Tempestades: Seguro apela a férias no interior e chama especialistas a Belém para pressionar apoios
O Presidente da República vai convocar especialistas para uma reunião em Belém, com o objetivo de identificar falhas na resposta do Estado e pressionar a aceleração dos apoios à recuperação.
O Presidente da República, António José Seguro, lançou esta segunda-feira um apelo direto aos portugueses para que escolham o interior do país como destino de férias este ano, sublinhando que essa decisão pode ter um impacto concreto na recuperação das regiões devastadas pelas tempestades de há cerca de dois meses. A mensagem foi deixada no arranque de uma presidência aberta dedicada aos territórios mais afetados, onde o Chefe de Estado promete ouvir populações. Na próxima semana, vai reunir-se com especialistas em Belém para pressionar respostas e retirar lições para o futuro, anunciou.

“Deixo um apelo a todos os portugueses: na altura de marcarem as suas férias, que possam ter em conta que um fim de semana ou uma semana nestas bonitas paisagens do interior é uma ajuda, um estímulo e uma expressão de solidariedade por quem tanto sofreu”, afirmou, a partir da Sertã, sublinhando o papel do turismo interno como instrumento de recuperação económica.
A visita começou com um contacto direto com a população, onde, segundo o próprio, emergiram de imediato preocupações concretas. “Nesta primeira meia hora, o que testemunhei foi um conjunto de pessoas que, de forma muito educada, solicitaram a minha intervenção para que a estrada possa ser aberta”, relatou, referindo-se à interrupção na Estrada Nacional 2. “Tomei boa nota, porque isso tem impacto não apenas na mobilidade, mas também na atividade económica da região”, acrescentou, reconhecendo o efeito direto das infraestruturas bloqueadas no quotidiano das comunidades.
Ao longo do percurso, Seguro ouviu também empresários locais que continuam a enfrentar dificuldades na recuperação dos seus negócios. Um dos exemplos citados foi o de uma unidade hoteleira que, apesar de ter recorrido a capitais próprios, enfrenta entraves no acesso a financiamento público. “Estive a conversar com o empresário desta unidade hoteleira, que me disse que tinha, felizmente, recursos próprios para começar esta recuperação, mas que tem tido apoios do lay-off e da Segurança Social”, disse. Ainda assim, alertou para atrasos no sistema financeiro público: “O Banco de Fomento está a tardar em dar uma autorização para o apoio à recuperação deste investimento”.
O Presidente ressalvou que evita leituras simplistas da situação. “Não tenho uma visão a preto e branco das situações, mas farei uma avaliação no final. São cinco dias de presidência aberta”, afirmou, deixando em aberto conclusões mais detalhadas após o contacto com diferentes realidades no terreno.
Seguro enquadrou ainda esta deslocação como parte de um compromisso mais amplo com a coesão territorial. “Esta presidência tem de ser entendida como um compromisso com o território e com as pessoas que aqui vivem”, declarou, sublinhando também a responsabilidade de articulação institucional: “O Presidente da República também tem uma responsabilidade de cooperar com todos os órgãos de soberania”.
Dos primeiros contactos, o Chefe de Estado retira já sinais de que persistem falhas na resposta à tragédia. “Tenho a perceção de que uma parte desses problemas persiste. Este programa de presidência aberta mostrou essa complexidade”, afirmou, apontando como prioridade a aceleração dos apoios. “O nosso propósito é acelerar os apoios para que cheguem o mais rapidamente possível e também estimular a recuperação e dar garantias às pessoas de que serão ouvidas”, acrescentou.
Com esse objetivo, anunciou uma iniciativa concreta para os próximos dias: a convocação de especialistas para uma reunião na Presidência da República, com base nos testemunhos recolhidos no terreno. “Para a semana, em Belém, promoverei uma reunião com especialistas, a partir dos relatos que tirar desta presidência aberta, para se retirarem ilações e prevenir situações futuras onde o Estado possa dar uma resposta melhor e mais eficaz”, explicou.
O foco, disse, será perceber onde falhou a resposta inicial à emergência. “É percebermos o que é que correu mal, ou o que correu menos bem, o que tardou naquele apoio imediato às pessoas, porque era preciso salvar bens e proteger infraestruturas”, detalhou, apontando para uma reflexão que possa traduzir-se em mudanças concretas na capacidade de resposta do Estado.
No final das declarações, o Presidente deixou também uma nota de homenagem às vítimas da intempérie. “Não esqueço — e presto daqui a minha homenagem — aos 18 portugueses que foram vítimas mortais desta enorme tempestade”, afirmou.
António José Seguro iniciou esta segunda-feira, na Sertã, Castelo Branco, a primeira presidência aberta, dedicada a acompanhar a recuperação das zonas atingidas pelas tempestades, numa iniciativa que termina na sexta-feira em Leiria e contará com a presença do Governo.
Uma fonte oficial da Presidência da República detalhou, em declarações à Lusa, que a iniciativa tem como objetivo permitir ao chefe de Estado, António José Seguro, “testemunhar os impactos das intempéries, escutar as populações e avaliar as necessidades de resposta e de recuperação das zonas sinistradas”. A mesma fonte adiantou que, durante estes quatro dias, o Presidente estará acompanhado no terreno por membros do Governo.
O primeiro dia termina em Tomar, no distrito de Santarém, cidade escolhida como sede desta presidência aberta e onde decorrerá a habitual reunião semanal de trabalho entre António José Seguro e o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Seguro tem agendadas, também em Tomar, reuniões com a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a Associação Nacional de Freguesias.
(Notícia atualizada às 12h09)
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