Mercados ganham fôlego com esforços de cessar-fogo no Golfo Pérsico
A possível reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado praticamente desde o início do conflito, anima os mercados, que sobem na esperança de uma trégua de 45 dias entre Washington e Teerão.
- Os mercados estão a reagir positivamente à possibilidade de um cessar-fogo de 45 dias entre os EUA e o Irão, mediado por aliados regionais.
- O petróleo está a recuar, com os contratos de futuro do Brent a chegarem a cair quase 2%, aliviando as preocupações com a inflação devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
- O conflito no Golfo já causou mais de 5 mil mortos e continua a gerar incerteza nos mercados energéticos globais, afetando a economia.
Os mercados estão a reagir positivamente às notícias de que a Administração Trump está a negociar um possível cessar-fogo de 45 dias com o Irão, com a mediação de aliados regionais.
Segundo o Axios, o Paquistão, o Egito e a Turquia estão a fazer pressão diplomática de última hora para evitar novos ataques norte-americanos às infraestruturas energéticas iranianas, após o presidente Donald Trump ter ameaçado, no fim de semana, “destruir tudo” caso o Irão não reabra o Estreito de Ormuz até esta terça-feira.
A janela de negociação é estreita: as mesmas fontes admitem que as probabilidades de um acordo nas próximas 48 horas são baixas. Trump tem uma conferência de imprensa marcada para as 18h00 (hora de Lisboa).
Nos mercados, a reação foi de prudente alívio. Os contratos de futuros do S&P 500 estão a negociar com ganhos de 0,3% e os contratos sobre o tecnológico Nasdaq a liderarem os ganhos entre os índices norte-americanos ao subirem 0,6%, antecipando-se uma abertura de Wall Street no verde.
Na Ásia, o índice MSCI Ásia-Pacífico avançou 0,3%, com o Nikkei japonês e o Kospi sul-coreano também no verde. Muitos mercados europeus (inclusive o português PSI) e de Hong Kong permanecem esta segunda-feira encerrados devido ao feriado da Páscoa. Entre os mercados europeus que estão abertos, o turco Bist 30 segue a subir 1,3% e o romeno BET a ganhar 0,4%.
No mercado de matérias-primas, o petróleo está a recuar, com os contratos de futuro do Brent com vencimento no final do mês a chegarem a cair quase 2% para baixo dos 107 dólares por barril (atualmente negoceiam nos 108 dólares), aliviando temporariamente as preocupações com a inflação causadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o escoamento do petróleo do Médio Oriente.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, continua praticamente bloqueado, com o tráfego a 90% abaixo dos níveis normais. Apenas 16 navios cruzaram a via marítima desde sábado, e dois petroleiros com GNL do Catar tentavam esta segunda-feira a primeira travessia para fora da região desde o início do conflito.
Este sábado, o ministério dos Negócios Estrangeiros de Omã revelou, num post na rede social X, que Omã e o Irão realizaram uma reunião ao nível dos subsecretários dos ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países, com a presença de especialistas de ambos os lados, onde “foram discutidas as possíveis opções para garantir a passagem tranquila pelo Estreito de Ormuz nas circunstâncias atuais da região”, e o Irão anunciou uma isenção para navios iraquianos, permitindo potencialmente até 3 milhões de barris diários de crude do Iraque.
O ouro negoceia a subir 0,5% para perto dos 4.700 dólares por onça – apesar de ter recuado 12% desde o início da guerra – e o Bitcoin aproxima-se da barreira dos 69.800 dólares ao valorizar 3,1%.
O dólar segue esta segunda-feira a resvalar 0,1% face a uma cesta de seis moedas (inclusive o euro) e a yield das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos situa-se em torno dos 4,36%, longe dos 3,9% que negociava ante dos primeiros ataques dos EUA e Israel ao Irão a 28 de fevereiro.
O conflito na região do Golfo já fez mais de 5 mil mortos, a maioria iranianos, e continua a alimentar incerteza nos mercados energéticos globais.
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