPI.

“Eu ia para engenharia, mas tive uma nota muito fraca a português e não tinha média para ir para o Técnico. Então fui para a Católica. Eu era bom a matemática, mas não queria ir para a banca nem andar engravatado“, começou por dizer. No entanto, ainda na Católica, foi convidado para fazer um estágio no BPA e aceitou porque reconheceu que “convidar um miúdo com 23 anos era um grande elogio” que não podia recusar.

Contudo, esse estágio acabou por ser interrompido por outro convite, desta vez de um professor da universidade, o Alexandre Relvas: “No final de uma aula, ele perguntou-me se eu queria trabalhar num mercado de capitais e eu disse que sim. Fui a uma entrevista e passei a trabalhar na Interfinança, que fazia gestão de patrimónios. Na altura, só iam os melhores alunos trabalhar naquela empresa. Por isso, claro que eu tinha que ir“.

Mais uma vez, aceitou um convite que considerou irrecusável, mas confessa que se sentia pouco preparado para a função. “Eu percebia muito pouco, então tive de estudar e de trabalhar imenso. Na prática, eu ia ser um comercial e falar com clientes. Mas adorei! A minha função era convencer os clientes do banco que deviam gerir profissionalmente as suas carteiras. Já tinham os seus portfólios, mas eu iria geri-los. E assim começou a minha vida profissional nos mercados financeiros“, contou.

“Dois anos depois, o Alexandre Relvas sai e é aí que eu fico dentro do universo BPI”, continuou. Mas o percurso naquela que viria a ser a sua “casa” durante décadas não começou de forma facilitada: “A certa altura, eu estava lá meio perdido. Tinham passado seis meses, não tinha nenhuma função especial, e pensei que era só mais um. Mas peguei no telemóvel e liguei para a pessoa que diziam que mandava. Atendeu, fui ter com ele e tivemos uma ótima conversa. No final, ele disse-me que não tinha nada para me dar, mas que a minha lata o fez querer encontrar alguma coisa“.

Nesta conversa, João Pedro Oliveira e Costa demonstrou interesse em trabalhar na sala de mercados, já que considerava ser “a parte mais fundamental de um banco”. Conseguiu o lugar e, a partir daí, foram sempre surgindo mais projetos, muitos deles provocados por si. Eu fui tendo desafios permanentes, mas provoquei muito mais do que me provocaram a mim. Acho que isso é uma coisa boa, mas é uma vontade minha tentar ver do que é que a organização vai atrás. E a verdade é que a organização respondeu”, disse.

Ainda assim, independentemente dos diferentes projetos que foi abraçando, o CEO garante que o seu propósito sempre foi e é “estar com clientes”: “Um banco é feito de pessoas para pessoas. No fim da linha, não está lá um número, mas sim uma vida. E para as pessoas se conseguirem transcender, há três coisas importantes: a primeira é ter um propósito, e o meu é servir os clientes do banco, os colaboradores e responder ao meu acionista; a segunda é que esse propósito seja suficientemente relevante, que impacte à tua volta; e o terceiro é que tenha um impacto emocional, que toque o coração. Quando tens as três peças, transcendes-te”.

Durante todo o seu percurso, manteve estas três premissas e hoje, enquanto CEO, garante que continuam a fazer toda a diferença. “Uma coisa importante a ser dita é que os bancos emprestam o dinheiro dos nossos depositantes. Nós temos um enorme dever fiduciário. Por isso, num primeiro momento, tenho de ser o guardião. Obviamente que eu faço negócio e tenho todo o interesse no desenvolvimento da economia portuguesa, até porque é isso que vai gerar mais poupança, mais rendimentos, mais trabalho. Mas eu não posso perder a primeira parte. Aliás, se olharmos para as vezes em que correu mal, começa quando nos esquecemos as bases“, afirmou.

Estas bases, de acordo com João Pedro Oliveira e Costa, são o que diferencia o ser humano da máquina e considera que também fazem toda a diferença dentro dos bancos: “Eu não sei se a tecnologia vai conseguir atingir o tema das emoções, mas acho complicado. A forma como conseguimos tocar os outros é o que nos diferencia. Por isso, eu não acredito que o digital seja um fim em si. Até uma determinada decisão, sim. Mas depois há a componente humana que os balcões dos bancos ainda têm e que assume um peso muito significativo“.

Penso que o nosso objetivo de vida deve ser quantas pessoas é que conseguimos marcar positivamente e inspirar. No banco, nós estamos todos no mesmo piso e, normalmente, almoçamos juntos. Eu acho que é importante este espírito de corpo e o mesmo acontece com as pessoas que trabalham connosco. Eu conheço as pessoas pelo primeiro nome e não sou muito de chamar ninguém por doutor. Isso são embrulhos, interessa mais quem é a pessoa que está por trás do que propriamente essas coisas“, acrescentou.

Apesar de se sentir muito grato pela sua vida profissional, o CEO não hesita em afirmar que “a vida não começa e acaba nestas coisas que fazemos“. Por essa razão, garante que aquilo a que dá mais importância na vida é a “tentar ficar sempre do lado certo”: “Muitas vezes não consegues, mas tentas. E eu acho que esse é um ótimo exercício porque se procurarmos ser sempre um pouco melhores, também começamos a perceber que as pessoas são melhores connosco. Não há heróis, há os que tentam. E eu sou dos que tentam ser um pouco melhor“.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan.

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